Fusões e aquisições caem 31% até maio. Compra da EDP no Brasil é negócio do mês

Mercado transacional, que contraiu quer em volume quer em valor, movimentou cerca de 2,2 mil milhões de euros nos primeiros cinco meses do ano. M&A caminha para novo semestre a encarnado.

ECO Fast
  • Portugal enfrenta uma queda significativa nas fusões e aquisições, com um total de 2,2 mil milhões de euros movimentados nos primeiros cinco meses de 2026, uma descida de 31,6%.
  • Os setores imobiliário e tecnológico destacam-se como os mais ativos, com 27 transações cada, enquanto o segmento de serviços de apoio empresarial cresceu 89% para 17 transações.
  • A EDP e a MDS Portugal realizaram transações notáveis, com a EDP a integrar ativos no Brasil e a MDS a adquirir a Porto Seguro, refletindo uma reestruturação no mercado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Portugal continua em compasso de espera pelo fecho dos grandes negócios que estão em curso para que o mercado de fusões e aquisições volte a recuperar. Nos primeiros cinco meses deste ano, as operações de Mergers & Acquisitions (M&A) que envolveram empresas portuguesas movimentaram 2,2 mil milhões de euros, o que representa uma queda de 31,6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os dados da plataforma TTR enviados ao ECO.

O número de transações, anunciadas e concluídas entre janeiro e maio, também diminuiu 31,7% em termos homólogos, para 181. Num período marcado pela guerra no Médio Oriente, os negócios de compras e vendas de empresas representaram cerca de 44% do mercado transacional, seguindo-se a compra de ativos, o capital de risco (venture capital) e o investimento privado (private equity).

Apesar de o valor acumulado ter caído em proporção semelhante ao do volume, importa realçar que menos de um terço (29%) dos negócios teve os seus preços publicados.

Quanto aos setores de atividade, destaca-se o imobiliário e a tecnologia (ou ‘Internet, software e serviços de tecnologia da informação’), que se mantêm como os mais ativos em 2026, com 27 transações cada. A completar o pódio de indústrias mais dinâmicas ficaram os serviços de apoio empresarial e profissional, cujo crescimento foi de 89% para 17 transações. Aliás, este segmento – onde se inserem as consultoras, os escritórios de advogados, analistas financeiros e técnicos de recursos humanos – foi o único que reportou uma subida nestes cinco meses.

No âmbito transfronteiriço (cross-border), Espanha foi o país que fez mais investimentos em Portugal neste período, num total de 15. Na mesma linha, as empresas portuguesas escolheram o país vizinho e também o Reino Unido como principais destinos de investimento, com 19 e seis transações, respetivamente.

Observando apenas o movimento transacional no mês de maio, registaram-se 23  fusões e aquisições, entre anunciadas e concluídas, com um valor total de  718,76 milhões de euros. Segundo os analistas da TTR, as maiores do mês foram protagonizados pela EDP e pela corretora de seguros MDS.

A integração da EDP no Brasil, avaliada em quase 700 mil milhões de euros (4,1 mil milhões de reais), sobressaiu, porque a EDP decidiu integrar os ativos da EDP Renováveis (EDPR) no Brasil e reajustar os portefólios para se focar em mercados com maior potencial de crescimento. Na prática, a EDP Brasil adquiriu 100% da EDPR Brasil.

“Esta transação permite à EDPR reforçar o seu foco em mercados de crescimento com rating A, para Eólico, Solar e Baterias (BESS), cujo peso no EBITDA aumenta de cerca de 90% para mais de 95%, maioritariamente nos Estados Unidos da América e na Europa”, explicou a energética liderada por Miguel Stilwell d’Andrade, acrescentando que a melhoria associada dos níveis de alavancagem financeira suporta a flexibilidade na execução do plano de investimentos, rotação de ativos e desinvestimentos pela EDPR.

Logo depois, surge uma troca de acionistas nas companhias de seguros. Mais precisamente o facto de a MDS Portugal ter adquirido 100% do capital da Porto Seguro, a seguradora que era detida pela Futebol Clube do Porto SAD a 90%, pelo clube do Dragão a 5% e pelo seu gestor António Vasconcelos, histórico profissional da atividade seguradora em Portugal. O enterprise value (valor empresarial) foi fixado em 10 milhões de euros.

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