Bial “descontinua” desenvolvimento de novo medicamento para doença de Parkinson

Aquele que era o composto em fase mais avançada no pipeline da farmacêutica da Trofa “não atingiu o objetivo primário nem os secundários de eficácia”, deixando o CEO António Portela “desapontado”.

A farmacêutica portuguesa Bial anunciou esta terça-feira que o ensaio clínico de Fase 2b (activate) que avaliou o BIA 28-6156 em doentes com doença de Parkinson, que era o composto em fase mais avançada no pipeline da empresa, “não atingiu o objetivo primário nem os objetivos secundários de eficácia”.

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Embora o estudo forneça “informação científica relevante e contribua para uma melhor compreensão” da biologia da doença de Parkinson, “não demonstrou uma diferença significativa em relação ao placebo no objetivo primário e nos objetivos secundários principais”. “Com base na ausência de eficácia demonstrada neste estudo, a Bial decidiu descontinuar o desenvolvimento do BIA 28-6156 para esta indicação”, avança a empresa da Trofa.

“Desapontado” com o resultado do estudo, que “não confirmou a hipótese em investigação”, o CEO António Portela garante que a Bial mantém “o compromisso de continuar a desenvolver tratamentos capazes de modificar a progressão da doença de Parkinson”. Em comunicado, a empresa nortenha diz ainda que vai “comunicar os resultados desta investigação clínica de forma responsável e transparente”.

António Portela, CEO da Bial
António Portela, CEO da BialRicardo Castelo/ECO

“Embora esperássemos ter notícias mais positivas para a comunidade de Parkinson, o estudo Activate fornece informações e aprendizagens relevantes, sendo fundamental para aprofundar o nosso conhecimento sobre a doença. Vamos utilizar estes dados para informar a comunidade e para acelerar os nossos esforços no desenvolvimento de novas soluções terapêuticas nesta indicação”, salienta JoergHolenz, Chief Scientific Officer da Bial.

Caso tivesse sido bem-sucedido nesta fase — incluiu 273 doentes em 85 centros clínicos de 11 países da Europa e da América do Norte — e nas seguintes, este tratamento para aquela que é a segunda doença neurodegenerativa mais comum – afeta globalmente mais de 10 milhões de pessoas – poderia ser o terceiro medicamento desenvolvido pela farmacêutica nacional, depois de ter lançado o Zebinix (epilepsia) em 2009 e o Ongentys (Parkinson) em 2016.

Ainda na área do Parkinson, e na sequência de um acordo de licenciamento exclusivo com a norte-americana Sumitomo Pharma America para a comercialização do medicamento para a doença de Parkinson Kynmobi na União Europeia e no Reino Unido, em 2025 lançou em Portugal e em Espanha esta película que os doentes já medicados colocam sob a língua sempre que a medicação principal perde efeito.

Com produtos em mais de 50 países, a empresa nortenha tem atualmente unidades de produção e de investigação e desenvolvimento (I&D) em Portugal e conta com filiais em Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália, Suíça e nos EUA. Como parte da estratégia de internacionalização, e com a marca corporativa renovada pela Ivity no verão passado, tem também várias parcerias e acordos de licenciamento a nível mundial.

Já este ano, confirmado numa comunicação à Autoridade da Concorrência, a Bial reforçou o seu stock com a aquisição do controlo sobre seis medicamentos da britânica GlaxoSmithKline para o tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica e da asma.

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