Canadá e EUA lideraram votos nulos de portugueses no estrangeiro nas legislativas de 2025
Países com eleitores mais jovens apresentam percentagens mais baixas de votos nulos, enquanto países com votantes mais velhos tendem a registar percentagens superiores, conclui o CNE.
O Canadá e os Estados Unidos foram os países com as percentagens mais elevadas de votos nulos dos eleitores portugueses residentes no estrangeiro nas legislativas de 2025, conclui um estudo realizado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). Segundo a mesma entidade, os votos nulos tendem a ser superiores em países com eleitores mais velhos.
“O Canadá e os Estados Unidos da América registaram as percentagens mais elevadas de votos nulos, com 46,5% e 45,1%, respetivamente. Estes são também os países onde o grupo etário dos votantes com mais de 65 anos tem maior expressão”, refere a CNE, acrescentando que se identifica uma “tendência segundo a qual países com votantes mais jovens apresentam percentagens mais baixas de votos nulos, enquanto países com votantes mais velhos tendem a registar percentagens superiores”.
O Reino Unido surge como o terceiro país com maior percentagem de votos nulos, com 42,8%, apesar de apresentar um eleitorado mais jovem: 27,1% dos votantes têm até 34 anos e apenas 8,5% têm mais de 65 anos, detalha a CNE.
Em sentido inverso, os Países Baixos, com 15,7%, e o conjunto dos países agregados em “Resto da Europa”, com 20,31%, apresentam as menores percentagens de votos nulos, coincidindo com uma participação mais expressiva das camadas mais jovens dos votantes.
A China, refere o estudo, “apresenta, por seu turno, um perfil distinto: apesar de registar a terceira menor percentagem de votos nulos, com 23%, conta com uma participação elevada de eleitores com mais de 65 anos, que representam 33,9% dos votantes”.
Ainda segundo o mesmo estudo, que foi realizado devido ao elevado número de votos nulos registado na votação postal dos eleitores portugueses residentes no estrangeiro, conclui que a principal causa de anulação continua a estar associada à falta de cópia do documento de identificação.
“Nas atas com informação detalhada, 95,42% dos votos foram anulados por falta de fotocópia do documento de identificação, 0,72% por irregularidades nos boletins de voto e 1,38% pela apresentação de cópia de CC/BI inválida ou não correspondente, ficando os restantes casos associados a outros motivos”, explica o mesmo inquérito.
Para a realização do estudo foram analisadas as 300 atas das operações eleitorais das mesas constituídas nas assembleias de recolha e contagem dos votos dos portugueses residentes no estrangeiro, nos círculos eleitorais da Europa e de Fora da Europa.
No que respeita à distribuição por sexo, o estudo observa que os homens residentes no estrangeiro são os que mais exercem o direito de voto por via postal, em particular os que se inserem na faixa etária entre os 65 e os 69 anos. A maioria dos votantes é natural do território nacional.
“À semelhança do estudo realizado em 2024, a CNE remeteu o presente estudo a diversas entidades institucionais, enquanto contributo para a reflexão sobre eventuais medidas que possam ser adotadas para reduzir o elevado número de votos nulos na votação postal dos eleitores portugueses residentes no estrangeiro”, explica a entidade.
A CNE reforça que, com este levantamento, pretende contribuir para uma melhor compreensão das causas dos votos nulos na votação postal e para a “adoção de medidas que promovam uma participação eleitoral mais informada, segura e eficaz dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro”.
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