“É uma grande greve geral”. CGTP exige que Governo retire reforma laboral já
Secretário-geral da CGTP não dá um número, mas considera que adesão à greve geral está a ser idêntica à de dezembro, ainda que, nessa altura, protesto tenha sido convocado também pela UGT.
O secretário-geral da CGTP adiantou esta quarta-feira que, segundo os dados que a central sindical tem recolhido, a greve geral em curso contra a reforma laboral está a ter uma “dimensão muito idêntica à de 11 de dezembro”. Num primeiro balanço, Tiago Oliveira deu exemplo de várias empresas que estão paradas, como a Sovena, a Bimbo e a Bosch Braga, e indicou que há muitas escolas e câmaras municipais fechadas.
“É uma grande greve geral“, declarou o sindicalista, cerca de uma hora depois de a ministra da tutela, Maria do Rosário Palma Ramalho, ter anunciado que a adesão no setor privado está a ser “absolutamente residual”, com base nos números das confederações empresariais e das grandes empresas.
“A CGTP saúda todos os trabalhadores que estão a fazer do dia de hoje uma grande jornada de luta“, sublinhou, em contraponto, o secretário-geral desta central sindical, que argumentou que, com este protesto, os trabalhadores hoje estão a rejeitar, nomeadamente, a tentativa de “perpetuar os baixos salários, de agravar a precariedade, e de desregular os horários de trabalho”.
Sobre os níveis de adesão, o secretário-geral deu vários exemplos de empresas que estão a sentir o impacto da paralisação. Na Bimbo, por exemplo, a adesão é de 100%, na Sovena e na Cimpor também. “Impactos significativos na CUF Sintra e no Hospital da Luz em Lisboa”, acrescentou o mesmo. Nos transportes, há uma adesão a 100% no Metro de Lisboa, a CP e a IP estão em serviços mínimos, e está a haver um forte impacto no transporte aéreo, disse.
“Temos também um número significativo de encerramentos nas autarquias e setor público, escolas encerradas, hospitais com serviços mínimos na generalidade”, notou o mesmo sindicalista.
“O pacote laboral tem de ser retirado já“, insistiu ainda o secretário-geral da CGTP, que defendeu que “serão os trabalhadores a decidir o desfecho deste pacote laboral”.
"O pacote laboral tem de ser retirado já.”
A reforma da lei do trabalho começou a ser discutida em julho do ano passado. Em dez meses, houve lugar a dezenas de reuniões, mas esta revisão legislativa continua longe de gerar consensos. Tanto que em dezembro a CGTP e a UGT juntaram-se para uma primeira greve geral contra estas mudanças ao Código do Trabalho.
Desta vez, foi, porém, apenas a CGTP a convocar a paralisação, com a central sindical liderada por Mário Mourão a considerar esta greve extemporânea, tendo em conta que o processo acaba de chegar ao Parlamento. Esta quarta-feira, a ministra do Trabalho já fez saber que, apesar dos protestos, a reforma laboral vai continuar a fazer o seu caminho, rejeitando o pedido de retirada das propostas feito pela CGTP.
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