Espanha pede à Indra “análise imediata” ao fim do projeto do caça europeu
Espanha estava, em consórcio com França e Alemanha, a desenvolver o futuro caça europeu, entretanto, 'cancelado'. Avaliado em 100 mil milhões, o FCAS deveria dar fruto a partir de 2040.
Espanha pediu à Indra uma “análise imediata” ao impacto do fim do projeto do caça europeu, o Sistema Aéreo de Combate Futuro (FCAS) no qual o país estava no consórcio, juntamente com França e Alemanha. O projeto, avaliado em 100 mil milhões de euros, foi oficialmente descontinuado esta segunda-feira. Previa a entrega a partir de 2040 de caças para substituir os Eurofighter e Rafale atualmente em serviço.
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“Ontem recebemos a notícia (do fim das negociações entre França e Alemanha a respeito do FCAS). Solicitaremos à empresa [Indra] que analise e apresente sua análise imediata de certas questões governamentais entre França e Alemanha que impactam esses projetos europeus”, disse Belén Gualda, citada pelo jornal Expansión. A presidente da SEPI (Empresa Estatal de Investimentos Industriais), braço de investimento do governo espanhol, falava na Comissão Conjunta de Segurança Nacional do Congresso, para responder sobre a crise de governança na Indra, que resultou na renúncia de Ángel Escribano da presidência e na nomeação de Ángel Simón para o cargo.
“Espanha apoiava este projeto conjunto. Compreendemos e esperamos, e claro, nós da SEPI faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, enquanto acionistas da Indra (28% do capital) e da Airbus (4,12%), que pertencem ou participaram neste projeto FCAS, para garantir que a proposta não diminua a autonomia da indústria de defesa europeia”, disse ainda.
Entretanto, foi noticiado que a Airbus, uma das empresas envolvidas no consórcio, estará a preparar um consórcio com várias empresas para avançar com um novo caça europeu.
“Preocupante e grave”, avalia Madrid
Entretanto, o Governo de Espanha veio considerar “preocupante e grave” o fracasso do projeto franco-alemão-espanhol para construir um caça europeu de nova geração e disse que interesses da indústria se sobrepuseram aos da segurança da Europa.
“Pelo lado de Espanha vamos fazer todo o possível para que este projeto tenha outra via”, disse hoje a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, em declarações a jornalistas em Madrid.
A ministra disse que o projeto do caça de sexta geração é “absolutamente imprescindível” e considerou que existem “muitas alternativas” que os Governos da Alemanha, França e Espanha podem trabalhar.
“Sobrepuseram-se interesses da indústria à segurança da Europa”, disse Margarita Robles sobre a suspensão do projeto europeu conhecido como Futuro Sistema Aéreo de Combate (FCAS), o que qualificou como “fracasso” e disse ser “preocupante e grave”.
“Espanha precisa de um avião de sexta geração. E a Europa precisa de programas conjuntos, muito mais neste momento em que a proteção do espaço aéreo é essencial como estamos a ver”, acrescentou. A ministra considerou que este caso é um sintoma do “fracasso das políticas de segurança e defesa da União Europeia”.
Também a Bélgica lamentou o abandono do projeto, com o primeiro-ministro, Bart De Wever, a considerar que se trata de “estupidez” que ilustra “a arrogância” dos parceiros franceses e alemães.
“Fiquei extremamente desapontado ao ler que a França e a Alemanha não conseguiram chegar a acordo sobre o desenvolvimento [deste projeto]. Que perda de tempo, que arrogância”, disse Bart De Wever, citado pela agência de notícias AFP.
O primeiro-ministro belga considerou que num contexto marcado pela ameaça russa e pelo afastamento dos Edtados Unidos, aliado tradicional da Europa, é indispensável que os países europeus encarem a sua defesa de forma coletiva, com projetos comuns, especialmente no domínio da defesa aérea.
“Pensar que se pode desenvolver um avião de combate sozinho, ou fazê-lo mais rapidamente sozinho, é simplesmente ignorar a realidade. É pura estupidez”, afirmou.
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