Visabeira falha OPA sobre a Martifer ao captar poucas ações junto dos pequenos investidores

Visabeira conseguiu comprar apenas 239.263 ações dos mais de 14,4 milhões de títulos sobre a qual lançou a oferta, não conseguindo atingir o limiar mínimo de 90% para lançar uma oferta potestativa.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Visabeira Indústria sobre a Martifer chegou ao fim, com o resultado a ficar aquém do que o grupo de Viseu precisava para retirar a empresa industrial portuguesa da bolsa.

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Dos mais de 14,4 milhões de títulos que estavam no âmbito da oferta, representativos de 14,41% do capital social da Martifer, a Visabeira conseguiu adquirir apenas 239.263 ações através do serviço de centralização da Euronext, o equivalente a 0,24% do capital, segundo comunicado da Martifer ao mercado.

Com este resultado, a Visabeira Indústria, em conjunto com a I’M SGPS e a Mota-Engil, os três parceiros que formalizaram um acordo parassocial tripartido que esteve na origem desta oferta obrigatória, ficou a deter 85.827.065 ações da Martifer, o que representa 85,83% do capital social e 87,77% dos direitos de voto.

Um número que, apesar de expressivo, fica aquém do limiar crítico de 90% dos direitos de voto exigido por lei para acionar o chamado direito de aquisição potestativa, um mecanismo que permite a um acionista maioritário comprar forçosamente as restantes ações e, assim, retirar a empresa da negociação na Euronext Lisboa.

A fraca adesão dos acionistas minoritários à OPA, que oferecia 2,057 euros por ação, sinaliza que a oferta não convenceu os investidores a vender os seus títulos. Isto é, o mercado considera que a Martifer, um grupo industrial com 36 anos de existência e 18 anos em bolsa, com uma capitalização bolsista de 231 milhões de euros, valerá mais do que a contrapartida oferecida.

A Visabeira não fica, contudo, de mãos completamente atadas. O prospeto da OPA previa que, caso o limiar dos 90% não fosse atingido, a oferente poderia ainda convocar uma assembleia geral para propor a exclusão voluntária da Martifer do mercado regulamentado.

Ainda assim, essa via é mais tortuosa: implica negociações com os restantes acionistas e não tem o mesmo efeito imediato e direto do mecanismo potestativo, o que significa que, pelo menos por agora, a Martifer continua cotada na Euronext Lisboa.

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