BRANDS' ECO “Nestes nove dias, Santarém é a capital da agricultura portuguesa”
A Feira Nacional de Agricultura regressa a Santarém com os pequenos frutos em destaque, numa edição que quer valorizar uma fileira exportadora e em crescimento, diz Luís Mira, administrador do CNEMA.
Até 14 de junho, Santarém volta a receber a Feira Nacional de Agricultura, este ano dedicada aos pequenos frutos. Em entrevista, Luís Mira, administrador do CNEMA – Centro Nacional de Exposições, explica que a escolha do tema pretende dar visibilidade a uma fileira moderna, rentável e com forte potencial de exportação, mas também sublinhar os desafios que atravessam o setor agrícola, dos custos de produção à falta de mão-de-obra, da água à próxima Política Agrícola Comum. “Nestes nove dias, Santarém é a capital da agricultura portuguesa”, assegura.
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A Feira Nacional de Agricultura (FNA) regressa este ano com os pequenos frutos em destaque. Porquê esta escolha e o que revela sobre a evolução da agricultura portuguesa?
A aposta estratégica nos pequenos frutos reflete o seu impacto na economia nacional, coloca em evidência um setor que utiliza tecnologia e que se assume hoje como uma das mais rentáveis fileiras da economia nacional. Com esta escolha, o certame procura impulsionar o reconhecimento da qualidade destes produtos e fomentar novas parcerias de negócio, reafirmando a importância vital destas culturas no setor agrícola.
A escolha deste tema está também relacionada com o potencial de crescimento desta fileira, que já garante perto de 400 milhões de euros em exportações e que promete continuar a expandir-se.
O interesse crescente pelos pequenos frutos reflete a evolução de um consumidor que é hoje muito mais consciente, exigente e informado. Para este público, estes pequenos frutos (morangos, framboesas, mirtilos e amoras) são “superalimentos” e aliados fundamentais do bem-estar, integrando-se com naturalidade nos hábitos de consumo.
A fileira dos pequenos frutos tem crescido em Portugal, tanto na produção como na exportação. Que oportunidades existem para o país nesta área?
Portugal destaca-se não só pelas condições climáticas favoráveis à produção de pequenos frutos de elevada qualidade, mas também pelo sólido conhecimento acumulado pelo setor.
O consumidor procura cada vez mais alimentos saudáveis e podemos valorizar o produto através da produção certificada, fresca e de grande qualidade. Simultaneamente, é uma área moderna e tecnológica que pode atrair mais mão-de-obra jovem e qualificada.
Queremos dar voz aos vários agentes para promover o debate e a discussão sobre os temas que afetam os agricultores e, por inerência, os consumidores
A FNA é uma montra do setor, mas também um ponto de encontro entre produtores, empresas, decisores políticos e consumidores. Que papel deve ter hoje uma feira agrícola como esta num momento de tantas mudanças no setor?
A FNA é uma mostra do que melhor se faz em Portugal e proporciona aos consumidores o contacto com uma ampla variedade de produtos que não conhecem em todas as suas vertentes.
A feira também tem o papel de chamar a atenção para as questões e vários desafios que o setor enfrenta. Neste âmbito, queremos dar voz aos vários agentes para promover o debate e a discussão sobre os temas que afetam os agricultores e, por inerência, os consumidores. Nestes nove dias, Santarém é a capital da agricultura portuguesa.
Os últimos anos têm sido particularmente difíceis para a agricultura, entre sucessivos aumentos de custos de produção, escassez de mão de obra, falta de água e instabilidade nos mercados internacionais. Que desafios é que o preocupam mais hoje?
Todos são preocupantes. Os aumentos dos custos de produção, a falta de mão-de-obra e os desafios em torno da água são determinantes, assim como a Política Agrícola Comum e a eficácia da sua implementação.
O setor agrícola tem respondido a este desafio [da sustentabilidade] e está a produzir mais com menor impacto ambiental através da ciência e da tecnologia
A agricultura é cada vez mais chamada a produzir em maior quantidade, com maior eficiência e menor impacto ambiental. O setor está a ser capaz de responder a este desafio?
O setor agrícola tem respondido a este desafio e está a produzir mais com menor impacto ambiental através da ciência e da tecnologia. A agricultura de precisão – com o uso de sensores, drones, rega gota a gota, entre outras soluções – permite que se tenha mais informação e se otimizem processos.
Que prioridades deve Portugal defender na agenda agrícola europeia para garantir que os produtores nacionais continuam competitivos?
A prioridade imediata do setor agrícola é o desenho da nova Política Agrícola Comum e o seu orçamento, assegurando que a sua execução em Portugal seja verdadeiramente eficiente.
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