Chegada de ‘chips’ Nvidia a Sines faz disparar investimento e já se reflete no PIB

Aceleração do investimento contribuiu para o desempenho da economia no arranque do ano. O efeito resulta da importação de processadores para IA que serão instalados no 'data center' da Start Campus.

A chegada de chips para inteligência artificial (IA) ao centro de dados da Start Campus em Sines explicam o boom do investimento registado em Portugal no primeiro trimestre, que puxou pelo crescimento da economia. Uma encomenda tão significativa que fez mexer as agulhas do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A economia portuguesa cresceu 2,3% no primeiro trimestre, em termos homólogos, impulsionada sobretudo pelo investimento. Os dados divulgados na sexta-feira pelo instituto revelam que foi essa a componente que teoricamente mais ajudou o Produto Interno Bruto (PIB) a compensar a quebra da procura externa, ao avançar 9,2%, acelerando face à variação de 4,9% dos três meses precedentes.

Contudo, enquanto o crescimento do investimento associado à construção desacelerou fortemente, passando de uma variação homóloga de 5,6% no quarto trimestre do ano passado para 2,6% nos primeiros três meses do ano, o associado a outras máquinas e equipamentos (que inclui também sistemas de armamento) disparou para cerca de 3,6 mil milhões de euros.

“A FBCF [Formação Bruta de Capital Fixo] em ‘Outras Máquinas e Equipamentos’ destacou-se com um crescimento homólogo de 27,4% no primeiro trimestre, acelerando significativamente face aos 6,1% registados no trimestre anterior, refletindo, em grande medida, o aumento das importações de bens de investimento em máquinas automáticas para processamento de dados”, explica o INE.

No entanto, uma vez que esta subida do investimento está associada à compra de bens ao exterior, contribuiu ao mesmo tempo para dinâmica das importações (que passou de um aumento de 0,9% no quarto trimestre para uma variação de 5,2%) e um agravamento do saldo comercial.

Pacotão de chips chegou a Sines no primeiro trimestre

Estas “máquinas automáticas para processamento de dados” a que se refere o INE serão, na verdade, os chips da marca Nvidia que estão a ser instalados no primeiro edifício da Start Campus em Sines, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto. Mais propriamente, processadores Nvidia Blackwell, que são especializados no treino e inferência de grandes modelos de inteligência artificial.

Foi em outubro do ano passado que a britânica Nscale anunciou a encomenda de 12.600 destes processadores para instalar no primeiro edifício do data center da Start Campus em Sines, e que irão servir a gigante tecnológica Microsoft. Mas a entrega física dos equipamentos ocorreu entre janeiro e abril, confirmou ao ECO uma das fontes, abrangendo assim a totalidade do primeiro trimestre.

A procura por chips com este nível de capacidade está intimamente ligada ao aumento da procura por poder de computação, à medida que os cidadãos e as empresas vão adotando cada vez mais soluções de IA. Há, por isso, uma forte escassez no setor.

Sendo esta a primeira e a maior colocação de sempre destes novos processadores na União Europeia — conforme informou em outubro a Start Campus –, e dada a elevada valorização do produto no mercado, a chegada das máquinas a Portugal terá sido suficiente para mexer as agulhas da componente de investimento no cálculo do PIB.

Há mais a caminho. Já este ano, a 5 de maio, a Nscale anunciou uma nova encomenda com destino a Sines: 66 mil novos chips de IA ainda mais avançados — Nvidia Vera Rubin –, que deverão ser instalados no segundo edifício do data center da Start Campus, e cuja construção está em curso. A empresa disse tratar-se de “um dos projetos de infraestrutura de IA mais significativos da UE”, num investimento que ronda os 700 milhões de euros.

À semelhança dos processadores Blackwell, os Vera Rubin também servirão a Microsoft. Esta, por sua vez, comprometeu-se no final do ano passado a investir mais de dez mil milhões de dólares em capacidade de computação para IA em Portugal. “A infraestrutura irá suportar cargas de trabalho avançadas de IA em vários setores, explicou em novembro o presidente da Microsoft, Brad Smith.

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