BRANDS' ECO Um dia numa central de biomassa

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  • 1 Junho 2026

Esta é uma forma de transformar sobrantes florestais em energia renovável, contribuindo para a prevenção de incêndios. Na Semana da Energia, fomos perceber como funciona a operação.

Num país cada vez mais focado na transição energética, a biomassa ocupa um lugar particular no sistema elétrico português. Ao contrário do solar ou da eólica, que dependem da disponibilidade do sol e do vento, a biomassa produz energia de forma contínua e previsível, ao mesmo tempo que valoriza sobrantes florestais e contribui para a gestão do território. Da floresta à rede elétrica, e para assinalar a Semana da Energia, fomos conhecer o percurso da biomassa dentro de uma central de produção energética.

O território é onde tudo começa

A energia produzida numa central de biomassa começa muito antes da entrada na unidade industrial. A matéria-prima utilizada resulta de sobrantes florestais – ramos, cepos, matos e resíduos de operações de limpeza e exploração florestal – que podem ser recolhidos e encaminhados para valorização energética.

Num território marcado pelo abandono rural e pela acumulação de carga combustível, a biomassa surge também como uma forma de dar valor económico a materiais que, de outra forma, poderiam permanecer no solo sem aproveitamento.

Segundo Manuel Pitrez de Barros, diretor-geral das Centrais de Biomassa do Norte, “a prevenção deixa de ser um custo burocrático e passa a ser um rendimento para quem está no terreno”. Mas, além de ser uma forma de valorização dos recursos, é também um contributo para a limpeza do território e, com isso, para a prevenção dos incêndios.

A chegada à central

Depois da recolha e transporte, a biomassa chega à central. O material é pesado, registado e encaminhado para armazenamento e preparação antes de entrar no processo de produção energética.

A operação combina logística, controlo técnico e capacidade industrial, passa pela organização da biomassa no parque de armazenamento, que depois alimenta continuamente o sistema de produção.

Em Portugal, a biomassa representou cerca de 5% do consumo elétrico nacional em 2025, segundo a REN, integrando o conjunto de fontes renováveis que abasteceram 68% do consumo elétrico nacional no mesmo ano.

Como a biomassa se transforma em eletricidade

No interior da central, a biomassa é utilizada para gerar calor. Esse calor aquece água e produz vapor de alta pressão, que aciona uma turbina ligada a um gerador elétrico. A eletricidade produzida é depois injetada na rede.
O princípio é semelhante ao de uma central termoelétrica convencional, mas utilizando biomassa florestal residual em vez de combustíveis fósseis.

“O solar e a eólica são pilares fundamentais da nossa transição, mas sofrem de um desafio intrínseco: a intermitência. A biomassa desempenha um papel único e insubstituível como energia de base estável”, explica Manuel Pitrez de Barros.

As pessoas por detrás da operação

Embora a dimensão industrial seja uma das imagens mais visíveis de uma central de biomassa, o funcionamento diário depende também de equipas técnicas especializadas.

Os operadores acompanham os parâmetros de funcionamento em permanência, enquanto técnicos ambientais monitorizam indicadores e as equipas de manutenção asseguram a continuidade da operação. Da sala de controlo à gestão logística, a operação exige acompanhamento contínuo e coordenação entre diferentes áreas técnicas.

Segundo a Centrais de Biomassa do Norte, as centrais do Fundão e de Viseu têm uma capacidade combinada de 30 MW e envolvem uma cadeia de atividade que vai da recolha florestal à logística e manutenção.

Mais do que energia

O impacto de uma central de biomassa vai muito além da eletricidade produzida, sendo esta uma atividade ligada à valorização dos sobrantes florestais, à economia regional e à gestão do território.

A Central de Biomassa do Fundão, por exemplo, valorizou cerca de 150 mil toneladas de biomassa florestal residual em 2025. De acordo com Manuel Pitrez de Barros, “pelo menos 70% da nossa faturação fica retida diretamente na própria região”.

Além da produção de energia, a biomassa é apresentada pelo setor como uma ferramenta de economia circular, que permite transformar resíduos florestais em recurso energético.

O papel da biomassa na transição energética

Portugal registou em 2025 o valor mais elevado de sempre de produção renovável no sistema elétrico nacional: 37 TWh, segundo a REN.

Com o sistema energético em transformação, a biomassa procura afirmar-se como complemento às restantes renováveis, ligando produção elétrica, gestão florestal e valorização territorial. “Não somos concorrentes do solar ou da eólica. Somos o complemento que garante a estabilidade de que a rede precisa”, defende Manuel Pitrez de Barros.

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