Crédito à habitação acelera ao ritmo mais elevado desde 2003
Os empréstimos para a compra de casa alcançaram 114,6 mil milhões de euros em abril à boleia de um crescimento homólogo de 10,7%, um ritmo que não se via há mais de duas décadas.
Os empréstimos para habitação aumentaram 1.021 milhões de euros em abril para 114,6 mil milhões de euros, refletindo assim um crescimento homólogo de 10,7%, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal. Trata-se do valor mais elevado desde fevereiro de 2003, há mais de duas décadas.
Os números confirmam uma aceleração face aos 10,6% registados em março e sinalizam que o mercado de crédito à habitação está a expandir-se a um ritmo que não se via desde o início do século, muito impulsionado pela garantia pública aos jovens, que permite a mutuários com até 35 anos financiem a compra da sua primeira casa até 100%.
Os dados do regulador revelam também que a taxa de variação anual dos empréstimos para habitação em Portugal está bem acima da média da Zona Euro, que contabilizou um aumento de apenas 2,9%. Desde agosto de 2024 que o ritmo de crescimento do crédito à habitação permanece acima da média da Zona Euro, destaca o Banco de Portugal.

O crescimento do crédito não se ficou pelo setor da habitação. Os empréstimos a particulares para outros fins, como obras em casa ou outras necessidades pessoais, expandiram-se a um ritmo próximo de dois dígitos em termos anuais, o valor mais elevado desde abril de 2008, enquanto o crédito ao consumo também registou uma das taxas de crescimento mais expressivas dos últimos anos.
No caso das empresas, os empréstimos cresceram mais de 5% em termos homólogos, a taxa mais alta desde julho de 2021, quando estavam ainda em vigor as linhas de crédito criadas para responder à pandemia, com destaque para as micro e pequenas empresas, cujos empréstimos avançaram 12,4% e 7,7%, respetivamente.
É precisamente este dinamismo excessivo que começa a preocupar o regulador, levando inclusive o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, a anunciar a intenção de rever as regras de acesso ao crédito à habitação, incluindo a redução da taxa de esforço máxima permitida (o limite do rendimento que as famílias podem comprometer com prestações) de 50% para 45%.
A proposta pretende travar um eventual sobreendividamento das famílias, num momento em que a procura por crédito está em forte expansão e os preços das casas continuam a subir.
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