Airbus forma consórcio para produzir caça de sexta geração como alternativa ao FCAS

  • Tiago Martins d'Oliveira e Lusa
  • 9 Junho 2026

Consórcio de oito empresas, liderado pela Airbus, quer desenvolver caça de sexta geração para a Europa, depois da Alemanha e França travarem a continuidade do projeto de aeronave de combate comum.

A Airbus planeia formar um consórcio, com oito empresas dos setores aeroespacial e defesa, para desenvolver um caça de sexta geração em alternativa ao projeto franco-alemão Future Combat Air System (FCAS), após o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, terem concordado em não continuar o projeto avaliado em mais de 100 mil milhões de euros.

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O consórcio será constituído pela Airbus Defence and Space, a Autoflug, a Diehl Defence, a Hensoldt, a Liebherr, a MBDA, a MTU Aero Engines e a Rohde & Schwarz. As oito empresas propuseram o projeto no início desta semana ao gabinete de Friedrich Merz e ao ministro da Defesa Boris Pistorius, de acordo com uma carta vista pelo Financial Times.

O grupo liderado pela Alemanha deverá anunciar a aliança ainda esta semana em Berlim, com o nome Team Gen 6, segundo adiantaram fontes próximas do assunto ao jornal britânico.

“É um sinal de que, como indústria alemã, estamos preparados para desenvolver um caça de sexta geração para a Europa, na Europa”, disse uma das pessoas, citada pelo FT.

O projeto surge depois do Governo alemão ter travado o projeto lançado em 2017, uma vez que a alemã Airbus e a francesa Dassault Aviation não conseguiram alcançar um acordo sobre a construção da aeronave de combate conjunta.

Guillaume Faury, CEO da Airbus, mostrou no mês passado otimismo em relação ao projeto FCAS e recusou a ideia de que o impasse em torno do programa fosse um sinal da incapacidade da Europa em cooperar.

Alemanha conversa com novos parceiros

Depois do anúncio da Airbus, o ministro da Defesa da Alemanha assegurou esta terça-feira que Berlim conversa há meses com parceiros alternativos sobre um novo avião de combate, mas não especificou que empresas fazem parte destas conversações.

“Veremos que caminho tomamos. Também sobre isso há meses que falamos com diferentes atores, como podem imaginar”, afirmou Boris Pistorius.

Pistorius lamentou o fracasso do projeto franco-alemão-espanhol para desenvolver caças de sexta geração. “Isto dói-me muito”, admitiu em declarações aos meios de comunicação após um encontro com o primeiro-ministro da Baixa Saxónia, Olaf Lies, citado pela agência espanhola EFE.

Todo o projeto franco-alemão que não tenha sucesso é algo de que não gosto, porque sei quão importante é a cooperação franco-alemã para a Europa”, justificou.

O ministro alemão disse que a lição a retirar e é a de que os projetos de tal magnitude, concebidos para se desenvolverem durante muitos anos, “necessitam de uma estrutura industrial e de consórcio clara”, semelhante à da Airbus.

“Com os conhecimentos que temos hoje, não voltaríamos a propor este projeto da mesma forma que se fez na altura”, admitiu.

As dificuldades da iniciativa ocorreram na sequência do desejo da empresa de armamento e aeronáutica francesa Dassault de ficar com o controlo de 80% do projeto, segundo a EFE.

O acordo inicial previa uma participação de 33% para cada um dos parceiros, que incluía também a espanhola Indra.

(Notícia atualizada às 14h02 com mais informação)

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