BRANDS' ECO Como as competências estão a redesenhar as organizações
Gerir pessoas por funções e cargos está a tornar-se uma estratégia do passado. No mais recente episódio do Work Around, duas especialistas explicam como a mudança já está a acontecer.
Durante décadas, as empresas organizaram as suas pessoas em torno de cargos e funções, agrupadas num organograma e numa descrição funcional. Mas este modelo, ainda dominante em muitas organizações, está a revelar-se insuficiente para responder à velocidade com que o mercado muda. A alternativa tem um nome: gestão por competências, ou, como se diz cada vez mais, a passagem do headcount ao skillcount.
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A conversa contou com a participação de Filipa Peixoto, Learning and People Development Manager na Gi Group Holding, e Tânia Baptista, responsável de L&D na Brisa -
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Foi sobre isto que se falou no mais recente episódio do Work Around, o podcast do ECO com apoio da Gi Group Holding. As convidadas foram Filipa Peixoto, Learning and People Development Manager na Gi Group Holding, e Tânia Batista, responsável de L&D na Brisa.
O mercado e o mundo está muito dinâmico, muito ágil, muito inovador, muito tecnológico e precisamos de muita flexibilidade e agilidade. As empresas que se mantenham no registo de headcount ficam mais estáticas
A ideia central é simples, mas a execução é exigente, reconhecem as convidadas. Em vez de mapear posições, as empresas devem sobretudo mapear competências, não só as que existem hoje, mas as que vão ser necessárias amanhã. “O mercado e o mundo está muito dinâmico, muito ágil, muito inovador, muito tecnológico e precisamos de muita flexibilidade e agilidade. As empresas que se mantenham no registo de headcount ficam mais estáticas”, explica Filipa Peixoto.
Na Brisa, a mudança já tem alguns anos e Tânia Batista descreve como a empresa trabalha com o modelo 70-20-10, que privilegia a aprendizagem no terreno e a aprendizagem social em detrimento da formação clássica em sala, e como o diagnóstico de necessidades passou a ser feito a partir de competências. “A tendência das pessoas é dizer ‘a minha equipa precisa daquela formação’. Nós dizemos: não é essa a questão. Queremos perceber qual é a competência em falta para procurar qual o plano de desenvolvimento mais adequado, que nem sempre é formação”, detalha.
Identificamos o potencial, começamos a trabalhar com base nas competências em falta, e quando surge a necessidade, mais facilmente conseguimos perceber qual é a nossa pool interna
Esta abordagem tem consequências diretas na mobilidade interna e na retenção de talento, considerados dois dos maiores desafios das organizações hoje. Filipa Peixoto citou dados de um estudo da McKinsey que mostram que a gestão de talento por competências pode aumentar a mobilidade interna em cerca de 25%, com impacto também no recrutamento e na retenção. Na Brisa, aponta Tânia Baptista, o trabalho por competências permite preparar pessoas para funções que ainda não existem. “Identificamos o potencial, começamos a trabalhar com base nas competências em falta, e quando surge a necessidade, mais facilmente conseguimos perceber qual é a nossa pool interna”, assegura.
A responsável da Brisa apontou ainda que o quadro legal português, que prevê a obrigatoriedade de 40 horas de formação anual, pode acabar por distorcer as prioridades, levando as empresas a privilegiar a formação formal em detrimento de outras formas de desenvolvimento mais impactantes.
No horizonte, ambas identificam competências que transcendem funções e setores, mas que são cada vez mais importantes num mundo de acelerada transformação: a curiosidade, o pensamento crítico e a capacidade de adaptação.
As empresas que não fizerem esta transição, sublinham as especialistas, arriscam ficar para trás e perder competitividade.
Assista, no vídeo abaixo, ao episódio completo do podcast Work Around, uma parceria do ECO com a Gi Group Holding. Se preferir, ouça a versão podcast no Spotify ou na Apple Podcasts.
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