Queda do petróleo abranda após nova ameaça de Trump ao Irão
Cotação do barril de Brent esteve a cair cerca de 4%, mas atenuou para quedas em torno dos 2% após o presidente dos Estados Unidos ter dito que ia "responder" a ataque de Teerão.
O mercado petrolífero tem estado esta terça-feira a reagir ao apaziguar do conflito no Médio Oriente, mas a tendência pode inverter-se com os mais recentes desenvolvimentos na guerra. O valor do petróleo esteve a cair mais de 4%, depois de o Irão e Israel terem seguido o pedido de Donald Trump para suspenderem os ataques mútuos; a desvalorização acabou por atenuar a perante uma nova ameaça da Casa Branca.
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A cotação do barril de Brent, o crude do Mar do Norte que serve de referência para a Europa, desvaloriza 2,89% para os 91,38 dólares, enquanto o valor do WTI, produzido no Texas, desce 3,32% para os 88,27 dólares por barril. Há pouco mais de uma hora, o preço do ouro negro caminhava para o fecho mais baixo em sete semanas.
Na bolsa de Lisboa, este movimento penalizou as ações da Galp Energia, que lideraram as perdas do PSI ao cair 2,44% para 18,98 euros cada. A queda dos títulos da petrolífera empurrou a praça lisboeta para o encarnado, que terminou a sessão que antecede as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas com uma contração de 0,32%, acompanhando o sentimento pessimista de outras congéneres europeias, como os índices alemão DAX, o espanhol IBEX 35 ou o britânico FTSE 100.
“Os ataques que ocorreram no fim de semana entre Israel e o Irão colocaram em causa o frágil cessar-fogo na região. Sob pressão de Washington, ambas as partes suspenderam novos ataques. A contenção da situação ajudou a acalmar os receios dos mercados, permitindo que as empresas recuperassem parte das perdas anteriormente sofridas”, explicaram os analistas da XTB, em research.
Porém, esse abrandamento das tensões foi efémero. Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos disse que o Irão abateu o helicóptero Apache norte-americano que patrulhava o Estreito de Ormuz na última noite e, apesar de os dois tripulantes terem escapado com vida, “os Estados Unidos têm, necessariamente, de responder a este ataque”. Teerão nunca prometeu tréguas durante muito tempo – aliás, informou que retomaria as hostilidades caso Israel continuasse a atacar o seu aliado, o grupo Hezbollah, no Líbano.
O episódio desta noite sobe (ainda mais) a tensão nos esforços para negociar um acordo de paz que ponha fim à guerra no Médio Oriente e reabra o Estreito de Ormuz, que é uma via fundamental para o comércio internacional de energia e outras matérias-primas e, antes do início de março, transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, de acordo com a agência Reuters.
Fluxo de petróleo no estreito está a aumentar “de forma significativa”
Entretanto, o secretário da Energia dos EUA veio garantir que o fluxo de petróleo bruto através do estreito de Ormuz está a aumentar, apesar do bloqueio iraniano, embora tenha alertado que a normalização completa dos fluxos comerciais levará algum tempo.
Durante uma conferência organizada pelo centro de estudos Atlantic Council em Washington, Wright referiu que o tráfego de navios na zona estratégica está a crescer “de forma significativa”, apesar dos mais de três meses de conflito entre Washington e Teerão.
No entanto, precisou que serão necessários vários meses de estabilidade duradoura para que os envios de petróleo e de outras matérias-primas essenciais, como enxofre, hélio e lubrificantes, recuperem plenamente os seus níveis habituais.
“Passarão muitos meses até se recuperarem os fluxos energéticos normais”, afirmou o secretário da Energia dos EUA, citado pela EFE. Além disso, considerou que o impacto da guerra na economia tem sido “muito mais moderado” do que o esperado.
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