Gigafábrica de Sines vai ter “redundância” em Lisboa e Abrantes. Se vencer, Portugal recebe 6 mil milhões de Bruxelas
Candidatura ibérica é "paritária" com uma dimensão de "seis mil milhões de euros em Portugal", contabiliza Gonçalo Regalado. Há "soluções como a Start Campus e alternativas adicionais em Sines".
A candidatura ibérica à gigafábrica tem “autonomia e independência de gestão”, diz Gonçalo Regalado, adiantando que Sines é o local de eleição do lado português, mas haverá dois pontos de redundância: Lisboa e Abrantes. Caso seja o consórcio vencedor, Portugal deverá receber seis mil milhões de euros de Bruxelas, com Espanha a ficar com montante semelhante.
“Estamos a trabalhar na base de Sines como o polo principal, onde estamos a apontar todas as nossas forças. Parece-nos claramente que é o melhor sítio e o local do país com o melhor impacto e com a melhor conexão e com a gestão dos cabos submarinos”, explicou o presidente executivo do Banco de Fomento.
Questionado sobre se o polo português irá ficar alojado na Start Campus, Gonçalo Regalado respondeu que há “soluções como a Start Campus e alternativas adicionais em Sines”. Sublinhando que a gigafábrica terá de “ter redundância”, acrescentou que “certamente far-se-á noutras regiões do território, em mais duas regiões: a zona urbana de Lisboa e o concelho de Abrantes”. Localizações em que vê “vantagens competitivas da redundância da gigafactory portuguesa de Sines”.
“Portanto, Portugal está a trabalhar na criação de um hub de indústria de inteligência artificial, com três localizações a ser estudadas e trabalhadas e apresentadas à Comissão Europeia. Aguardamos pela abertura do concurso final e formal europeu”, resumiu o responsável.
E qual é a dimensão da candidatura? “Seis mil milhões de euros em Portugal e seis mil milhões de euros em Espanha. A candidatura é paritária”, garante Gonçalo Regalado.
Lembrando “todas as dúvidas” que havia no início do projeto — “nem 10% de probabilidade nos davam” –, o CEO do BPF frisou que esta é “uma candidatura com autonomia e com independência de gestão”. “Teremos a IA Gigafactory em Portugal, gerida por portugueses com liderança em Portugal, com gestão em Portugal, com soberania em Portugal e com uma dimensão de segurança e cibersegurança portuguesa”, indicou.
O responsável explicou ainda que Espanha tinha quatro candidaturas e teve de as fundir numa só para integrar o consórcio ibérico.
“Começámos esta jornada sozinhos. Fomos a uma reunião do Banco Europeu de Investimento em março de 2025 e percebemos que haveria financiamento, com os bancos soberanos, para financiar as gigafábricas que viessem a ser reguladas. Quando sozinhos fizemos uma candidatura em nome de Portugal, percebemos que havia 76 candidaturas para a Europa inteira e só 20 tinham o apoio institucional do Governo ou de uma instituição soberana — e que só havia 12 candidaturas em que na verdade todos estavam juntos pelo seu país”, contou.
“Nesta altura, temos seis consórcios que nos parecem claramente os vencedores, e acreditamos que Portugal vai vencer, dentro da candidatura ibérica, aquilo que ninguém acreditava desde o primeiro dia”, concluiu.
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