Maioria dos CEO considera que ‘boards’ querem adotar IA rápido demais
Estudo da BCG revela divergências nas lideranças das organizações. Quase quatro em cada dez CEO acham que os administradores não têm uma visão suficientemente informada sobre impacto da IA no negócio.
A inteligência artificial (IA) está a entrar pelas organizações adentro, mas a maioria dos presidentes executivos (CEO) considera que os Conselhos de Administração se estão a precipitar na adoção desta tecnologia, sugere um novo estudo do Boston Consulting Group (BCG).
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Confrontados com a declaração “O meu Conselho de Administração está a apressar a transformação com IA”, 61% dos CEO inquiridos pela BCG indicaram “concordar” ou “concordar fortemente”. Um indício de que consideram que os respetivos boards estão a pressionar para que a empresa avance demasiado depressa.
Adicionalmente, segundo o estudo “Split Decisions: The BCG CEOs and Boards Survey”, os CEO desejam que os seus Conselhos de Administração fossem “mais cautelosos e ponderados” na adoção de IA, enquanto os boards gostariam que os respetivos CEO fossem “mais agressivos na procura por oportunidades”. Ambos reconhecerem valor na utilização de IA, mas há divergências sobre o ritmo da implementação e sobre a preparação das empresas para que possam registar ganhos concretos.
As lacunas de conhecimento sobre esta tecnologia e o receio de ficar para trás poderão estar a contribuir para esta dinâmica no seio das empresas. “O ponto mais revelador da nossa investigação é, provavelmente, este: os Conselhos de Administração sentem-se confiantes em relação à IA, mas os CEO não confiam na capacidade dos seus Conselhos. É essa lacuna de perceção, e não de tecnologia, que irá definir quais as organizações que liderarão a era da IA e quais terão muitas dificuldades pelo caminho. Por trás de uma ilusão de alinhamento, existem cinco divisões críticas: o ritmo, a responsabilidade, a literacia em IA e o que a IA pode realmente entregar”, refere José Koch Ferreira, Managing Director & Partner da BCG Lisboa.
Embora 75% dos membros dos Conselhos de Administração considerem que os seus conhecimentos sobre IA estão ao mesmo nível ou acima dos seus pares, os CEO mostram-se menos convencidos. Quase 40% afirmam que os administradores não têm uma visão suficientemente informada sobre a forma como esta tecnologia está a transformar as estratégias de crescimento, e um terço considera que sobrestimam as capacidades humanas que a IA pode substituir.
O estudo — baseado num inquérito global realizado junto de 625 líderes, incluindo 351 CEO e 274 membros de Conselhos de Administração de empresas com, pelo menos, 100 milhões de dólares de receita anual — conclui ainda que mais de metade dos CEO consideram que os Conselhos de Administração precisam de compreender melhor a diferença entre o entusiasmo gerado pela IA e a sua aplicação prática.
Por um lado, os administradores entendem que os CEO devem comunicar de forma mais clara e consistente a estratégia de IA das organizações. Por outro, os presidentes executivos relatam sentir uma pressão crescente para demonstrar resultados concretos associados a esta tecnologia, superior àquela que os Conselhos de Administração aparentam reconhecer.
Em concreto, os CEO estimam que 35% da sua avaliação de desempenho depende do retorno do investimento em IA, comparativamente aos 27% estimados pelos administradores.
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