28% dos hoteleiros antecipam uma “quebra” no verão deste ano

O inquérito da AHP mostra que os hoteleiros temem um verão mais fraco em termos de ocupação, apesar de anteciparem um preço médio mais alto.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) revela que 28% dos hoteleiros antecipam um verão pior em termos de taxa de ocupação e estadia média, de acordo com o inquérito “Balanço da Páscoa e Perspetivas para o Verão de 2026”, divulgado esta terça-feira.

Apesar das perspetivas menos favoráveis para estes dois indicadores, 13% dos inquiridos prevê um aumento do preço médio dos alojamentos face ao verão do ano passado. Já no que respeita aos proveitos totais, 8% dos hoteleiros antecipa um desempenho inferior ao registado em 2025, de acordo com o mesmo inquérito.

“Na globalidade, as perspetivas dos hoteleiros apontam para uma quebra face ao verão de 2025”, afirmou esta terça-feira Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, durante a apresentação do estudo, que contou com a participação de 328 empreendimentos turísticos.

 

Os resultados do inquérito sugerem que muitos empreendimentos esperam compensar uma eventual desaceleração da procura através da manutenção ou aumento dos preços.

Entre as nove regiões analisadas, o Centro regista a taxa de ocupação mais baixa para junho (24%), julho (18%), agosto (12%) e setembro (12%), na sequência das tempestades que assolaram o país.

Em sentido oposto, os Açores e a Madeira lideram as reservas já efetuadas para os meses de junho, julho, agosto e setembro. A Madeira apresenta reservas de 83% em junho, 65% em julho, 58% em agosto e 64% em setembro. Já os Açores registam 79% em junho, 74% em julho, 75% em agosto e 73% em setembro.

Portugal (68%), Reino Unido (58%) e Espanha (42%) são os três principais mercados. Os EUA estão em quarto lugar (40%), apesar de terem caído em relação ao verão passado. “A economia e a geopolítica nos Estados Unidos também não levam a que este mercado esteja a ponderar sair do seu país”, justifica Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, sublinhando que “continua a ser apontado como um dos principais mercados emissores para Portugal”.

Entre as novidades para este verão destaca-se a entrada da China no top 10 dos mercados emissores para Portugal, embora continue a ter uma expressão limitada, com apenas 4%.

Apesar da expectativa de receitas mais robustas, os empresários identificam vários riscos para a operação de verão. A instabilidade económica e geopolítica é apontada por 71% dos inquiridos como o principal constrangimento, seguida do aumento dos custos operacionais (38%) e limitações da capacidade aeroportuária (37%).

O inquérito da AHP, realizado entre 27 de abril e 17 de maio, mostra ainda uma ligeira deterioração da confiança do setor. Numa escala de um a dez, o grau médio de confiança no turismo nacional caiu para 6,97 pontos em maio, abaixo dos 7,4 registados em janeiro.

O Booking é apontado como o canal de reserva mais utilizado (99%), seguido do website próprio (80%) e da Expedia (42%).

Hotelaria melhora ocupação na Páscoa, mas vê receitas pressionadas

A hotelaria nacional registou uma taxa média de ocupação de 77% na Páscoa, acima dos 75% observados em 2025, mas o preço médio por quarto caiu para 143 euros face aos 145 euros registados no ano anterior, refletindo uma maior pressão sobre a rentabilidade do setor, segundo inquérito “Balanço da Páscoa” apresentado esta terça-feira pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Entre as nove regiões analisadas, apenas os Açores e a Madeira registaram quebras na taxa de ocupação face à Páscoa do ano passado, com 62% e 79%, respetivamente, contra 69% e 85% na Páscoa de 2025.

Cristina Siza Vieira aponta a saída da Ryanair dos Açores como um dos fatores explicativos, enquanto a Madeira terá apostado numa estratégia de “menos ocupação e mais preço”.

Apesar da quebra na taxa de ocupação, o preço médio subiu 33 euros na Madeira em comparação com a Páscoa do ano passado. Já nos Açores, o preço médio recuou três euros.

A Grande Lisboa merece reflexão, por se confirmar a tendência de abrandamento. Na hotelaria, a região manteve uma ocupação elevada na Páscoa (81%), mas registou uma descida do preço médio, de 171 euros para 161 euros.

“Este desempenho mostra que, mesmo em períodos de forte procura, a capacidade de valorização do preço não está garantida”, explica a AHP, sublinhando que, de acordo com o INE, no acumulado de janeiro a abril, o RevPAR caiu 2,2% nesta região.

A nível global, o mesmo inquérito mostra que 50% dos hoteleiros consideram que os proveitos foram melhores ou muito melhores face a 2025, enquanto a estada média manteve-se estável para a maioria dos inquiridos (61%).

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