Vinhos do Alentejo contribuem com 673 milhões de euros para o PIB

A fileira dos vinhos do Alentejo gera quase 1,45 mil milhões de euros e, em 2023, assegurou mais de 21 mil empregos diretos. Objetivo passa por duplicar exportações.

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“Atualmente, os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros de impacto na economia nacional, contribuindo todos os anos com 673 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB)”. A radiografia ao setor é feita pelo presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Luís Sequeira, ao ECO/Local Online, que espera duplicar o valor das exportações até 2031 e “projetar o Alentejo como uma das grandes regiões de vinho do mundo”.

Segundo Luís Sequeira, “em 2023, o setor vitivinícola alentejano gerou 95 milhões de euros em receita fiscal para o Estado, através de IVA e IRS, e assegurou mais de 21 mil empregos diretos e 269 milhões de euros em remunerações”. Os dados resultam de um estudo socioeconómico desenvolvido pela Nova Schoolof Business & Economics (Nova SBE), da Universidade Nova de Lisboa, que foi apresentado esta sexta-feira, em Évora.

O estudo revela igualmente o peso do Alentejo no panorama vitivinícola nacional, com a região a representar cerca de 16,4% da produção nacional de vinho, 16,8% da produção nacional de vinho com Denominação de Origem Protegida (DOP) e 19% da produção nacional de vinho com Indicação Geográfica Protegida (IGP).

Cerca de 30% da produção nos 23,3 mil hectares de vinha da região alentejana destina-se à exportação, tendo como principais mercados o Brasil, a Suíça, os EUA, o Reino Unido e a Polónia. A comissão espera, nos próximos cinco anos, duplicar as exportações de vinho da região, passando dos atuais 20 milhões de litros para 40 milhões, e gerar 160 milhões de euros em vendas externas.

Atualmente, os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros de impacto na economia nacional, contribuindo todos os anos com 673 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB).

Luís Sequeira

Presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA)

As projeções económicas para os próximos cinco anos apontam ainda para um crescimento significativo dos principais indicadores da fileira vitivinícola alentejana. A produção direta do setor deverá aumentar dos atuais 387 milhões de euros para 545,9 milhões em 2031, traduzindo-se num acréscimo de 158,9 milhões de euros, ou seja, um crescimento de 41,1%. Já o Valor Acrescentado Bruto (VAB) deverá crescer de 106,9 milhões para 150,8 milhões de euros.

O plano estratégico para 2026-2031 coloca no topo das prioridades o aumento do valor gerado pela fileira vitivinícola alentejana, projetando o Alentejo como uma das grandes regiões de vinho do mundo.

O enoturismo surge igualmente como um dos principais motores de crescimento da região alentejana. A CVRA estima atrair um milhão de enoturistas, aumentar o ticket médio em 16 euros por visitante e captar grandes eventos internacionais relacionados com o vinho e o enoturismo.

Este plano estratégico dos vinhos do Alentejo 2026-2031 resulta da auscultação ao setor, envolvendo produtores, especialistas, investigadores e agentes económicos.

Comissão lança plataforma com mais de 5 milhões de dados

A par da apresentação do plano estratégico, a CVRA lançou esta sexta-feira a plataforma Data+, uma ferramenta digital de monitorização e rastreabilidade da fileira vitivinícola alentejana, que reúne “mais de cinco milhões de dados” reunidos desde 1989. “O que pretendemos é partilhar com toda a região o enorme acervo de informação que os Vinhos do Alentejo dispõem”, salienta o presidente da CVRA.

Segundo Luís Sequeira, a plataforma — que considera “única no setor” — permitirá reforçar o rigor e a transparência da atividade vitivinícola, além de apoiar os 1.500 viticultores e agentes económicos associados da CVRA na tomada de decisões estratégicas.

A ferramenta reúne informação detalhada por sub-região, castas, mercados de exportação e ações promocionais, além de dados externos, nomeadamente do Instituto Nacional de Estatística (INE), relacionados com a comercialização internacional.

“Queremos tornar o Alentejo uma das melhores regiões de vinho do mundo e este é um dos serviços que reforça essa ambição”, conclui Luís Sequeira.

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