Alemã Diehl Defence em “procura ativa” de parceiros em Portugal e atenta ao setor de drones
"Portugal é bastante ativo no setor de drones. Isso é algo muito, muito interessante. Estamos ativamente à procura de parcerias interessantes de qualquer tipo", diz Martin Walzer, ao ECO/eRadar.

- A Diehl Defence está a procurar ativamente novos parceiros em Portugal para reforçar a sua cadeia de fornecimento, especialmente no setor de drones.
- A empresa alemã, que já colabora com a Critical Software, aumentou a sua produção de mísseis Iris-T em 60% anualmente, devido à crescente demanda no contexto geopolítico atual.
- A Diehl Defence está atenta ao futuro processo de renovação dos caças da Força Aérea Portuguesa, mas ainda não há negociações oficiais em curso para a substituição dos F-16.
A Diehl Defence está em “procura ativa” de parceiros em Portugal. A empresa alemã produtora do sistema de mísseis Iris -T já trabalha há cerca de três anos com a Critical Software, mas agora quer reforçar a sua cadeia de fornecimento com novos parceiros e está a olhar para o mercado nacional, mas também para o setor de drones.
“O míssil [Irís-T] já está disponível, a cadeia de fornecimento totalmente estabelecida, tudo está pronto. Mas como estamos a aumentar bastante a produção, precisamos de fontes secundárias. Precisamos de mais fontes para conseguir dar resposta a essa grande procura. Por isso, estamos à procura de várias fontes secundárias em diversas áreas. Pode ser materiais, engenharia, software, etc”, adianta Martin Walzer, vice-presidente de marketing e vendas de Air Force Systems da Diehl Defence, ao ECO/eRadar.
Com o atual momento geopolítico a levar os países a reforçar as suas capacidades de defesa, a empresa de defesa alemã tem registado um forte aumento da sua capacidade de produção. “Aumentamos a nossa taxa de produção nos últimos três anos, em 60% cada ano. Isso não significa apenas que a Diehl Defence está a aumentar a sua produção de forma desenfreada, mas que todos os nossos parceiros europeus também precisam fazer o mesmo”, disse Martin Walzer, durante a sua intervenção no AED Days.
A empresa alemã foi uma das organizações do setor de defesa que participaram no encontro organizado pela AED Cluster Portugal — entidade que agrega cerca de 190 empresas do setor de defesa, espaço e aeronáutica —, e admite que aproveitou para manter algumas reuniões B2B com empresas para explorar eventuais parcerias. “Estamos sempre abertos a novos fornecedores”, diz.
“Com alguns, estamos em um estágio mais avançado, porque agora estamos a realizar as reuniões B2B. Isso foi muito, muito útil para encontrarmos empresas e parceiros. E agora estamos a estabelecer como funciona, porque na indústria de defesa, existem muitos padrões que precisam ser seguidos, muitos procedimentos e, então não é fácil trabalhar connosco. Há um processo que precisa ser seguido”, explica.
“E, para ser totalmente honesto, [estamos a olhar] não apenas os parceiros portugueses, mas também os parceiros europeus. Isso é muito importante para nós”, disse quando questionado pelo ECO/eRadar sobre o estado das negociações.

No campo do software, em Portugal, a Diehl Defence já trabalha há vários anos com uma empresa local. “O parceiro com o qual estamos a trabalhar em Portugal é a Critical Software. Há cerca de três anos”, adianta. “Não temos negócios aqui em Portugal. Portugal ainda não comprou o sistema [Irís-T]. Até agora, estávamos apenas à procura um parceiro muito confiável com quem pudéssemos trabalhar juntos, onde a colaboração funcionasse, que entendesse as nossas necessidades e com quem a cooperação fosse eficaz”, descreve.
As duas empresas também estão juntas no consórcio europeu BEAST (Boosting European Advanced Missile System Technology). Financiado em 35 milhões pelo Fundo Europeu de Defesa, o consórcio é liderado pela Diehl Defence, envolvendo ainda empresas e centros de investigação de 12 países europeus, tais como a Saab (Suécia), a SENER Aeroespacial (Espanha), a GKN Fokker Aerospace (Países Baixos), a Hensoldt (Alemanha) ou a Northrop Grumman (Itália). O projeto visa dar capacidades mais robustas de defesa área ao continente europeu.
Consideramos Portugal um país com mão de obra altamente qualificada e bem treinada, que possui muitos jovens profissionais com excelente formação. Um país muito inovador e com competências muito fortes, especialmente na área do desenvolvimento de software.
“Trata-se de um grande estudo europeu que define e especifica um futuro míssil ar-ar. E neste momento há muita investigação em andamento. A Diehl está a coordenar isso e estamos a ajudar a organizar todo o estudo, a definir os requisitos, a compartilhar as nossas experiências do desenvolvimento de mísseis”, descreve Martin Walzer.
A portuguesa Critical Software está nesse consórcio. Mas a “nossa colaboração com eles é bem mais antiga do que isso. Começamos antes mesmo do BEAST”, refere.
“Temos muitas atualizações de software nos nossos sistemas num intervalo de tempo muito curto. Os nossos clientes exigem que façamos uma atualização de software ou alguma melhoria em prazos muito curtos. Por isso, precisamos de parceiros confiáveis que não nos obriguem a construir uma grande infraestrutura e a explicar muitas coisas. Então, basta ligarmos para eles, explicarmos o problema e eles resolvem”, descreve.
“Consideramos Portugal um país com mão de obra altamente qualificada e bem treinada, que possui muitos jovens profissionais com excelente formação”, diz. “Um país muito inovador e com competências muito fortes, especialmente na área do desenvolvimento de software“, aponta.
Na mira dos drones… e nos futuros caças
Mas não só. “Portugal é bastante ativo no setor de drones. Isso é algo muito, muito interessante. Por isso, estamos ativamente à procura de parcerias interessantes de qualquer tipo”, refere o vice-presidente de marketing e e vendas de Air Force Systems da Diehl Defence.
A empresa também está a acompanhar com atenção do futuro processo de renovação dos caças da Força Aérea. O sistema de mísseis da Diehl já está “totalmente integrado” com os caças Gripen da Saab e com o caça do consórcio Eurofighter — “o míssil já está totalmente integrado à aeronave e normalmente é vendido junto com ela” —, duas das empresas que se estão a posicionar à substituição dos F-16 em fim de vida. “No caso do F-35, ainda não estamos integrados. Estamos a trabalhar nisso, é claro, mas integrar esse tipo de míssil em uma aeronave exige um esforço considerável”, diz relativamente à integração com o caça da Lockheed Martin.
Portugal é bastante ativo no setor de drones. Isso é algo muito, muito interessante. Por isso, estamos ativamente à procura de parcerias interessantes de qualquer tipo.
Com a empresa americana, a Diehl Defence fechou um acordo em novembro do ano passado para a potencial combinação de capacidades de defesa aérea em programas internacionais para navios de combate de superfície para marinhas de todo o mundo.
Em Portugal, o processo de substituição dos F-16 ainda não arrancou. “Estamos a tentar comunicar com a Força Aérea o máximo possível e fornecer-lhes as informações de que precisam. Mas, atualmente, não há negociações em andamento.”
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