Transportes de mercadorias recuam no primeiro trimestre com pressão dos combustíveis e quebra das exportações
No transporte de mercadorias registaram-se diminuições em todos os modos. O rodoviário apresentou a maior quebra (-12,7%), seguido do marítimo (-6,5%), do ferroviário (-2,1%) e do aéreo (-0,3%).
O transporte de mercadorias recuou de forma generalizada no primeiro trimestre de 2026, com quedas em todos os modos de transporte e uma contração mais expressiva no rodoviário, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta segunda-feira. A desaceleração ocorre num contexto marcado pela subida dos custos operacionais — incluindo os combustíveis — e pela quebra do comércio externo.
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Segundo dados do INE, o transporte rodoviário de mercadorias registou a maior descida, com uma redução de 12,7% face ao mesmo período de 2025, para 24,4 milhões de toneladas. O recuo foi particularmente acentuado no transporte internacional (-28%), fixando-se em 3,7 milhões de toneladas, refletindo o abrandamento das trocas comerciais com o exterior.
Nos portos nacionais, foram movimentadas 18,2 milhões de toneladas de mercadorias, o que corresponde a uma diminuição de 6,5%, com destaque para Sines, que perdeu 13% do volume movimentado. O transporte ferroviário de mercadorias registou uma quebra de 2,1% no primeiro trimestre de 2026, totalizando 1,9 milhões de toneladas.

Já o transporte aéreo de carga manteve-se praticamente estável, com uma ligeira redução de 0,3%, mostram os dados do INE.
Em contraciclo, o transporte por oleoduto aumentou 5,0% face ao período homólogo e no transporte de gás por gasoduto verificaram-se acréscimos mais acentuados tanto na entrada (+11,0%) como na saída (+11,7%).
A evolução negativa surge num contexto em que o setor tem enfrentado pressões nos custos energéticos, com impacto direto no preço dos combustíveis utilizados nas operações logísticas, um fator particularmente relevante no transporte rodoviário.
A quebra do transporte internacional de mercadorias acompanha também o enfraquecimento da atividade exportadora. Os dados do INE revelam uma quebra homóloga das exportações de bens de 6,4% no primeiro trimestre, com o seu peso a descer 1,5 pontos percentuais para 26,3% do PIB face ao período homólogo.
Transporte aéreo foi o principal motor de crescimento
O transporte aéreo voltou a ser o principal motor de crescimento, com 14,5 milhões de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais, mais 3,9% do que no mesmo período de 2025. Lisboa manteve-se como principal hub, concentrando mais de metade do total (54,2%), seguida do Porto, que voltou a destacar-se com um aumento expressivo de 8,3%.
Também o transporte ferroviário apresentou uma evolução positiva no primeiro trimestre do ano, ainda que mais moderada, com 57,6 milhões de passageiros (+0,8%). O crescimento foi sustentado sobretudo pelo tráfego interurbano (9,6 milhões de passageiros), enquanto o segmento suburbano, o mais representativo (48 milhões de passageiros), ficou praticamente estável.
Nos metropolitanos, o cenário foi de ligeira quebra, com 69,3 milhões de passageiros transportados (-2,2%), penalizado sobretudo pelo Metro de Lisboa que transportou 41,5 milhões de passageiros, refletindo um decréscimo de 4,0% face ao mesmo período de 2025. Em contraciclo, o Metro do Porto movimentou 22,8 milhões de passageiros, o que representou um crescimento homólogo de 0,8%.
O transporte fluvial também recuou, com uma diminuição de 3,1%, totalizando 5,1 milhões de passageiros, refletindo sobretudo a quebra nas ligações no rio Tejo.
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