OCDE prevê crescimento global de 2,1% em cenário de “perturbação prolongada” no Médio Oriente

Organização projeta que a economia mundial cresça 2,8% este ano no cenário base. Contudo, se constrangimentos persistirem até à segunda metade de 2027, taxa reduz-se para 2,1%.

A economia global poderá crescer apenas 2,1% este ano e 1,7% no próximo, com vários países a entrarem em recessão ou ficarem próximos disso, caso a guerra no Médio Oriente se prolongue e os constrangimentos persistam até à segunda metade de 2027. As previsões são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que assinala como uma resolução duradoura do atual conflito traria não só alívio às populações da região, como “lançaria as bases para resolver as perturbações” que provocou na economia mundial.

No relatório de previsões económicas divulgado esta quarta-feira, a OCDE apresenta dois cenários de projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial devido à elevada incerteza internacional provocada pela guerra no Irão, um de “perturbação temporária” e um de “perturbação prolongada”.

No cenário de “perturbação prolongada”, a instituição com sede em Paris parte do pressuposto de que os atuais transtornos na produção e nas exportações de energia das economias do Golfo persistem até à segunda metade de 2027, começando apenas a dissipar-se gradualmente depois disso. Neste cenário, considera “elevada” a probabilidade de escassez significativa de produtos energéticos e de fatores de produção agrícolas e industriais provenientes destas economias, com consequências duradouras sobre o produto potencial, através de menor eficiência e de investimento não realizado.

Nesta ótica, a OCDE projeta que o crescimento global abrande de 3,4% em 2025 para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027, empurrando “várias economias para a recessão ou para perto dela e aumentando o desemprego“. Neste caso, a instituição antevê que os preços globais da energia e dos fertilizantes continuem “significativamente” mais elevados durante um período prolongado, em comparação com o cenário de perturbação temporária, enquanto as condições financeiras seriam bastante mais restritivas e a confiança das famílias e das empresas substancialmente mais fraca.

A OCDE projeta um crescimento global de 2,8% este ano num cenário de “perturbação temporária” e de 2,1% caso a guerra se prolongue.

No cenário de “perturbação temporária”, partindo do pressuposto de que os preços da energia começam a aliviar gradualmente a partir de meados de 2026, em linha geral com as atuais expectativas dos mercados de futuros, projeta que a expansão do PIB desacelere para 2,8% em 2026, antes de recuperar para 3,1% em 2027. Neste caso, a inflação homóloga sobe nos países do G20 para 4% em 2026, face a 3,4% em 2025, antes de recuar para 3,1% em 2027, à medida que as pressões dos preços da energia e dos alimentos forem diminuindo gradualmente.

No entanto, a OCDE admite que caso seja alcançado um acordo duradouro, acompanhado por quedas mais acentuadas dos preços da energia do que as implícitas nos mercados de futuros no final de maio, o crescimento mundial poderá ser ligeiramente mais elevado e as pressões inflacionistas mais reduzidas.

No caso mais severo, a inflação global aumentaria adicionalmente 0,4 pontos percentuais em 2026 e 1,3 pontos percentuais em 2027.

OCDE prevê crescimento da Zona Euro de 0,8% este ano

A OCDE estima que a economia da Zona Euro abrande de 1,4% em 2025 para 0,8% este ano, antes de recuperar para 1,2% em 2027, à medida que a procura interna e o crescimento do comércio se reforçam. A previsão fica próxima da Comissão Europeia, que recentemente apontou para uma taxa de 0,9% em 2026.

O consumo privado será sustentado por mercados de trabalho resilientes e por uma redução moderada da taxa de poupança das famílias. O investimento privado será condicionado pela incerteza, enquanto o investimento público será apoiado em 2026 pelos fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência”, aponta a OCDE.

Paralelamente, projeta a inflação medida pela Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) a acelerar de 2,1% em 2025 para 2,8% este ano, antes de desacelerar para 2,4% em 2027.

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