Rangel considera alterações ao acordo da base aérea dos Açores

  • Lusa e eRadar
  • 9 Junho 2026

O ministro dos Negócios Estrangeiros admitiu que o acordo do uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos deverá ser revisto, mas defendeu que só após a crise no Médio Oriente.

O ministro dos Negócios Estrangeiros admitiu, esta terça-feira, que o acordo do uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos deverá ser revisto, mas defendeu que só após a crise no Médio Oriente, remetendo esclarecimentos para uma audição parlamentar.

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Em entrevista à RTP/Antena 1, Rangel afirmou que a atual conjuntura internacional demonstra que o mundo atravessa uma profunda transformação estratégica, o que reforça a necessidade de reavaliar instrumentos negociados há cerca de três décadas.

“Passaram 30 anos sobre o acordo que foi feito”, argumentou Rangel, “é natural que haja muitos ajustamentos a fazer” num contexto internacional que considera substancialmente diferente daquele que existia em meados da década de 90.

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu, contudo, que uma eventual revisão do acordo das Lajes não deve ser feita sob a pressão dos acontecimentos atuais no Médio Oriente. “Quando se dissipar e se resolver este conflito, essa seria uma altura para começar a pensar nisso”, explicou.

Questionado sobre a utilização da infraestrutura açoriana pelos Estados Unidos durante as operações militares relacionadas com o Irão, Rangel rejeitou a ideia de que Portugal tenha servido de base para o conflito, sublinhando que Lisboa sempre defendeu uma solução diplomática.

Segundo o ministro, a utilização das Lajes continua sujeita a condições previamente estabelecidas por Portugal, incluindo a exigência de que qualquer ação seja uma resposta a um ataque, respeite os princípios da necessidade e proporcionalidade e não tenha como alvo civis.

Recentemente, o secretário de Estado dos Estados Unidos da América, Marco Rubio, elogiou Portugal pela forma como tem autorizado a utilização das Lajes, o que provocou críticas da oposição e até propostas de comissão de inquérito.

O ministro indicou ainda que voltará ao tema durante uma intervenção no Parlamento prevista para meados de junho.

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