A Puig “não está à venda”, diz CEO aos acionistas

Lina Santos,

A garantia é do presidente da Puig. Em outubro é conhecido um novo plano estratégico para a empresa.

A Puig “não está à venda”, afirmou Marc Puig, presidente executivo do grupo espanhol de perfumaria e beleza, perante os acionistas, segundo o Expansión. A declaração foi feita na assembleia geral da passada esta sexta-feira, no primeiro encontro público após terem terminado, sem acordo, as negociações com a Estée Lauder para uma possível fusão.

A administração da Puig centrou a mensagem na visão de longo prazo e na independência da empresa. Marc Puig disse que a família fundadora, de que faz parte, se mantém e continuará a manter se como acionista de longo prazo, acrescentando que essa condição também estava prevista na combinação de negócios que chegou a estar em discussão.

O presidente executivo explicou que, quando a Estée Lauder abordou a Puig, a empresa definiu três pontos centrais para avaliar a operação: a governação, a liderança do negócio e condições económicas que reconhecessem corretamente o valor da companhia e fossem equilibradas para todos os stakeholders.

As negociações concentraram-se nesses três eixos e chegou a estar em cima da mesa a possibilidade de Marc Puig copresidir a empresa resultante juntamente com William P. Lauder, presidente da Estée Lauder. A liderança operacional do grupo, que se tornaria no segundo maior do mundo na área da beleza, e as condições económicas também acabaram por bloquear o acordo, segundo o Expansión.

Na área de negócio, a Puig pôs como condição manter em Barcelona a sede da divisão de perfumaria, segmento em que supera a Estée Lauder. Do lado financeiro, a empresa espanhola teria ainda de renegociar o acordo com a Charlotte Tilbury, devido à eventual mudança de controlo acionista, o que poderia implicar o pagamento de compensações de valor elevado.

Temos o máximo respeito e admiração pela família Lauder, mas não foi possível chegar a acordo e demos por terminadas as conversações

Marc Puig, presidente executivo da Puig

“Temos o máximo respeito e admiração pela família Lauder, mas não foi possível chegar a acordo e demos por terminadas as conversações”, afirmou Marc Puig. O gestor disse ainda que o interesse da Estée Lauder, bem como as conversações anteriores com a Kering, sobre um possível acordo de licença de longo prazo para as suas marcas de beleza, em troca de uma participação minoritária na Puig, mostram o reconhecimento alcançado pelo grupo no setor.

Marc Puig defendeu que a empresa está mais forte do que nunca, depois de ter superado antes do previsto os objetivos do plano estratégico anterior. “Mais do que duplicámos as receitas em dois anos, não em três, e quase as triplicámos em quatro, um ano antes do previsto”, afirmou.

A Puig fechou 2025 com vendas superiores a 5 mil milhões de euros e um lucro líquido ajustado de 587 milhões de euros. A empresa prepara agora a apresentação do novo plano estratégico, marcada para 28 de outubro, anunciou o novo presidente executivo, José Manuel Albesa, citado pelo Expansión (acesso pago).

José Manuel Albesa adiantou que a nova estratégia passará por consolidar as marcas do grupo, reforçar a liderança no segmento de nicho, revolucionar a perfumaria de prestígio e desenvolver a área de cuidados da pele. A assembleia geral aprovou ainda as nomeações de Albesa como administrador executivo e de Julie Van Ongevalle como vogal independente, em substituição de Josep Oliu.

Os acionistas deram também luz verde ao pagamento de um dividendo de 237 milhões de euros. A distribuição será feita ainda este mês de junho.

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