Empresas permitem teletrabalho no dia de greve geral

Greve geral está marcada para 3 de junho e poderá afetar, nomeadamente, os transportes. Há empresas de vários setores a permitir teletrabalho, incluindo por solicitação dos trabalhadores.

Chegar ao local de trabalho na próxima quarta-feira poderá ser mais difícil do que é costume. É que a 3 de junho os trabalhadores levam a cabo mais uma greve geral contra a reforma laboral que o Governo propôs, e os transportes deverão ser um dos setores mais impactados. Face aos constrangimentos previstos, há empresas que, até por solicitação dos trabalhadores, admitem teletrabalho nessa data.

É o caso da Intelcia. Com mais de sete mil trabalhadores em Portugal, a multinacional adianta ao ECO que, “no contexto específico da greve”, vários trabalhadores pediram para cumprir as suas funções à distância na quarta-feira, “devido às dificuldades de mobilidade resultantes da redução dos transportes públicos“.

“A Intelcia acolheu esses pedidos para garantir condições adequadas de trabalho a quem decidiu exercer a sua atividade nesse dia. Esta decisão foi tomada sem nunca colocar em causa o direito à greve, que a empresa respeita integralmente”, sublinha fonte oficial.

A Intelcia explica que esta medida foi avaliada “internamente função a função, assegurando simultaneamente o bem-estar dos colaboradores e a continuidade do serviço aos clientes”.

A prioridade foi, como sempre, manter condições de segurança, estabilidade e organização para todos os trabalhadores“, afirma a empresa.

"Em situações excecionais, como greves ou condições meteorológicas adversas, é ainda emitida recomendação para realização de trabalho remoto sempre que seja possível.”

Generali Tranquilidade

Já no setor dos seguros, a Generali Tranquilidade explica que tem em vigor uma política de trabalho híbrido, que garante, “sempre que as funções permitam”, a possibilidade de os trabalhadores realizarem trabalho remoto. No entanto, em “situações excecionais, como greves ou condições meteorológicas adversas”, é também emitida recomendação para realização de trabalho remoto sempre que seja possível, assinala fonte oficial.

Por outro lado, a TP Portugal, com mais de 14 mil trabalhadores a seu cargo, assegura que respeito o direito de aderir à greve e adianta que a teletrabalho já é uma opção “estabelecida e regular para as funções compatíveis”.

Além disso, para os trabalhadores que optem por não aderir à paralisação e precisem de se deslocar para o local de trabalho, a TP disponibilizou medidas de caráter exclusivamente logístico, no dia da greve geral, “como o reembolso das despesas de deslocação e das despesas de estacionamento, com o objetivo de facilitar o seu acesso às instalações”.

"Para aqueles que, optando por não aderir à greve, precisam de se deslocar para o local de trabalho, a TP disponibilizou medidas de caráter exclusivamente logístico, como o reembolso das despesas de deslocação e das despesas de estacionamento, com o objetivo de facilitar o seu acesso às instalações.”

TP Portugal

“Adicionalmente, desde novembro, a TP disponibiliza uma ferramenta interna para aqueles que desejem organizar a partilha de boleias entre colegas”, frisa fonte oficial.

Por sua vez, Rui Teixeira, country manager da ManpowerGroup, revela ao ECO que disponibilizou aos trabalhadores a possibilidade de teletrabalhar no dia da greve geral, “sempre que a função e o modelo operacional o permitem”.

“Aliás, o teletrabalho já faz parte das práticas habituais da organização em várias das nossas equipas e funções”, diz.

“No entanto, no caso das operações desenvolvidas para clientes, a realidade pode variar em função do serviço prestado e das necessidades operacionais específicas de cada atividade. Existem funções que, pela sua natureza, exigem presença física e não são compatíveis com modelos de trabalho remoto“, ressalva o responsável.

Ajustar o regime híbrido para evitar constrangimentos

teletrabalhoLusa

Há também empresas que já disponibilizam regimes de trabalho híbrido aos seus trabalhadores, que permitem recorrer aos dias remotos já previstos para evitar potenciais constrangimentos resultantes da greve geral.

Por exemplo, na tecnológica de origem suíça Zühlke, o modelo híbrido permite aos trabalhadores decidir quando trabalham no escritório ou noutro local, “desde que as necessidades dos clientes, dos projetos e das equipas estejam asseguradas”.

“Este princípio aplica-se a todos os colaboradores, sem exceção”, avança Ana Correia, talent acquisition lead.

“Acreditamos que a flexibilidade, a autonomia e o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal são fatores fundamentais para o bem-estar e o desempenho das nossas equipas. Por isso, não foi necessário implementar uma medida específica para o dia 3 de junho, uma vez que os colaboradores já dispõem dessa flexibilidade no seu dia a dia“, afirma a responsável.

"Por maioria de razão, e ainda mais no dia da greve geral, o teletrabalho na Gi Group Holding é promovido.”

Cristina Simão

HR director da Gi Group Holding

Na tecnologia, a Siemens Portugal também destaca que já aplica um regime de trabalho híbrido há vários anos, que permite aos trabalhadores optar pelo teletrabalho dois a três dias por semana. “Este regime permite uma maior adaptação às necessidades e à realidade de cada colaborador”, declara, quando questionada sobre a disponibilização de teletrabalho especificamente no dia da greve geral.

Noutro setor, a Gi Group Holding – pela voz da sua diretora de recursos humanos, Cristina Simão – realça que dá sempre a opção do trabalho à distância, aplicando-se há muito. “Por maioria de razão, e ainda mais no dia da greve geral, o teletrabalho na Gi Group Holding é promovido“, aponta a responsável.

Na mesma linha, a Cegid assegura que já dispõe de “uma política de flexibilidade que permite aos colaboradores recorrer ao trabalho remoto sempre que enfrentem dificuldades em deslocar-se presencialmente, incluindo em dias de greve“.

“Por essa razão, não considerámos necessário emitir uma comunicação interna específica sobre o dia 3 de junho. Essa flexibilidade já existe para quem necessite“, conta a diretora de recursos humanos em Portugal e África, Rita Cadillon.

"A Cegid já dispõe de uma política de flexibilidade que permite aos colaboradores recorrer ao trabalho remoto sempre que enfrentem dificuldades em deslocar-se presencialmente, incluindo em dias de greve.”

Rita Cadillon

Diretora de recursos humanos em Portugal e África da Cegid

E nos seguros, o Grupo Ageas Portugal também dispõe, há vários anos, de um modelo de trabalho que garante elevada flexibilidade às suas pessoas, “permitindo antecipar e acomodar imprevistos deste género“, observa fonte oficial.

“Operamos num regime híbrido que possibilita uma gestão flexível dos dias de trabalho. Assim sendo, os colaboradores, em coordenação com as suas equipas e chefias, podem organizar-se de forma a assegurar o melhor equilíbrio das suas necessidades“, indica a empresa.

A greve geral de dia 3 de junho foi convocada pela CGTP contra a reforma da lei do trabalho, que prevê mudanças, por exemplo, na contratação a prazo, direitos parentais, despedimentos, outsourcing e até na formação profissional.

Ao contrário do que aconteceu em dezembro, desta vez a UGT não se juntou, argumentando que a paralisação é extemporânea: depois de não ter sido possível um acordo na Concertação Social, o processo acaba de chegar ao Parlamento e ainda nem foi à votação na generalidade.

Mesmo sem a UGT, vários sindicatos já aderiram a esta greve geral, pelo que se antecipam constrangimentos nos transportes, saúde, educação, telecomunicações e até call centers.

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