Banco de Fomento vai ter aumento de capital de 1,5 mil milhões até 2030

Comissão Europeia prolongou mandato do Banco de Fomento até dezembro de 2032. Banco apoiou 16 mil empresas, através de 18 mil operações em 2025.

O Banco de Fomento apoiou 16 mil empresas, através de 18 mil operações, num volume de financiamento superior a 6,5 mil milhões de euros, e vai contar com um aumento de capital de 1,5 mil milhões de euros até 2030.

O aumento de capital já foi aprovado pelo Ministério da Economia e das Finanças e será posteriormente notificado à Comissão Europeia, “para não criar nenhum desequilibro de mercado”. Este ano, haverá um aumento de 100 milhões já em junho ou julho e mais 50 milhões no final do ano. Depois, em 2027, 2028 e 2029, haverá aumentos consecutivos de 450 milhões de euros até chegar aos dois mil milhões, tudo assegurado com verbas do Orçamento do Estado, explicou o CEO do Banco de Fomento, Gonçalo Regalado. Desta forma, o rácio de capital do banco são robustecidos num momento em que a instituição é cada vez mais chamada a participar com capital nas operações e não ser apenas uma gestora, com tudo fora do balanço.

Na apresentação de resultados de 2025, a instituição liderada por Gonçalo Regalado sublinha o “ano de mudança”, em que “foi possível consolidar o grupo de forma estrutural”, com destaque para quatro projetos estruturantes, como o Hospital de Lisboa Oriental, a linha de alta velocidade, os dois novos data centres em Lisboa e o Grande Prémio de F1. Este ano já há três novas operações estruturantes “em áreas onde o banco nunca esteve”. “O financiamento do consórcio da Volkswagen Autoeuropa, em que o BPF, com mais 4 bancos portugueses e o Banco Europeu de Investimento, mobilizámos 400 milhões de euros de financiamento para o novo carro elétrico, que traz um investimento de 626 milhões, que só foi formalizado agora”; “o financiamento do campus universitário, das residências universitárias do ISTEC, ou seja, o projeto que mobilizámos com o BEI” e “um grande projeto em Portugal, de mais de 160 milhões de euros, de energias renováveis num grande consórcio internacional para a construção de parques fotovoltaicos”, elencou o responsável.

Mas a atividade do banco concentra-se na economia real, ou seja, nas PME e micro empresas, com tickets médios de investimento de 200 mil euros, sobretudo na indústria, comércio e serviços. As garantias prestadas pelo Banco abrangem “todo o tecido empresarial”, mas as PME representam 97% do financiamento (5,06 mil milhões) e, em termos de número de empresas são mesmo 99%. Ou seja, só foram apoiadas 102 grandes empresas.

Gonçalo Regalado sublinhou o “crescimento histórico da atividade” e a forte aceleração da execução do Plano de Recuperação e Resiliência, e revelou que o banco recebeu luz verde da Comissão Europeia para prolongar o mandato até final de 2032. Este é um processo normal de funcionamento dos bancos promocionais, explicou Gonçalo Regalado: o primeiro mandato de cinco anos, o segundo que pode ir de cinco a sete anos e um terceiro que poderá ser de dez anos, antes de passar a ser definitivo.

“Queremos ter uma carteira saudável, com um rating médio de 5 na produção e queremos melhorá-la para que as boas empresas tenham acesso a melhores condições de financiamento”, disse Gonçalo Regalado.Tomás Melo Gonçalves/BPF 1 Junho, 2026

Resultado líquido e margem em queda, imparidades e custos operacionais em alta

Em termos de resultados, o banco registou em 2025 uma quebra de 57% no seu resultado líquido (de 18,3 milhões para 7,8 milhões) e de 47% na margem financeira (de 17,4 milhões para 9,2 milhões), reflexo da descida das taxas de juro e menos dinheiro aplicado em depósitos, justificou o novo CFO do banco Miguel Alves, e um aumento dos custos operacionais de 27%.

Já as comissões de gestão aumentaram 33% (de 24,3 milhões para 32,3 milhões) fruto do alargamento da atividade do Fundo de Contra Garantia Mútua, “utilizado para mobilizar financiamento para garantias”, e do Fundo de Capitalização e Resiliência, “instrumento que utilizamos para ajudar a investir em montantes de capital PRR”. As novas atividades desenvolvidas pelo Banco levaram ainda a um agravamento em 4,4 milhões (para 15,9 milhões) das provisões. Esta subida de 38,2% é desvalorizada tanto por Gonçalo Regalado como por Miguel Alves.

“O banco assumiu mais risco de balanço. Pela primeira vez, 2025 foi o ano em que o BPF assumiu no seu próprio capital uma responsabilidade para com o Fundo de Contragarantia Mútua para que este pudesse conceder mais financiamento à economia”, sublinhou Miguel Alves. “À medida que pormos o nosso balanço ao serviço da economia, vamos ter de registar, de forma conservadora, mas em linha com aquilo que fazem as principais congéneres europeias, provisões e imparidades que ainda não se verificaram. Mas por uma questão contabilística, vamos registando à medida que a execução vai ocorrendo”, acrescendo, reconhecendo porém que parte das provisões, também se justificam “por alguns temas que tivemos de resolver no passado, principalmente relacionados com o encerramento das linhas de Portugal 2020”, sem no entanto quantificar os valores em causa. No relatório está inscrita uma variação de 1,35 milhões de euros em imparidades.

Pela primeira vez na história do Banco de Fomento, o Banco entrou com operações de financiamento em sindicatos bancários, em sindicatos bancários temos a responsabilidade de registo de provisões futuras”, explicou Gonçalo Regalado. “Acreditamos que não vão ser necessárias, mas é as regras de contabilidade financeira, como fazem os bancos comerciais quando conseguem crédito”, acrescentou.

Os custos operacionais passaram de 17,7 milhões de euros para 22,5 milhões, acompanhando o crescimento de 4,07 milhões de euros com gastos com pessoal para um total de 19,39 milhões e de 740 mil euros em gastos gerais administrativos para um total de 7,87 milhões de euros.

(Notícia atualizada com mais informação)

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