Portugal vai ter crescimento “fraco” no segundo trimestre. No ano, evolução do PIB será inferior a 2%
"O crescimento do PIB português em 2026 poderá não ser afetado de forma significativa" pelo conflito no Médio Oriente "e poderá ser pouco abaixo dos 2%", prevê o Fórum para a Competitividade.
O Fórum para a Competitividade antecipa um abrandamento da economia nacional, fruto das tensões no golfo Pérsico. Ressalvando o desempenho da economia vai depender da duração do conflito, o think tank prevê que a economia poderá crescer um pouco menos de 2%.
“Os primeiros sinais indicam que se estará a registar algum crescimento no segundo trimestre, mas fraco”, lê-se na nota de conjuntura, a que o ECO teve em primeira mão. “Dado que no segundo trimestre de 2025, o crescimento em cadeia do PIB foi de 0,7%, o mais provável é que se registe agora um acentuado desacelerar do PIB em termos homólogos, face aos 2,3% do primeiro trimestre de 2026”, lê-se no documento assinado pelo economista Pedro Braz Teixeira.
“O indicador diário de atividade, calculado pelo Banco de Portugal, recuperou no quarto trimestre e no início do primeiro trimestre, caiu abruptamente em março, recuperou ligeiramente em abril e manteve-se fraco em maio”, elenca a nota de conjuntura, numa referência aos indicadores avançados que permitem perceber a evolução da economia. “O clima económico, avaliado pelo INE, melhorou no quarto trimestre, abrandou no primeiro e teve uma melhoria surpreendente em abril e de novo em maio. Depois de o PIB ter estagnado em cadeia no primeiro trimestre, parece que estará a registar algum crescimento no segundo trimestre, mas fraco”, acrescenta a mesma nota.
Nos próximos trimestres, a duração do conflito no Médio Oriente vai continuar a ser o ponto essencial, “sobretudo quando se dará a normalização da circulação pelo Estreito de Ormuz”. O facto de o Estreito continuar praticamente encerrado gerou uma escalada dos preços da energia. Mas os últimos desenvolvimentos na frente geopolítica têm mantidos os preços do barril de Brent quase sempre abaixo dos 100 dólares desde meados de maio.
“Em Portugal, a subida do preço do gasóleo terá sido responsável pela queda homóloga de 5% das vendas em abril, face a um crescimento de 15,7% em março”, escreve o Fórum. Com a “aceleração limitada” dos preços da energia — de 11,7% para 13,2% — levou a uma estabilização da inflação nos 3,3%, em maio e “a inflação subjacente (excluindo produtos energéticos e bens alimentares não transformados), também estabilizou, num nível baixo (2,2%), o que é tranquilizante”, Pedro Braz Teixeira.
Para o conjunto do ano, o Fórum para a a Competitividade continua a “assumir, como a generalidade das instituições e dos mercados financeiros, que as tensões no golfo Pérsico abrandarão dentro de não muito tempo”, por isso, “o crescimento do PIB português em 2026 poderá não ser afetado de forma significativa e poderá ser pouco abaixo dos 2%”.
A revisão em baixa do crescimento dos principais parceiros de Portugal, “o que deverá afetar diretamente as nossas exportações e indiretamente o resto da economia”. “A subida do preço dos combustíveis também tem um efeito de abrandamento da economia portuguesa, pela redução do poder de compra dos consumidores“, recorda o think tank, sublinhando contudo que pelo facto de os preços do petróleo terem “deixado de subir e até recuado parcialmente” isso trará “alívio aos consumidores, podendo abrir caminho a algum aumento da despesa das famílias em outros bens e serviços” e reduzirá “a pressão para a subida dos preços da energia se refletir nos outros produtos, diminuindo a necessidade de o BCE subir as suas taxas de referência”.
“As subidas de taxas do BCE são, aliás, um dos aspetos mais ingratos da atual conjuntura. Ainda que a economia da Zona Euro esteja a abrandar, a necessidade de conter a inflação leva a aumentar as taxas de juro oficiais, contribuindo para um arrefecimento adicional do desempenho económico”, sublinha a nota de conjuntura.
Mas o Fórum para a Competitividade alerta que “se os impactos económicos de uma crise orçamental ou financeira são complexos de estimar, os de um conflito militar, de duração e âmbito mais imprevisíveis, são muito mais incertos”. Mas os mercados financeiros “continuam a acreditar que será alcançada uma solução a breve trecho”, uma confiança que se traduz nos contratos de futuros de petróleo, nas taxas Euribor e nos mercados acionistas.
Estas previsões estão alinhadas com as das outras instituições. O Banco de Portugal e a OCDE preveem que o crescimento real do PIB atinja 1,8% em 2026, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) é a instituição mais pessimista (1,6%), uma vez que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para uma expansão de 1,9% e a Comissão Europeia de 1,7%. Já o Governo prevê um crescimento de 2%.
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