Fundação Jerónimo Martins investe 20 milhões para reconstrução em Leiria, Marinha Grande e Ourém

Fundação Jerónimo Martins vai iniciar uma obra de reconstrução de edifícios a 8 de junho, um em cada município. Intervenções para chegar a 12 mil pessoas levarão mais de um ano, diz a instituição.

A Fundação Jerónimo Martins (FJM) vai investir 20 milhões de euros para apoiar a reconstrução de creches, lares e habitações nos concelhos de Leiria, Marinha Grande e Ourém, devastados pela tempestade Kristin a 28 de janeiro. Referindo-se às soluções técnicas a adotar, e num contexto em que os fenómenos extremos se tornam mais regulares, o diretor executivo da FJM assegura que a reconstrução “não vai repor precariedade” e as soluções adotadas serão “da melhor qualidade técnica”, assegura Miguel Herdade.

Depois de identificar mais de 100 instituições e equipamentos e 140 habitações, a FJM começará, a 8 de junho, a execução de uma empreitada em cada um dos três municípios, projetando-se a chegada a 12 mil pessoas ao longo do programa de apoio, “maioritariamente crianças, idosos e famílias vulneráveis”, promete a fundação.

A entidade privada anuncia ter 18 equipamentos em adjudicação nos três concelhos, com conclusão num espaço temporal que vai deste verão até “mais do que um ano”, afirma o responsável da FJM.

Esta é uma iniciativa “100% privada, sem um euro do erário público, mas com validação das câmaras e estrutura de missão”, destacou, nesta terça-feira, em Leiria, o diretor executivo da FJM, Miguel Herdade. “Que não fiquem dúvidas de que se trata de um programa filantrópico sem precedentes”, salientou Miguel Herdade, num evento no Centro Social Paroquial de Regueira de Pontes, IPSS com creche, residência sénior e apoio domiciliário a idosos.

O “primeiro PTRR filantropo e privado do país”, como o definiu Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, começou por disponibilizar, logo em fevereiro, três milhões de euros a 250 trabalhadores e mais um milhão de euros para estrutura de missão.

“O dinheiro hoje já não significa solução”, destaca Gonçalo Lopes. É necessária organização, diz, salientando a criação de uma equipa técnica de construção pela FJM para as empreitadas, numa solução chave na mão. “Estou seguro de que a fundação irá encontrar soluções de construção adaptadas” às novas exigências climáticas, diz o presidente da Câmara de Leiria.

Nos dias imediatamente a seguir à tragédia, fomos contactados por muita gente, muitos a mostrarem disponibilidade para poderem ajudar”, afirma, por seu lado, Luís Albuquerque, presidente do município de Ourém. “Umas foram ficando pelo caminho, outras foram insistindo, e com a FJM, desde o início, sentimos que poderíamos ter ali alguém que estava a contactar-nos para efetivamente ajudar. Infelizmente, hoje em dia há sempre quem se mostre disponível para ajudar, mas quer algo em troca”, diz o autarca de Ourém.

Nos dias imediatamente a seguir à tragédia, fomos contactados por muita gente, muitos a mostrarem disponibilidade para poderem ajudar. Umas foram ficando pelo caminho, outras foram insistindo, e com a FJM, desde o início, sentimos que poderíamos ter ali alguém que estava a contactar-nos para efetivamente ajudar. Infelizmente, hoje em dia há sempre quem se mostre disponível para ajudar, mas quer algo em troca.

Luís Albuquerque

Presidente da Câmara de Ourém

A este propósito, Paulo Vicente, presidente da Câmara da Marinha Grande, dirigindo-se ao diretor executivo da fundação, deixou uma inconfidência relativa às conversas tidas pelos autarcas e presidente da estrutura de missão: “não estávamos habituados” a este tipo de iniciativa e “inicialmente até tínhamos dúvidas sobre as vossas intenções”.

“Temos a sorte de ser uma fundação privada”, diz Miguel Herdade, aludindo à agilidade da estrutura. Luís Albuquerque salienta precisamente a rapidez, característica que, salienta, o Estado não consegue acompanhar.

“Esta é a forma moderna de fazer filantropia”, realça Miguel Herdade, a propósito do trabalho em execução.

Neste programa, creches e lares são prioritários, seguindo-se equipamentos para pessoas com deficiência, habitações sinalizadas e bombeiros e forças de segurança.

Ao longo dos últimos quatro meses, foram visitados mais de 140 locais de 35 freguesias nos três municípios abrangidos. Estes são aqueles que, segundo Paulo Fernandes, presidente da estrutura de missão criada para recuperação da região centro, maior impacto sofreram a 28 de janeiro.

Paulo Fernandes, ex-presidente da Câmara de Fundão fala de “um dos maiores programas de sempre” na “filantropia e investimento institucional, com uma forte componente de inovação social”.

Entidade distinta da Fundação Francisco Manuel dos Santos, também criada no âmbito do grupo Jerónimo Martins, a FJM foi criada em setembro de 2024, para apoio a trabalhadores, famílias e comunidade.

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