PSD e Chega acordam entrega de projetos de revisão constitucional até 30 de dezembro

  • Lusa e ECO
  • 2 Junho 2026

O Chega admite que o adiamento da revisão constitucional não era o cenário desejado, mas diz ter aceitado o prazo até 30 de dezembro após garantias do PSD de participação efetiva no processo.

PSD e Chega apresentaram um requerimento conjunto para suspender o prazo de entrega de projetos de revisão constitucional até 30 de dezembro e manifestaram vontade de concluir esse processo até ao final da próxima sessão legislativa.

Este requerimento conjunto, assinado pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e pelo presidente do Chega, André Ventura, levou mesmo esta terça-feira o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, através de despacho, a devolver ao Chega o projeto de revisão constitucional que este partido já tinha entregado no passado dia 07 e que estava para análise em termos de admissibilidade em relação à sua conformidade com a Lei Fundamental.

No requerimento conjunto, o Chega considera que o adiamento do processo até 30 de dezembro não é o cenário ideal, mas, havendo um “compromisso” por parte da liderança do PSD de participação efetiva” no processo de revisão constitucional, “chegou-se a um entendimento conjunto”. PSD e Chega, nesse mesmo requerimento, manifestam a vontade de conseguir concluir o processo de revisão constitucional “até ao final da próxima sessão legislativa”, ou seja, até ao verão de 2027.

No passado dia 07, o Chega iniciou o processo de revisão constitucional no Parlamento, mas o PSD transmitiu ao partido de André Ventura que, “por razões de ordem política, não pretendia discutir esta matéria no imediato, solicitando a prorrogação do prazo para a submissão de propostas e assumindo o compromisso, com o Chega, de participar de forma efetiva no processo de revisão constitucional”.

“Assim sendo, com o intuito de assegurar uma calendarização conjunta deste processo, o Grupo Parlamentar do Chega não vê óbice a que o prazo de entrega de projetos de revisão constitucional possa ser alargado até 20 de dezembro, ficando também o autor do projeto livre para, no âmbito do diálogo com os restantes partidos, submeter novas alterações ou acréscimos ao documento já submetido”, lê-se no documento assinado por Hugo Soares e por André Ventura.

Perante este requerimento conjunto PSD/Chega, no seu despacho, o presidente da Assembleia da República pega precisamente neste ponto em que o partido de André Ventura admite introduzir alterações ao projeto que já entregara e que, até agora, se encontrava no auditor jurídico do Parlamento para análise sobre a sua efetiva conformidade constitucional.

“Tal circunstância é juridicamente relevante. Num procedimento de revisão constitucional, a iniciativa deve apresentar-se de forma clara, determinada e suficientemente estabilizada, permitindo ao presidente da Assembleia da República apreciar a sua admissibilidade e aos demais deputados conhecer, com rigor, o objeto da iniciativa que poderá desencadear o prazo constitucionalmente previsto para apresentação de outros projetos”, salienta-se no despacho de José Pedro Aguiar-Branco.

Nesse sentido, segundo o presidente da Assembleia da República, até que exista “manifestação expressa, atual e inequívoca do proponente quanto ao texto que pretende ver apreciado para efeitos de admissão — seja a versão atualmente apresentada, seja uma nova iniciativa ou versão consolidada –, a eventual pronúncia do presidente do parlamento sobre a admissão do projeto de revisão constitucional do Chega terá de aguardar essa clarificação prévia”.

Ou seja, “a apreciação da admissibilidade do projeto do Chega fica dependente de prévia clarificação pelo proponente quanto ao texto que pretende ver considerado para esse efeito, designadamente mediante apresentação de novo requerimento ou de versão consolidada do projeto de revisão constitucional que traduza, de forma clara, atual e inequívoca, a intenção de desencadear o correspondente procedimento de revisão constitucional”.

Fica, consequentemente, sem efeito, nesta fase, o pedido de parecer anteriormente formulado” ao auditor jurídico da Assembleia da República por José Pedro Aguiar-Branco “uma vez que tal pedido tinha por pressuposto a apreciação da admissibilidade da versão do projeto então submetida” pelo Chega.

Liberais acusam Chega de “número mediático”

Entretanto, a presidente da IL, Mariana Leitão, acusou o Chega de ter feito um “número mediático” sobre a revisão constitucional, após o acordo com o PSD para suspender o processo, pedindo seriedade aos partidos.

Mariana Leitão falava aos jornalistas durante uma visita às instalações da Gelpeixe, em Loures. Afirmou que o Chega, quando apresentou a sua proposta, “já sabia os constrangimentos que existiam”, nomeadamente a oposição do PSD quanto ao ‘timing’, mas que aproveitou para um “número mediático”.

“O Chega aproveitou, fez um número mediático e agora volta atrás, porque pelos vistos entendeu-se sobre algo que já sabia que ia ser assim, portanto não vejo infelizmente isto como nada mais do que essa manobra de comunicação”, atirou.

Mariana Leitão sublinhou que o seu partido “quer usar um processo de revisão constitucional de forma séria, construtiva, para conseguir alterar as coisas que precisam de ser alteradas na Constituição e permitir que se adapte” à atualidade, não estando “presa ao passado”.

A líder da IL apelou ainda aos restantes partidos que abordem esta questão da mesma forma: “Nós gostávamos, queremos e vamos tratar este processo com a devida seriedade e acho que é isso que os demais partidos devem fazer”.

Insistindo nas críticas ao partido de André Ventura, Mariana Leitão ironizou com o facto de o Chega defender que “havia tanta urgência” para avançar nesta matéria e, agora, ter chegado a um acordo com o PSD que adia a discussão.

“Havia tanta urgência e de repente essa urgência deixou de estar em cima da mesa, havia tanta urgência ao ponto de ter estabelecido uma data em que iria apresentar o projeto de revisão constitucional de o ter apresentado e agora pelos vistos de repente essa urgência desapareceu”, criticou.

Questionada sobre se o que o partido pretende fazer perante esta decisão, uma vez que tinha anunciado que iria apresentar propostas de revisão constitucional, Mariana Leitão disse que essa é uma questão sobre a qual o partido ainda não decidiu.

“Estamos a um mês de fechar a Assembleia e portanto não, não vamos dar início a um processo quando entretanto vai ficar tudo parado. Quando é que o iremos fazer e se o iremos fazer vamos avaliar agora, a notícia saiu há minutos, sobre a qual eu tive conhecimento e portanto vamos agora também ver qual é que será o ‘timing’ em que vamos abordar esse processo novamente”, concluiu.

(Notícia atualizada às 12h45 com reação da IL)

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