Sem turismo, Porto e Norte perderiam 2,4 mil milhões e 117 mil empregos

O valor acrescentado bruto do turismo triplicou na última década, com um crescimento de 232%, segundo um estudo do IPDT, o que sublinha o peso do setor na economia regional.

O turismo representa atualmente 2,4 mil milhões de euros da economia do Porto e Norte e mais de 117 mil empregos. Se o setor desaparecesse da região, este seria o impacto direto na atividade económica e no mercado de trabalho, segundo um exercício apresentado na quinta-feira pelo IPDT – Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto.

De acordo com o estudo “E se o turismo acabasse no Porto e Norte de Portugal?”, o setor representa 5,25% do Valor Acrescentado Bruto regional, o equivalente a 2.401 milhões de euros, e 7,24% do emprego da região, com 117.321 postos de trabalho associados ao turismo, num cenário conservador.

O exercício apresentado pelo IPDT mostra que, num cenário alargado, que inclui impactos indiretos e perdas reputacionais, o impacto subiria para 4.202 milhões de euros e 195 mil empregos.

“Há muitas formas de olhar para o turismo e perguntar ‘e se o turismo acabasse?’ é a forma mais honesta de perceber o que o turismo representa para a economia, para o emprego, a cultura, para a coesão territorial e para a preservação do património”, diz António Jorge Costa, presidente do IPDT Tourism Intelligence.

Já para o presidente da CCDR-Norte, o “turismo é uma área estratégica para a região e para a coesão do território”, sublinhando, otimista, que o “Porto está a crescer muito bem e tem ainda muito para crescer”. Olhando para o mote “e se o turismo acabasse?”, Álvaro Santos recordou o período da pandemia, defendendo que todos conhecem o impacto económico que isso representou. “Sabemos é o que é um território sem turismo. Conseguimos sobreviver, mas com muitas dificuldades”, recorda.

O estudo destaca ainda a evolução do setor ao longo da última década. Entre 2014 e 2024, o Valor Acrescentado Bruto do turismo na região triplicou, crescendo 232%, de 723 milhões para 2.401 milhões de euros. No mesmo período, o emprego ligado ao turismo aumentou 66%, com mais 46.708 postos de trabalho criados, enquanto o número de empresas do setor cresceu 36%, para 36.564 empresas.

Também a procura turística praticamente duplicou na região: as dormidas passaram de 6,1 milhões em 2014 para 14,7 milhões em 2025. No que concerne às dormidas de não residentes, estas subiram de 3,2 milhões para 9,3 milhões.

Ao nível da receita, os proveitos do alojamento atingiram 1.154 milhões de euros em 2025, mais 80% do que em 2019. O crescimento em valor superou o crescimento em volume, com o IPDT a sublinhar uma “trajetória de valorização clara” do destino.

Esquera para direita: Álvaro Santos (presidente da CCDR-Norte), Nuno Botelho (presidente da Associação Comercial do Porto), Rui Alves (diretor do Aeroporto do Porto Francisco Sá Carneiro) e Fátima Santos (diretora municipal do Turismo e Internacionalização da Câmara Municipal do Porto)

O estudo aponta ainda para o peso crescente do turismo fora da Área Metropolitana do Porto (AMP). Cerca de 30% do crescimento das dormidas em 2025 no Porto e Norte de Portugal aconteceu para lá da AMP, com destaque para regiões como Alto Tâmega (+8,3%), Tâmega e Sousa (+6,5%), Alto Minho (+6,2%) e Douro (+3,9%).

Fátima Santos, diretora municipal do Turismo e Internacionalização da Câmara Municipal do Porto, explica que, depois de a autarquia perceber que o turismo se concentrava sobretudo no centro histórico e na zona da Ribeira, avançou, em 2024 para a criação de oito quarteirões turísticos no Porto, com o objetivo de aliviar a pressão turística na cidade.

Na conectividade, o Aeroporto do Porto movimentou 16,9 milhões de passageiros em 2025, mais do dobro dos 6,9 milhões registados em 2014, superando atualmente os 130 destinos. O diretor do aeroporto sublinha que o “turismo tem uma importância fundamental”, mas mostra-se preocupado com os controlos fronteiriços, defendendo que “chega de atirar responsabilidades uns para os outros”.

Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, não tem dúvidas de que o “turismo é fundamental”, destacando que o “país não produz assim tanta riqueza para matar a galinha dos ovos de ouro”.

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