Três vozes industriais traçam diagnóstico do setor exportador. E deixam sugestões
Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, César Araújo, presidente da ANIVEC, e Manuel Oliveira, secretário-geral da CEMAFOL, fazem uma leitura sobre os desafios atuais para as exportações portuguesas.
As exportadoras portuguesas enfrentam uma combinação de pressões externas e internas, desde a concorrência internacional “agressiva” e a instabilidade geopolítica até aos custos de contexto e à escassez de mão-de-obra. As associações empresariais defendem mais apoio à internacionalização, diversificação de mercados e maior reciprocidade comercial por parte da União Europeia.
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Três diagnósticos e sugestões pela voz de líderes de associações empresariais:
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Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)
“Para além dos fatores derivados da Guerra no Médio Oriente – nomeadamente, o aumento dos preços energéticos e das taxas de juro, a maior incerteza económica e o risco de desaceleração nos parceiros comerciais – as empresas exportadoras enfrentam ainda problemas internos”.
“A escassez de mão-de-obra permanece uma das principais limitações à capacidade produtiva e ao crescimento das empresas, afetando diversos setores exportadores. Também os custos de contexto continuam a penalizar a competitividade das empresas portuguesas no comércio internacional. Neste ponto, é importante ressalvar a importância dos fundos europeus no reforço e na diversificação de mercados das exportações nacionais, e como estes devem assegurar uma resposta ágil em termos burocráticos às empresas que pretendem investir em novos mercados e assim contribuir para este desígnio nacional”.

“De sublinhar o papel da AEP na promoção da diversificação de mercados das exportações portuguesas, através de projetos como o BOW – Business on the Way -, que conta com diversas ações de promoção externa, entre missões empresariais, feiras, seminários e encontros de oportunidades de negócio, abrangendo múltiplos setores de atividade económica e diversos mercados, nomeadamente, aqueles com que a União Europeia assinou recentemente acordos comerciais”.
“Com um peso significativo de microempresas no seu tecido empresarial, Portugal encontra um enorme desafio no que se refere à capacidade financeira e tecnológica para internacionalizar as suas empresas. Acresce que a especialização da economia portuguesa em setores de menor valor acrescentado prejudica a competitividade externa do país”.
“Perante estes desafios que se impõem às exportações portuguesas, a AEP, em conjunto com o Novo Banco, desenvolveu o projeto Portugal Export +60’30, que já se encontra na sua terceira edição e cujo objetivo é ainda mais ambicioso do que alcançar os 50% do PIB, propondo o alcance de mais de 60% do peso das exportações no PIB português até 2030”.
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César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e de Confeção (ANIVEC)
“O têxtil e vestuário é um setor robusto porque mantém as exportações. A nossa luta hoje é tentar aumentar as exportações, mas precisamos de uma aposta maior nas exportações, quer para o espaço europeu, quer para países fora da Europa, como os Estados Unidos, Canadá, que são esses nossos principais clientes”.

“O grande desafio é a concorrência desleal provocada pela legislação europeia, que em vez de prevenir ou criar o melhor mecanismo para as empresas europeias, não o está a fazer. Em segundo lugar, as empresas europeias têm muita dificuldade em operar no mercado europeu. O próprio mercado europeu cria entraves porque ele opera de uma forma diferente”.
“Outra questão é a reciprocidade do mercado. Quem exporta para a Europa tem que também estar preparado para comprar da Europa. Não é por setores diferentes, é por categorias. Se vende muito vestuário, tem que também comprar vestuário. Se vende carros, tem que comprar carros”.
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Manuel Oliveira, secretário geral da Associação Nacional da Indústria de Moldes (CEFAMOL)
“O setor enfrenta atualmente um conjunto de desafios estruturais e conjunturais que condicionam a sua competitividade. Um dos principais fatores de pressão resulta das condições de negócio impostas pelos clientes, que conjugam forte pressão sobre os preços com prazos de pagamento cada vez mais longos, criando constrangimentos ao nível da tesouraria e do financiamento das empresas. A isto soma-se uma concorrência internacional extremamente agressiva, particularmente proveniente de países fora da Europa, onde os custos de produção são significativamente mais baixos”.
“Em paralelo, as tensões comerciais entre grandes blocos económicos, as medidas protecionistas, os conflitos internacionais e a reorganização parcial das cadeias globais de abastecimento estão a levar muitas empresas a rever estratégias e fornecedores, aumentando a prudência dos clientes industriais, sobretudo nos principais mercados europeus. Esta instabilidade gera maior volatilidade nas encomendas e ciclos de decisão mais prolongados, dificultando o planeamento estratégico e a definição de investimentos sustentados no médio e longo prazo”.

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