Carris reforça serviço de proximidade com 15 miniautocarros elétricos
A Carris anunciou um reforço da frota elétrica com 15 novos miniautocarros para circulação nas zonas históricas de Lisboa, e reiterou a cooperação na investigação ao acidente do elevador da Glória.
A Carris apresentou esta segunda-feira 15 novos miniautocarros totalmente elétricos, chamados “manjericos”, num investimento de cerca de três milhões de euros, que vão assegurar sobretudo o serviço de proximidade de carreiras em zonas históricas.
A apresentação decorreu no Parque Recreativo do Alto da Serafina, em Monsanto, na data em que se assinala o Dia da Criança e o arranque do mês das Festas de Lisboa, contando com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, do vice-presidente e vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente do Conselho de Administração da Carris, Rui Lopo.
“Os 15 [miniautocarros] são mais ou menos três milhões de euros […], mas a meio do verão vamos receber mais 29 [autocarros ‘standard’] o que faz um total de 16 milhões de euros do PRR”, explicou o presidente da Carris aos jornalistas, à margem da cerimónia.
Pelas suas características e dimensões, os 15 “manjericos” “servem para andar nas ruas mais estreitas”, como as das zonas históricas, explicou o responsável da transportadora.
Durante a cerimónia, e perante uma plateia de mais de 60 crianças de uma escola de Lisboa, Carlos Moedas salientou que atualmente cerca de 48% da frota da Carris é ainda composta por autocarros a gasóleo, face a 70% em 2021, quando iniciou funções como presidente da CML.
“Em 2030, já não teremos autocarros a gasóleo”, garantiu Moedas.
Já a ministra do Ambiente realçou que estes veículos são também adaptados a pessoas com problemas de mobilidade e vão garantir um serviço de proximidade “limpo, ambientalmente sustentável, cómodo e silencioso”, enquanto o ministro das Infraestruturas se congratulou pelos “pequenos bombons que vão andar pela cidade sem poluir” e lembrou que por todo o país serão 800 autocarros elétricos, adquiridos com apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Governo.
Os governantes e líderes camarários não quiseram prestar declarações aos jornalistas à margem da cerimónia.
Em paralelo, o presidente da Carris afirmou esta segunda-feira que a empresa está a trabalhar para sair por cima, após o acidente do elevador da Glória, que “machuca muito” a marca, e reiterou uma total cooperação com as autoridades.
“Esse é o nosso esforço, é trabalhar muito para que a Carris saia por cima de um processo que machuca muito uma marca com a identidade como a Carris tem na cidade de Lisboa”, afirmou Rui Lopo em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia de apresentação de 15 novos autocarros elétricos, em Monsanto, referindo-se ao acidente do elevador da Glória, em setembro de 2025, que causou 16 mortes.
Rui Lopo assumiu a presidência do Conselho de Administração (CA) da transportadora Carris após o anterior CA ter renunciado aos cargos, na sequência das conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que apontou falhas e omissões na manutenção do ascensor e a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Questionado sobre as buscas que a Polícia Judiciária (PJ) levou a cabo na sede da Carris, em Santo Amaro, na sexta-feira, o presidente da Carris disse não saber mais detalhes além do que foi tornado público, realçando que o processo está em segredo de justiça e reiterando a colaboração regular da empresa com as autoridades.
“Ainda bem que se está a trabalhar para apurar a realidade daquilo que possa ter acontecido e só depois, na posse da informação técnica e tudo aquilo que se possa apurar, é que nós comentaremos”, afirmou.
Na sexta-feira, a PJ realizou uma operação de buscas relacionadas com a tragédia do elevador da Glória, cujo descarrilamento, em setembro de 2025, provocou 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
De acordo com a CNN, que avançou a notícia, estão a ser investigados crimes de homicídio por negligência e violação de regras de segurança, e os visados são responsáveis da Carris e da empresa MAIN, que estava subcontratada para fazer a manutenção do elevador.
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