Economia da Zona Euro entra no vermelho com trambolhão da Irlanda

Afinal, PIB da Zona Euro contraiu-se 0,2% no primeiro trimestre, em termos homólogos, depois da revisão em baixa de queda de 2% para 12,1% da economia irlandesa.

A economia da Zona Euro registou uma contração homóloga de 0,2% no primeiro trimestre, uma significativa revisão em baixa face ao crescimento de 0,1% inicialmente estimado pelo Eurostat. A revisão ocorre depois de a Irlanda ter registado uma contração de 12,1%, e não dos 2% estimados inicialmente.

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Esta é a primeira contração desde o quarto trimestre de 2022 e a queda mais acentuada desde meados de 2020, impulsionada por uma revisão significativa em baixa do PIB da Irlanda, que desceu 12,1% no primeiro trimestre, e por uma contração mais modesta em França (-0,1%).

Entre as principais economias da Zona Euro, Espanha liderou com um crescimento de 0,6%, enquanto a Alemanha e a Itália registaram uma expansão de 0,3% cada, e os Países Baixos cresceram 0,1%. Portugal estagnou (0%).

No caso da Irlanda, numa comparação face ao trimestre anterior, a contração da economia foi de 167,8%. O Banco central da Irlanda disse que esta foi “a queda trimestral mais acentuada do PIB de que há registo”, mas salientou que refletia “apenas um pequeno número de empresas multinacionais do setor farmacêutico”.

Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a indústria, excluindo a construção, contraiu 38,2%. O Valor Acrescentado Bruto (VAB), um indicador económico que mede o valor que os produtores acrescentam aos bens e serviços que compram, contraiu 28,5% nos setores dominados por multinacionais.

Embora o grande número de multinacionais sediadas na Irlanda distorça, frequentemente, os dados relativos à Zona Euro no seu conjunto, a queda registada no primeiro trimestre complica a tarefa do Banco Central Europeu de avaliar as repercussões da guerra no Irão e de calibrar a resposta adequada em termos de política monetária.

Os mercados antecipam um primeiro aumento das taxas de juro desde 2023 já na reunião da próxima semana, porque os responsáveis do BCE têm dado a entender que não podem ignorar o choque energético que já elevou a inflação da zona euro para 3,2%. No entanto, alguns responsáveis também receiam que os preços mais elevados do petróleo e do gás possam comprometer o desempenho económico da zona euro.

A contração homóloga registada neste primeiro trimestre reflete as pressões decorrentes da escassez de energia, do aumento da inflação associado ao conflito no Médio Oriente e a antecipação da subida dos juros pelo BCE.

O Eurostat detalha que a contração de 0,2% das exportações e de 0,3% do investimento explicam a contração homóloga do PIB da zona euro. Só o consumo das famílias (0,2%) e do Estado (0,5%) deram contributos positivos para o PIB.

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