Brent dispara com troca de ataques entre Irão e Israel

Retoma das hostilidades reacendeu as preocupações de que as perturbações no fluxo de petróleo possam persistir, numa altura em que as condições do mercado físico já se encontram cada vez mais tensas.

Os futuros do petróleo Brent, que serve de referência para a Europa, chegaram a subir mais de 5%, superando os 97 dólares por barril, após o Irão e Israel terem trocado ataques com mísseis, ameaçando comprometer os esforços de um novo cessar-fogo de 60 dias com Teerão. Um agravar de tensão que fez escalar os preços do gás natural na Europa e tombar o preço do ouro.

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O barril de Brent segue a ganhar 3,43% para os 96,23 dólares por barril, recuperando-se de uma queda registada ao longo de duas sessões, após os novos ataques que se prolongaram esta segunda-feira a petroquímicas de parte a parte, ensombrando as a proposta de trégua que visa abrir caminho para negociações mais abrangentes destinadas a pôr fim ao conflito de forma definitiva.

O Presidente norte-americano Trump apelou a ambas as partes para que evitem novas ações militares e reiterou que as negociações continuam em curso, apesar do regresso das hostilidades.

“A retoma das hostilidades reacendeu as preocupações de que as perturbações no fluxo de petróleo possam persistir, numa altura em que as condições do mercado físico já se encontram cada vez mais tensas”, sublinhou Crispus Nyaga, analista na Empire FX, numa nota enviada ao ECO.

Simultaneamente, a capacidade do mercado para absorver a quebra nos volumes de petróleo poderá vir a enfrentar maiores dificuldades, uma vez que as reservas têm vindo a diminuir de forma constante, enquanto as exportações da região sofreram uma redução significativa”, acrescentou.

O conflito prolongado e o encerramento quase total do Estreito de Ormuz têm perturbado o abastecimento energético proveniente do Golfo Pérsico, proporcionando um apoio contínuo aos preços do petróleo. Por outro lado, a OPEP+ aprovou outro aumento nas quotas de produção de petróleo para julho, no valor de 188 mil barris por dia, apesar dos riscos persistentes de abastecimento decorrentes das tensões no Médio Oriente.

“A política conturbada no Médio Oriente mantém o mercado petrolífero em estado de nervosismo“, sublinha por seu turno Norbert Rücker, analista do banco privado suiço, Julius Baer. “Com a mais recente troca de hostilidades entre Israel e o Irão, o equilíbrio de forças e a resolução do conflito mais alargado estão mais uma vez a ser postos à prova. A diplomacia continua num impasse e pode vacilar, sobretudo tendo em conta os últimos acontecimentos e os desafios que estes colocam à aliança entre os EUA e Israel”.

“Dito isto, até ao momento não se verificou uma escalada em grande escala e, olhando para o futuro, estas possibilidades diminuem gradualmente com o tempo. Embora estejamos a acompanhar de perto a situação atual, mantemos a nossa perspetiva cautelosa em relação ao petróleo. O comércio através do Estreito de Ormuz deverá continuar a expandir-se gradualmente, à medida que o pragmatismo e o oportunismo prevalecem”, defende o responsável.

E se depois dos ataques proliferam os apelos de cessar-fogo, seja do próprio Presidente norte-americano ou do primeiro-ministro britânico as ondas de choque estão a impactar os mercados. Os preços dos contratos de gás natural que são referência na Europa, o holandês Title Transfer Facility (TTF) estão a subir 4,85% para os 50,85 euros por MWH, à boleia do escala da tensão no Médio Oriente, mas também devido ao baixo nível das reservas.

Os preços do gás natural na Europa tiveram em 2025 uma trajetória descendente, mas entraram em 2026 com uma inversão abrupta desta tendência que tem vindo a ser agravada desde o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão que acabou por alastrar aos restantes países do Médio Oriente.

Já o ouro desceu abaixo dos 4.300 dólares por onça esta segunda-feira, atingindo o nível mais baixo em mais de dois meses, depois de o Irão e Israel terem trocado ataques com mísseis. Mas entretanto recuperou ligeiramente e negoceia a cair 0,13% para os 4.324 dólares por onça.

O conflito prolongado e o encerramento quase total do Estreito de Ormuz têm perturbado o abastecimento de energia proveniente do Golfo Pérsico, sustentando os preços mais elevados do petróleo e acentuando as preocupações com a inflação.

Por outro lado, os dados de emprego nos EUA, mais fortes do que o esperado, pesaram sobre o ouro, reforçando as expectativas de que a Reserva Federal possa aumentar as taxas de juro ainda este ano.

Os mercados estão agora a prever uma probabilidade de cerca de 70% de um aumento das taxas de juro pelo Fed em dezembro, acima dos cerca de 50% registados antes do relatório sobre o emprego. A queda do ouro é ainda explicada pelo “aumento generalizado das taxas de rendibilidade das obrigações dos Estados Unidos, Europa e Japão que aumentou a pressão sobre os ativos que não geram rendimento”, frisou Somesh Kapuria, CEO da Hola Prime, numa nota enviada ao ECO.

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