Anthropic deverá mesmo disponibilizar Claude Mythos a agência da União Europeia
Anthropic deverá conceder à Agência da União Europeia para a Cibersegurança acesso ao Claude Mythos, o modelo de IA especializado na deteção de vulnerabilidades informáticas.
A Anthropic deverá disponibilizar à Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) acesso ao Claude Mythos, o seu modelo de inteligência artificial (IA) especializado em cibersegurança, depois de este ter sido apresentado nos Estados Unidos, ainda em abril. Segundo a Bloomberg (acesso pago), que cita fontes próximas do processo, a empresa liderada por Dario Amodei vai permitir que a ENISA utilize a ferramenta, desenvolvida para identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas informáticos.
A empresa especializada em IA terá comunicado à Comissão Europeia, durante o último fim de semana, a decisão de permitir o acesso ao modelo Mythos. Antes disso, a Bloomberg detalha ainda que responsáveis da Comissão deslocaram-se a São Francisco, EUA para reuniões com a empresa, numa tentativa de acelerar as conversações que se prolongavam há várias semanas.
O Mythos foi apresentado em abril, mas até agora apenas um grupo restrito de parceiros tinha acesso ao modelo, do qual não fazia parte qualquer organização da União Europeia. Ao todo, cerca de 40 entidades participam na iniciativa denominada Projeto Glasswing, incluindo empresas como Apple, Amazon Web Services (AWS), Google, Nvidia e Microsoft. O acesso ao modelo de IA tem sido fortemente controlado devido às suas capacidades sensíveis. Na altura do lançamento, a Anthropic justificou essa abordagem afirmando que o objetivo era permitir aos defensores reforçar a proteção dos sistemas mais críticos antes de modelos com capacidades semelhantes se tornarem amplamente acessíveis.
Também em abril, o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) já havia revelado ao ECO estar a acompanhar a evolução do Claude Mythos, em articulação com entidades congéneres e com a Comissão Europeia. Na altura, o CNCS alertou que a crescente capacidade destes modelos para identificar vulnerabilidades em sistemas informáticos exige “processos coordenados de gestão e mitigação de falhas por parte dos fabricantes”, bem como mecanismos rápidos de atualização e correção por parte das entidades críticas e essenciais.
A Anthropic é uma das empresas que mais tem beneficiado do atual impulso da inteligência artificial e poderá avançar para uma entrada em bolsa antes do final do ano. Na semana passada, a empresa concluiu uma nova ronda de financiamento junto de investidores, alcançando uma avaliação de 965 mil milhões de dólares (cerca de 830 mil milhões de euros, ao câmbio atual). Com este valor, a Anthropic ultrapassou a OpenAI, criadora do ChatGPT, que tinha sido recentemente avaliada em 852 mil milhões de dólares.
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