BRANDS' ECO Confiança é hoje um ativo digital crítico
Apoiada por infraestruturas seguras, requisitos regulatórios e tecnologias que garantem integridade transacional, a confiança digital é pilar essencial. Tema esteve em destaque na LisbonID Conference.
Modelos avançados de autenticação, verificação digital de veículos, identidade descentralizada aplicada a stablecoins e o papel do hardware seguro na infraestrutura de identidade foram os temas que dominaram a tarde do primeiro dia da LisbonID Conference, que decorreu em Lisboa. Em debate estiveram questões relacionadas com a autenticação contínua, identidade em documentos físicos e segurança de chips, com o objetivo de acelerar a implementação de sistemas de identidade digital seguros e interoperáveis em todo o mundo.
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John Erik, da Setsaas Trust Advisory, na sessão “Risk-Based Authentication and Continuous Trust” -
“Digital Vehicule verification without breaking privacy of drivers” foi o tema da sessão de Michel Sochocki, da Tonnjes -
José Pedro Rodrigues, CEO da Caixa Magica Software, levou o tema “Three Ways to Identify a Person” -
Nuno Andrade, da Workeffective, levou o tema “Digital Identity and Secure Identification in Modern Ecosystems” -
“The Identity Layer Underneath Compliant Stablecoins” foi o tema levado por Peter Marirosans, da Concordium -
Vincent Gourmelen, da Linxens, levou o tema “Securing electronic documents to enable secure digital identity” -
“The chips are still a secure place for your identity?” foi o tema de Giuseppe Guagliardo, da NXP
A agenda contou com um conjunto diversificado de sessões centradas nos desafios técnicos e operacionais da identidade digital em contextos específicos, da mobilidade rodoviária às finanças descentralizadas, passando pela segurança dos componentes físicos que sustentam os sistemas de identificação modernos.
John Erik, especialista em identidade e fraude da Setsaas Trust Advisory, abriu o primeiro painel da tarde com uma apresentação dedicada ao tema “Autenticação contínua e gestão do risco”, onde referiu o conceito de ‘confiança contínua’. A sessão explorou como os sistemas de identidade modernos podem ir além da verificação pontual no momento do acesso, adotando modelos que avaliam continuamente o nível de risco ao longo de uma sessão ou transação. “Os sistemas de identificação modernos têm de ir além da verificação inicial, avaliando o risco ao longo de toda a transação”, explicou. Esta abordagem é particularmente relevante em contextos de elevada sensibilidade, como serviços bancários, saúde ou administração pública, nos quais uma autenticação inicial robusta não é suficiente para garantir a integridade de toda a interação.
Michel Sochocki, executive sales consultant da Tönnjes, interveio sobre a “Verificação digital de veículos sem comprometer a privacidade”, indicando que é uma solução para um problema concreto e crescente, com vista a verificar digitalmente a identidade de um veículo e, por extensão, a sua documentação e conformidade regulatória, sem expor dados pessoais do seu condutor. A sessão abordou as tensões entre a necessidade de rastreabilidade e controlo por parte das autoridades e o direito à privacidade dos cidadãos, propondo abordagens técnicas que permitam conciliar ambos os objetivos num quadro de confiança digital.
O propósito da identidade numa sociedade democrática não é a dominação. É o reconhecimento
José Pedro Rodrigues, CEO da Caixa Mágica Software e cofundador da LisbonID, apresentou o tema “Três formas de identificar uma pessoa”, propondo uma reflexão sobre as diferentes finalidades dos sistemas de identificação ao longo da história e na era digital. Em vez da tradicional divisão entre “o que se sabe”, “o que se tem” e “o que se é”, a intervenção centrou-se em três formas de olhar para a identificação: excluir, vigiar ou reconhecer. O orador percorreu exemplos históricos portugueses, da Inquisição ao Estado Novo e ao Cartão de Cidadão, para mostrar como os sistemas de identidade podem servir propósitos distintos, desde a exclusão e controlo até ao reconhecimento dos direitos do cidadão. “O propósito da identidade numa sociedade democrática não é a dominação. É o reconhecimento”, defendeu. A sessão abordou ainda o impacto da inteligência artificial nos sistemas de identidade digital, sublinhando a necessidade de arquiteturas de confiança que conciliem segurança, privacidade e cidadania.
Infraestrutura digital
O papel da identidade digital nos ecossistemas tecnológicos contemporâneos foi avaliado por Nuno Andrade, google developer expert e consultor sénior de tecnologia cloud e backend na Workeffective, que partilhou em palco a sua visão do tema. O especialista abordou a forma como a identidade segura é a camada fundamental sobre a qual se constroem serviços digitais de confiança, e elencou quais os padrões e arquiteturas que estão a emergir como referência na indústria.
Por sua vez, Peter Marirosans, CTO da Concordium, protagonizou, no tema “A Camada de Identidade nas Stablecoins Reguladas”, uma das sessões mais técnicas do programa. “O nosso foco consiste em alinhar a inovação das stablecoins conforme os requisitos de regulação financeira”, partilhou. A sessão demonstrou como a infraestrutura de identidade da Concordium permite que transações em moeda digital estável satisfaçam requisitos regulatórios de identificação – incluindo KYC e AML – sem comprometer a privacidade dos utilizadores, através de mecanismos de divulgação seletiva baseados em criptografia.
KYC (Know Your Customer) refere-se ao processo obrigatório de verificação da identidade dos clientes por parte das instituições financeiras para prevenir fraudes, enquanto AML (Anti-Money Laundering) engloba o conjunto de leis, regulações e procedimentos técnicos desenhados para impedir que fundos obtidos ilegalmente sejam dissimulados como receitas legítimas, em operações de lavagem de dinheiro.
Mecanismos de segurança
Na sessão “Documentos eletrónicos seguros como base da identidade digital”, Vincent Gourmelen, diretor de vendas, marketing e estratégia da Linxens, apresentou o papel dos documentos eletrónicos seguros – cartões de identidade, passaportes, ou títulos de residência – como fundação física da identidade digital. O orador explicou que a segurança da camada digital depende, em grande medida, da robustez dos suportes físicos em que as credenciais são emitidas, e demonstrou as tecnologias de inlay e conectividade que a Linxens desenvolve para garantir essa cadeia de confiança.
Os chips de segurança continuam a ser a solução mais fiável para armazenar e processar credenciais de identidade
As tecnologias de inlay consistem na integração de microchips e antenas de radiofrequência (RFID/NFC) numa camada interna oculta, geralmente de plástico ou papel estruturado, que é posteriormente encapsulada no interior de cartões ou passaportes, permitindo a comunicação sem fios e o armazenamento seguro de dados biométricos.
Giuseppe Guagliardo, senior product manager da NXP Semiconductors, encerrou o programa de sessões com o tema “Os chips continuam a ser um lugar seguro para a sua identidade?”, uma questão direta e tecnicamente exigente porque, num contexto de ameaças crescentes e pressão regulatória, “os chips de segurança continuam a ser a solução mais fiável para armazenar e processar credenciais de identidade”. A apresentação analisou o estado atual da segurança de hardware em chips dedicados à identidade, os vetores de ataque mais relevantes e as respostas tecnológicas que a indústria está a desenvolver para manter a confiança neste componente crítico.
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