Bitcoin já vale menos de metade desde máximos de outubro
Criptomoeda acentuou tendência negativa após notícia de que Strategy vendeu 32 bitcoin na última semana de maio, algo que não acontecia desde 2022.
Depois de ter ultrapassado a marca dos 126 mil dólares em outubro, a bitcoin intensificou nas últimas sessões a pressão vendedora, com a cotação da criptomoeda a voltar aos 60 mil dólares, menos de metade do seu máximo histórico. O gatilho para esta correção foi a Strategy, que, num movimento contrário ao dos últimos anos, se desfez de algumas das bitcoins que detinha e contribuiu para o pessimismo em torno da moeda virtual. Um sentimento que poderá levar a cotação a negociar em torno dos 50 mil dólares ainda este ano.
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A bitcoin esteve a desvalorizar mais de 6% na última sexta-feira, para negociar num mínimo diário nos 59.159 dólares, o valor mais baixo desde outubro de 2024 e um quebra de mais de 53% face ao recorde de 126.198,07 dólares registado há sete meses. Segundo os dados da plataforma de preços CoinMarketCap, apenas no último mês a criptomoeda tombou mais de 25%.
Bitcoin em mínimos de outubro de 2024

A alienação de 32 bitcoins pela Strategy, a empresa de Michael Saylor, que é conhecida por ser uma “arca do tesouro” desta criptomoeda, adicionou pressão ao mercado. Apesar do negócio, que gerou 2,5 mil milhões de dólares, ser apenas uma posição residual do portefólio de 845.256 bitcoins detidas atualmente pela empresa, deu um sinal negativo ao mercado, uma vez que é a primeira vez desde 2022 que a Strategy se desfaz destes ativos e a segunda desde que Michael Saylor começou a investir na criptomoeda, em agosto de 2020.
Para Peter Schiff, comentador financeiro e conhecido cético em relação ao investimento em criptomoedas, a mudança de estratégia da Strategy é um sinal que poderão estar no horizonte novas quedas. “Não foi essa pequena venda que provocou a queda, mas sim a ideia de que poderá ser a primeira de muitas vendas muito maiores”, escreveu na sua rede social X.
Depois de um boom, que levou as criptomoedas a novos máximos, na ressaca da vitória de Donald Trump — defensor do investimento em criptoativos — à Casa Branca, as criptomoedas iniciaram uma espiral descendente, com os investidores a voltarem a focar a sua atenção da subida das grandes tecnológicas, animadas pela inteligência artificial.
A bitcoin, que já tinha recuado para pouco mais de 60.000 dólares (60.062 dólares) em fevereiro passado, baixou os mínimos registados por essa altura, voltando a níveis de outubro de 2024 e abaixo dos 67.000 dólares a que a criptomoeda negociava na véspera da eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, em novembro do mesmo ano, depois de o Republicano ter prometido transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas”, sustentando a ascensão da bitcoin.
Segundo os especialistas citados pela CNBC, cerca de 80% antecipa que a bitcoin deverá baixar os 60 mil dólares em 2026, enquanto mais de metade antecipa que a criptomoeda pode cotar abaixo dos 50 mil dólares este ano.
Investidores focam-se nas ações
Segundo os analistas, as quedas têm sido aceleradas pela saída de muitos traders de retalho, que têm abandonado as suas posições nos criptoativos para se focarem no mercado de ações, que tem negociado em território de recordes, com o otimismo sobre a IA a ofuscar o impacto da guerra no Irão.
A oferta pública inicial (IPO, na sigla anglo-saxónica) da SpaceX, de Elon Musk, que procura levantar alcançar uma avaliação de 1,78 biliões de dólares naquela que poderá ser a maior entrada em bolsa de sempre também têm contribuído para o otimismo no mercado acionista.
“Os investidores de retalho desapareceram completamente do mercado”, realça Jasper de Maere, estratega e trader da Wintermute, uma empresa de negociação de criptomoedas, citado pelo Financial Times. “Esses investidores estão a voltar a direcionar o seu capital para as ações”, garante.
De Maere acrescentou que é difícil identificar quais poderão ser as futuras fontes de procura para o bitcoin e outras criptomoedas. “É difícil prever a direção que o mercado irá tomar”, reconhece.
Entretanto, esta segunda-feira, um comunicado divulgado à Securities and Exchange Commission (SEC), o regulador do mercado norte-americano, dá conta que a Strategy voltou às compras na semana passada. No total, comprou 1.550 bitcoin por 101,3 milhões de dólares, a um preço médio de 65.332 dólares por bitcoin. Apesar desta aquisição, o sentimento em torno da criptomoeda mantém-se longe da euforia que viveu durante grande parte do último ano.
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