Lucro da Vista Alegre sobe 30% no arranque do ano. “Diferimento de projetos” faz cair vendas para 34,5 milhões

  • ECO e Lusa
  • 2 Junho 2026

Entre janeiro e março, o volume de negócios caiu 4,9%, explicado "maioritariamente por efeitos temporais associados ao diferimento de alguns projetos B2B de grés e cristal para trimestres seguintes".

O lucro da Vista Alegre, que vai sair de bolsa após a aprovação da proposta dos acionistas, subiu 29,5% no primeiro trimestre deste ano, em termos homólogos, para 1,3 milhões de euros, segundo um comunicado enviado à CMVM.

O grupo de Ílhavo, que acaba de garantir um contrato de 400 milhões com Ikea para produzir louça de mesa, adianta que, nos primeiros três meses do ano, o volume de negócios do grupo Vista Alegre foi de 34,5 milhões de euros, equivalente a uma quebra homóloga de 4,9%.

“Esta redução é explicada maioritariamente por efeitos temporais associados ao diferimento de alguns projetos B2B de grés e cristal para trimestres seguintes”, explica a Vista Alegre. Excluindo estes efeitos pontuais, salienta, “a procura manteve-se resiliente, com destaque para o crescimento das vendas de marca própria e retalho, que continuaram a ganhar relevância no mix de negócio”.

Por segmentos, a faiança apresentou um desempenho positivo, “com vendas de 4,9 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 11,2%”, e o segmento porcelana e complementares atingiu 10,7 milhões de euros, 1% abaixo do período homólogo, enquanto no cristal e vidro e no grés registou uma redução de 23,1% e 7,6%, respetivamente.

O grupo controlado pela Visabeira e participado por Cristiano Ronaldo, que vai construir uma nova fábrica de 40 milhões em Ílhavo, adianta ainda que, “apesar da redução do volume de negócios, o grupo registou uma evolução positiva dos principais indicadores de rentabilidade, refletindo a melhoria da eficiência operacional alcançada ao longo dos últimos trimestres”.

Para o desempenho, contribuíram vários investimentos feitos tendo em vista a otimização dos consumos de gás natural e eletricidade nas diferentes unidades industriais, “reforçando a competitividade e a resiliência operacional do grupo”, lê-se no comunicado divulgado no domingo.

No final de março, o grupo Vista Alegre registou um resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) de cerca de 7 milhões de euros, representando um crescimento de 5,4% face aos 6,6 milhões de euros registados no mesmo período de 2025.

A margem EBITDA evoluiu 20,2%, “confirmando a capacidade do grupo para melhorar a rentabilidade mesmo num contexto de menor atividade”.

No comunicado, a Vista Alegre sublinha que os resultados “assumem particular relevância tendo em conta o impacto adverso provocado pelo aumento do custo do gás natural durante o mês de março, decorrente do agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e do conflito envolvendo o Irão, que pressionou significativamente os custos energéticos”.

O resultado operacional atingiu 3,3 milhões de euros, “correspondendo a um aumento de 5,6% face ao primeiro trimestre de 2025”.

Num outro comunicado, divulgado na segunda-feira, o grupo adianta que a “expansão internacional da Vista Alegre foi ainda mais reforçada pelas vendas recorde da Bordallo Pinheiro em março, com a entrada em marcas de referência como a Harrods, a KaDeWe e a inauguração de uma nova loja flagship em São Paulo“.

Em 31 de março, a dívida líquida consolidada ascendia a 62,5 milhões de euros, equivalente a uma redução de quatro milhões de euros face a dezembro de 2025.

No final do primeiro trimestre, ao serviço do grupo Vista Alegre tinha ao serviço 2.102 trabalhadores (vs. 2.355 no primeiro trimestre de 2025).

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