Guerra no Médio Oriente coloca 1,3 milhões de empregos na Europa em risco
Comissária europeia alerta que postos de trabalho ameaçados são sobretudo das indústrias com utilização intensiva de energia e pede que países invistam em capital humano.
A Europa pode perder até 1,3 milhões de postos de trabalho, sobretudo nas indústrias com utilização intensiva de energia, devido à guerra no Irão. O alerta é da comissária europeia para o Emprego e Direitos Sociais, Roxana Mînzatu, que defendeu um reforço urgente de competências dos trabalhadores europeus.
A posição da responsável europeia foi transmitida esta quarta-feira, na conferência de imprensa, de apresentação do pacote do “Semestre Europeu” da comissão, que, pela primeira vez, introduz a perspetiva do capital humano no ciclo de avaliação do semestre.
“Devido à guerra no Médio Oriente, até 1,3 milhões de empregos na Europa estão em risco, especialmente nas indústrias com utilização intensiva de energia“, afirmou Roxana Mînzatu, acrescentando que, paralelamente, 77% das empresas indicam a escassez de competências como o principal obstáculo ao investimento.
Devido à guerra no Médio Oriente, até 1,3 milhões de empregos na Europa estão em risco, especialmente nas indústrias com utilização intensiva de energia.
Neste contexto, a comissária europeia defendeu que “uma competitividade que deixa para trás desequilíbrios sociais não é uma competitividade sustentável“, pelo que a resposta deve passar por “investir nas pessoas, melhorar o trabalho e proteger os níveis de vida”.
“As competências não são um complemento social da competitividade. As competências são competitividade”, disse, considerando, por outro lado, que é preciso combater a escassez de mão de obra devido a más condições de trabalho.
Deste modo, apelou assim a que os Estados-membros invistam em capital humano, com vista a reforçar a produtividade e a competitividade e promover empregos de qualidade.

Há nove países potencialmente expostos a riscos
As declarações de Roxana Mînzatu surgem no dia em que a Comissão Europeia incluiu orientações sobre o trabalho nas recomendações aos países, depois de detetar que existem nove Estados-membros potencialmente expostos a riscos para a convergência social.
Nos documentos divulgados esta quarta-feira, Bruxelas explica que analisou o “quadro de convergência social” em duas fases. Primeiro foram analisadas as políticas de mercado de trabalho, competências e políticas sociais, cujos resultados foram publicados no “Relatório Conjunto sobre o Emprego” de 2026.
Comissão Europeia conclui que na Bulgária, Grécia, Espanha, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Roménia e Finlândia existe “necessidade de reforçar a eficácia das transferências sociais na redução da pobreza”.
Depois, em abril deste ano, avançou com uma análise “mais detalhada” de nove Estados-membros identificados “como potencialmente expostos a riscos para a convergência social”: Bulgária, Grécia, Espanha, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Roménia e Finlândia.
Nesta análise, verificou que “em todos os nove Estados-membros existe necessidade de reforçar a eficácia das transferências sociais na redução da pobreza“, uma vez que, apesar dos mecanismos de apoio existentes, muitas pessoas continuam em risco.
Ademais, identificou que “alguns Estados-membros” enfrentam dificuldades relacionadas com baixos níveis de aprendizagem ao longo da vida, fracas competências digitais e elevadas taxas de abandono escolar precoce. “Continua a ser crucial reforçar o investimento em capital humano e melhorar o alinhamento entre as competências das pessoas e as necessidades do mercado de trabalho”, defende.
Por fim, também alguns Estados-membros “registam elevadas percentagens de jovens que não trabalham, não estudam nem frequentam formação”.
“Quatro países enfrentam desafios ligados a baixas taxas de emprego e elevados níveis de desemprego. São necessários esforços adicionais para integrar melhor os grupos sub-representados no mercado de trabalho”, refere.
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