Shortlist: mar em Belém, vinhos de verão e arquitetura nos jardins de Londres

Lina Santos,

Da nova carta do Bonança, em Belém, ao pavilhão de verão da Serpentine, em Londres, a Shortlist desta semana cruza gastronomia, vinho, azeite, moda e arquitetura.

A Shortlist desta semana começa à mesa, com a nova carta de inspiração marítima do Bonança e a celebração do solstício no Altis Belém, passa pelo néctar Vinha das Romãs Blanc de Noirs 2025 e pelo azeite premiado da Casa Relvas. Quatro marcas portuguesas preparam-se para o verão: abre a primeira loja de rua em Lisboa das insígnias Latitid e Hirundo e a pop-up conjunta da Paez e da Cantê na Comporta. Terminamos em Londres, nos Kensington Gardens, com o Serpentine Pavillion 2026.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

1. Restaurante Bonança renova a carta com o mar à vista em Belém

O Bonança, instalado na histórica Associação Naval de Lisboa, em Belém, fez recentemente um ano de vida e apresenta uma nova carta para a estação quente, assinada pelo seu chef, Pedro Amendola. Num restaurante com vista privilegiada para o Tejo e para o Padrão dos Descobrimentos, a nova proposta aprofunda a ligação à costa portuguesa e à grelha, mantendo uma base clássica portuguesa com apontamentos globais – nas entradas, crudo de lírio dos Açores, carpaccio de atum ou feijoada de lulas e polvo com caril de caju e feijão verde – e os muito populares lobster rolls. Transitam da última carta o arroz de limão e os filetes crocantes de peixe-galo que, segundo o diretor-geral do restaurante, Francisco Vasconcelos, são um dos pratos mais pedidos. Desde o primeiro momento, a ideia de viagem fez parte dos planos dos sócios do espaço – Salvador Sobral, Diogo Sousa Coutinho, Germano de Sousa e Filipe Farinha — e um elemento da decoração deu o mote: o mural que retrata a embaixada portuguesa enviada a Roma por D. Manuel ao Papa Leão X, em 1514, para apresentar a viagem de Vasco da Gama à Índia. Ocupa uma parede inteira e enche o espaço assim que se cruzam as pesadas portas de madeira da entrada.

“Gostava de ter uma câmara aqui para registar os ‘ah’ de quem entra”, diz Francisco Vasconcelos. O mural foi pintado em 1940 por ocasião da exposição do Mundo Português (este era um dos pavilhões) e foi recuperado para o restaurante Bonança, após ficar com a concessão da Associação Naval de Lisboa Além do restaurante que já aqui existia cresceu para o antigo armazém de barcos da associação náutica, “a mais antiga da Península Ibérica”, diz Francisco Vasconcelos.

Na sua nova vida, o Bonança tem três missões, como explica Francisco Vasconcelos: além de restaurante, é um espaço de eventos (os dois pisos, várias salas e 220 lugares permitem-no) e uma proposta de entretenimento. Às sextas e sábados, a partir das 23h30, entram em cena os DJ, “sempre diferentes”, e quem quiser pode entrar para tomar um copo e ouvir música. Quem está no restaurante “tem um serviço chave-na-mão”, diz o diretor-geral.

2. O Altis Belém celebra o solstício com cozinha, vinho e música junto ao Tejo

Altis Belém

O Altis Belém Hotel & Spa assinala o solstício de verão com um festival gastronómico marcado para 20 de junho, entre as 18h30 e a meia-noite. Com o Tejo como cenário, o hotel propõe uma noite que cruza cozinha de autor, vinhos de pequenos produtores, cocktails, música ao vivo e DJ sets. O restaurante Feitoria, com uma estrela Michelin, é o ponto de partida: o chef André Cruz convida vários chefs para momentos de degustação que, segundo o Altis Belém, pretendem mostrar a influência da cozinha do Feitoria e a interpretação de cada convidado em torno de três eixos: Horta, Mar e Fogo.

A noite começa com cocktails no Bar do Feitoria ou com uma versão exclusiva do Paloma no terraço do Gastrobar 38º41’. A proposta inclui ainda uma garrafeira dedicada a pequenos produtores. As experiências gastronómicas decorrem entre as 19h00 e as 22h00. A música acompanha a noite com DJ&Sax Set Bastolini, entre as 18h30 e as 20h00, Conjunto Galante ao vivo, das 20h00 às 22h30, e DJ Set até à meia-noite. A entrada custa 75 euros por pessoa e inclui o serviço de bar e restauração em vigor durante a festa, com reservas disponíveis no site do hotel.

3. Um novo Blanc de Noirs da Vinha das Romãs

Vinha das Romãs

A Ravasqueira leva ao mercado a colheita de 2025 do Vinha das Romãs Blanc de Noirs, um branco produzido em Arraiolos a partir de castas tintas. O vinho nasce numa parcela onde, até 2002, existiu um antigo pomar de romãs, cuja memória dá nome a uma referência que a marca apresenta como uma das expressões mais distintivas do seu terroir alentejano. Produzido a partir de Touriga Franca e Syrah, o Blanc de Noirs resulta de uma vinificação desenhada para preservar a ausência de cor e reforçar a precisão aromática. Para David Baverstock, chairman Winemaker da WineStone, a qual pertence a Ravasqueira, o Vinha das Romãs Blanc de Noirs “expressa de forma muito autêntica o caráter desta parcela” e destaca a sua capacidade de evolução em garrafa. A colheita de 2025 tem uma produção de cerca de 8 mil garrafas, já está disponível e tem um preço recomendado de 20,90 euros.

4. Azeite Casa Relvas conquista ouro

Azeite Casa Relvas

A Casa Relvas conquistou uma Medalha de Ouro na 20.ª edição do Concurso Nacional de Azeites de Portugal, em Santarém. O Azeite Casa Relvas foi distinguido na categoria Azeite Frutado Maduro/Grande Produtor, num concurso organizado no âmbito da Feira Nacional de Agricultura. A distinção reconhece o perfil sensorial do azeite e resulta de uma gestão criteriosa dos olivais, aliada ao conhecimento técnico da equipa. António Relvas, co-CEO da Casa Relvas, sublinha que esta é “a primeira medalha de ouro conquistada pelos azeites da Casa Relvas” no ano em que a empresa se tornou o primeiro produtor certificado pelo Programa de Sustentabilidade do Azeite.

5. Latitid abre a sua primeira loja de rua em Lisboa (com a Hirundo)

A Latitid inaugurou a sua primeira loja de rua em Lisboa, na Rua D. Pedro V, 69, no Príncipe Real, iniciando uma nova fase para a marca portuguesa de swimwear. Depois de mais de uma década na EmbaiXada, a insígnia passa agora para uma operação independente, com montra própria e acesso direto à rua, em parceria com a EastBanc. A abertura da loja Latitid traduz também a evolução comercial do Príncipe Real, uma das zonas de Lisboa onde o comércio independente, a reabilitação urbana e a curadoria de marcas nacionais têm vindo a ganhar escala. Esta é a segunda loja da Latitid em Portugal. A primeira está no Porto (rua Esplanada do Castelo, 107). Além das peças da Latitid, a loja oferece ainda peças de outra insígnia que cresceu na EmbaiXada, a marca portuguesa de calçado Hirundo, que privilegia materiais naturais e uma produção sustentável.

6. PAEZ e Cantê levam o verão português para a Comporta

A PAEZ e a Cantê juntaram-se numa pop-up conjunta na Casa da Cultura da Comporta, um dos endereços mais associados ao verão português. A colaboração reúne duas marcas nacionais com uma ligação direta à praia, ao lazer e a um estilo de vida descontraído, na Rua do Secador. A seleção de peças da loja inclui alguns dos modelos mais reconhecíveis da PAEZ, entre Mary Janes, Mocs, Tulipas, Loafers e as suas alpargatas, peças que consolidaram a identidade informal da marca. A Cantê apresenta, por sua vez, uma curadoria dos seus bestsellers de verão, levando à Comporta propostas alinhadas com a estética de praia que tem marcado o percurso da insígnia portuguesa. Para a PAEZ, esta é a segunda presença consecutiva na Casa da Cultura da Comporta. Já para a Cantê é uma estreia depois de ter estado presente na Comporta, no verão passado, através da loja da DCK. Segundo a marca, a colaboração surge de forma natural, pela partilha de públicos, valores e de uma leitura comum do verão, marcada pela liberdade, pela proximidade à comunidade e pelos momentos ao ar livre.

7. Um pavilhão em forma de serpente nos jardins de Kensington

Pavilhão Serpentine, Londres

O Serpentine Pavilion 2026 abre ao público a 6 de junho, em Londres, com assinatura do atelier mexicano LANZA, fundado por Isabel Abascal e Alessandro Arienzo. A nova estrutura marca a 25.ª edição do programa e será apresentada num ano em que a Serpentine prepara também uma colaboração com a Zaha Hadid Foundation e a Architectural Association, em homenagem à arquiteta que desenhou o primeiro pavilhão. O projeto parte da serpentine wall, também conhecida como crinkle-crankle wall, uma parede de tijolo composta por curvas alternadas. Esta solução, comum em Suffolk, mas com origem no antigo Egito, permite maior estabilidade lateral e exige menos tijolos do que uma parede reta de espessura equivalente. No pavilhão, essa referência é reinterpretada como uma estrutura permeável, em diálogo com os Kensington Gardens e com a fachada em tijolo da Serpentine South Gallery, que foi originalmente uma casa de chá. A edição de 2026 conta com o apoio da Goldman Sachs pelo 12.º ano consecutivo e passa a ter a Rolex como relógio oficial dos Serpentine Pavilions.

As escolhas da Shortlist são editorialmente selecionadas pelo ECO Avenida.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.