“Tecnologias desenvolvidas em Portugal podem ser aplicadas no Canadá”
Numa altura dominada pelos sistemas autónomas aéreos, líderes de empresas tecnológicas do setor debateram como criar parcerias pode ajudar a impulsionar a inovação e Portugal pode posicionar-se.

“Tecnologias semelhantes que estão a ser desenvolvidas em Portugal podem ser aplicadas no Canadá na cobertura remota, assim como tecnologias canadianas podem ser aplicadas pelos portugueses”, sublinhou JR Hammond, diretor-executivo e fundador da CAAM (Canadian Advanced Air Mobility) ao ECO/eRadar, à margem do evento AED Days 2026, que decorreu esta sexta-feira em Oeiras.
Hammond afirmou que o seu papel em Portugal “é garantir que as empresas canadianas estejam melhor conectadas ao mercado aéreo português”, durante o painel “Reimagining Air Mobility: From Vision to Next-Generation AAM”. É importante “que as empresas portuguesas entendam o papel colaborativo” do Canadá “para operações futuras”, reforçou.
Esta não é uma opinião isolada. Para Dave Green, Founder & CEO da Green Aerospace — uma das 30 empresas canadianas alinhadas para colaborarem com Portugal — o caminho para “o desenvolvimento e inovação” do setor aeronáutico passa por formular parcerias “estrategicamente com indústrias adjacentes”, promovendo a cooperação pan-europeia. “Um dos novos negócios que recentemente começamos a entrar é na verdade o negócio de drones de alta altitude”, afirmou Dave, abordando as potencialidades que Portugal tem no desenvolvimento das tecnologias autónomas.
Para Marcos Resende, ATM Business Director da Atech-Embraer Group, o atual ecossistema do setor pode trazer “muitas oportunidades para todas as empresas”, a nível mundial. Nesse sentido, Resende defende que a indústria brasileira, para atingir o seu potencial de inovação, precisa de “falar com as indústrias portuguesas e falar com as indústrias canadianas, porque a aeronáutica é um setor global, não é apenas regional”.
A cooperação e partilha de tecnologia através de parcerias internacionais pode ser o motor para acelerar a inovação da aeronáutica. “Precisamos de construir um ecossistema [de cooperação] que garanta o funcionamento das infraestruturas”, atirou Álvaro Ramos, CTO da Beyond Vision, empresa portuguesa que já exporta drones para mercados como Polónia, Brasil e EUA.
Luc Van den Avyle, diretor Comercial e Advisory of Partnerships & Business Development da Elysian Aircraft defende que é preciso criar “potenciais parceiros para construir aeronaves, porque elas custam milhões”. O antigo piloto deixou em aberto a possibilidade de formular parcerias com empresas portuguesas do setor, não tendo negado essa possibilidade quando questionado durante o painel.
Apesar de todos os membros concordarem na cooperação e criação de parceiras — tema muito referido ao longo do evento AED Days 2026 —, o brasileiro Marcos Resende alertou que no setor de aviação “a coisa mais difícil é partilhar informações, partilhar dados”, aferindo que “há um período de mudança” que precisa de ser implementado e que para alcançar a interoperabilidade será necessário a indústria “dar grandes passos”.
A Canadian Advanced Air Mobility procura “fortalecer algumas das existentes parcerias” entre empresas portuguesas e canadianas e “no lado militar, entre a Força Aérea Portuguesa”, disse Hammond. “Estas parcerias de aviação civil e militar estão a expandir e o nosso papel é garantir que este momento impulsione para novas oportunidades de aviação”, disse o canadiano ao ECO/eRadar, à margem da conferência.

“Tecnologias semelhantes que estão a ser desenvolvidas em Portugal podem ser aplicadas no Canadá na cobertura remota, assim como tecnologias canadianas podem ser aplicadas pelos portugueses”, sublinhou, adiantando que a sua empresa quer criar mais parcerias “para que a tecnologia possa ser aplicada em Portugal e no Canadá ao mesmo tempo”.
Mas pode Portugal ser cada vez mais um aliado estratégico do Canadá? “Sim, há bases aeroespaciais fortes que podem ser radicalmente fortificadas como resultado da relação existente entre o Canadá e Portugal”, afirmou o CEO da Canadian Advanced Air Mobility ao ECO/eRadar.
Hammond usou os Açores como um exemplo onde uma parceria com a CAAM poderá canalizar melhor o investimento português no setor aeronáutico militar. “Nos Açores, muito dinheiro público é gasto em pilotos a voar para cima e para baixo e a monitorizar com os olhos alguns pontos de segurança muito básicos. Então é aí que a parceria expande, em resolver estes desafios com tecnologias autónomas que podem ser aplicadas em operações militares”, aferiu o fundador da CAAM.
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