Greve geral. Lusa sem serviço, rádios e sites com constrangimentos na informação
"O primeiro balanço possível revela já o impacto substancial da greve geral nos meios de comunicação social", aponta o Sindicato dos Jornalistas.
- A greve geral desta quarta-feira teve um impacto significativo nos meios de comunicação, com a Lusa a suspender totalmente o seu serviço noticioso.
- O Sindicato de Jornalistas destacou que a adesão à greve foi elevada, afetando tanto a produção de notícias em jornais como na rádio, com algumas emissoras a reduzirem a informação disponível.
- As consequências da greve evidenciam a resistência da classe jornalística contra a perda de direitos laborais.
Lusa sem serviço, algumas rádios com constrangimentos nos serviços de informação e menos notícias em vários sites. No formato papel, o Público já admitiu que na quinta-feira vai chegar mais magro às bancas. Em traços gerais, é este o impacto da greve geral desta quarta-feira, no setor dos media.
“A paralisação está a afetar a comunicação social de forma visível e audível, apesar dos esquemas e estratagemas de algumas hierarquias, como a contratação de serviços externos e o recurso a estagiários”, aponta o Sindicato de Jornalistas no comunicado no qual faz o primeiro balanço da greve.
Quem navega pelos diferentes sites nota uma diminuição no número de notícias. Na Lusa, o serviço foi suspenso logo à 01h00 e a confirmação da interrupção chegou ao final da manhã. “Não havendo notícias na linha da Lusa desde as 01:00 e na defesa da dignidade do serviço público prestado pela agência, a Direção de Informação da Lusa decidiu interromper o serviço. O serviço será restabelecido caso existam condições para esse efeito”, podia ler-se na informação prestada aos clientes.
“Além das gravosas questões laborais que lhe deram origem e que são conhecidas de todos, na Lusa não ignoramos o recente ataque da administração à paz social, com a denúncia do Acordo de Empresa e a recusa em negociar efetivamente o aumento salarial de 2026. A adesão de trabalhadores, com reflexo na interrupção total do serviço noticioso da Lusa, é um sinal importante do compromisso coletivo pelos direitos laborais e pelo progresso social”, escrevem, em conjunto, o Sindicato dos Jornalistas e Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços.
Entretanto, a linha foi reaberta às 18h30. “Constatando a existência de condições para garantir um serviço mínimo da agência, afetado pela greve geral, a Direção de Informação da Lusa decide reabrir a respetiva linha, a partir das 18:30”, lê-se na nota aos clientes.
No Público, a adesão à greve é reportada pela direção do jornal. A greve geral convocada para esta quarta-feira teve uma elevada adesão dos trabalhadores do Público, avança a direção, em nota publicada no site.
“Como é natural, isso terá impacto assinalável na nossa operação diária, tanto no número de notícias que vamos publicar, como na edição impressa de amanhã”, explica o título. “É convicção da Direcção Editorial do Público que a missão essencial de informar não deve ser interrompida e, por isso, irá continuar a assegurar o essencial da cobertura noticiosa, com os profissionais que manifestaram disponibilidade para o fazer”, prossegue, adiantando que amanhã, quinta-feira, a edição em papel será mais reduzida.
Já nas rádios, os sinais mais evidentes surgem na RTP, Antena 1 e na TSF. Na estação da RTP os principais noticiários foram suprimidos, permanecendo a informação de trânsito. Na TSF não houve Fórum TSF e a informação à hora certa é quase exclusivamente sobre a greve.
“O primeiro balanço possível revela já o impacto substancial da greve geral nos meios de comunicação social. Pelo meio-dia, registavam-se fortes constrangimentos à produção noticiosa, seja no setor público ou privado, em grandes grupos mediáticos ou redações locais. Está claro que a classe jornalística rejeita a perda de direitos que o governo quer impor a quem trabalha”, refere a estrutura que representa os jornalistas.
(Atualizada às 18h55, com informação da Lusa)
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