Mais pessimista do que Governo, OCDE corta previsão de crescimento para 1,8% este ano
Organização prevê que procura externa deverá ser afetada pelo contexto internacional, embora o PRR impulse o investimento, e aponta para um saldo orçamental nulo este ano.
- A OCDE reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 1,8% em 2023, destacando o impacto da guerra no Médio Oriente.
- O Banco de Portugal e o FMI projetam crescimento de 1,8% e 1,9%, respetivamente.
- A política orçamental deverá ajudar a amortecer choques externos, afirma a OCDE que prevê agora um saldo nulo, quando antes previa um défice de 0,6% do PIB.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia portuguesa vai crescer 1,8% este ano, menos quatro décimas do que esperava anteriormente, isolando o Governo como o mais otimista. A instituição acredita, contudo, que a política orçamental vai ajudar a amortecer o choque externo provocado pela guerra no Médio Oriente, e melhora a projeção do saldo para nulo.
“Prevê-se que o crescimento real do PIB atinja 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027. O aumento dos preços da energia terá repercussões em toda a economia e a inflação deverá atingir um pico de 3,2% em 2026″, pode ler-se no relatório de previsões económicas, divulgado esta quarta-feira.
Em dezembro, antes da guerra no Irão, a organização com sede em Paris apontava para uma taxa de crescimento em Portugal de 2,2% este ano. Contudo, o contexto internacional levou a uma revisão em baixa. A entidade alinha assim com a previsão do Banco de Portugal para este ano, sendo o Conselho das Finanças Públicas (CFP) a instituição económica mais pessimista (1,6%), uma vez que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para uma expansão de 1,9% e a Comissão Europeia de 1,7%, enquanto o Governo prevê um crescimento de 2%.
Prevê-se que o crescimento real do PIB atinja 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027. O aumento dos preços da energia terá repercussões em toda a economia e a inflação deverá atingir um pico de 3,2% em 2026.
A OCDE estima que a fraca procura externa irá pesar negativamente sobre as exportações (+0,8%), mas a execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vão dar um impulso temporário ao investimento (+5,2%). Ademais, antevê que uma nova descida da taxa de poupança das famílias e aumentos salariais mais fortes do que o esperado poderão reforçar o consumo, mas também alimentar a inflação.
Paralelamente, despesas públicas superiores ao previsto, nomeadamente na defesa, poderão igualmente aumentar a procura interna. Por outro lado, alerta que, desembolsos dos fundos do PRR inferiores ao esperado ou perturbações prolongadas nos mercados da energia poderão penalizar o crescimento económico.
A OCDE acredita ainda que a política orçamental vai ajudar “a amortecer o choque externo em 2026, antes de se tornar mais restritiva em 2027”, refletindo o fim gradual das medidas temporárias introduzidas em resposta ao aumento dos preços da energia e às tempestades do arranque do ano, bem como o fim do financiamento do PRR.
Neste sentido, projeta um saldo orçamental nulo este ano, quando em dezembro apontava para um défice de 0,6%. Um valor que valida a meta do Governo português, ficando próximo dos -0,1% esperados pelo FMI e pela Comissão Europeia. Para 2027, estima um ligeiro défice de 0,1%. Na ótica da OCDE, o rácio da dívida pública continuará a diminuir, atingindo 90% este ano e 87,1% no próximo, mas a instituição alerta que “assegurar uma trajetória sustentada de redução a médio prazo exigirá uma despesa mais eficiente”.
Os técnicos recomendam assim um alargamento do acesso à formação e a limitação das opções de reforma antecipada como forma de aumentar o emprego entre os trabalhadores mais velhos, destacando ainda que a utilização eficaz de revisões da despesa ajudaria a reequilibrar a despesa para investimento.
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