Há uma casa portuguesa contemporânea em Copenhaga
Até 12 de junho, a embaixada de Portugal na Dinamarca organiza a exposição "Momentum", uma seleção de objetos de design portugueses, com o apoio da AICEP.
O número 31 da Toldbodgade, frente ao hotel Admiral, em Copenhaga, serviu, no passado, de armazém de apoio ao porto de Copenhaga e é hoje a embaixada de Portugal na Dinamarca. É também o espaço onde a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal inaugura a exposição Momentum – Portuguese Design Exhibition, “uma casa portuguesa de design contemporâneo à beira-mar”, na descrição feita ao ECO Avenida pelo curador, o designer português Miguel Soeiro. Com muitas referências ao oceano.
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Esta exposição faz parte do festival 3 Days of Design Copenhagen, que há um ano reuniu 470 marcas e realizou mais de 600 eventos em torno do design. A dimensão do evento é dada, ao ECO Avenida, pela conselheira portuguesa da AICEP na Dinamarca, Maria João Veiga Gomes. “Este ano espera-se uma projeção ainda maior”, diz, a partir da capital dinamarquesa e da embaixada, onde se ultimava a montagem desta mostra do trabalho de 24 empresas (e designers) nacionais, abrangendo os setores do mobiliário, cerâmica, têxteis, pedra, metal, couro e design de produto.
“A minha ideia foi recriar uma casa portuguesa de design contemporâneo português – tudo desenhado e produzido em Portugal -, e fui buscar empresas que tivessem nos seus portefólios objetos que pudessem compor esta casa”, explica Miguel Soeiro. “Desde o cabide até à cómoda, à mesa de jantar, às cerâmicas…Fui buscá-los a 24 empresas que achei que poderiam representar o nosso país”.

“Tentei casar as duas coisas – indústria e design de autor – e ir buscar algumas coisas a editoras como a Zerodois ou a Branca Lisboa, “que focam essencialmente no design de autor, peças mais exclusivas, para um âmbito mais residencial e menos de hotelaria, mas também fui buscar cerâmica utilitária como a Matos Cerâmica, que é um monstro da nossa produção, uma das joias da coroa, algum artesanato, como a Darono, que apresenta uma nova vertente do design e uma nova forma de produzir”.
Pelas contas de Maria João Veiga Gomes, metade destas empresas já terá distribuição e contactos comerciais com a Dinamarca, e para todas será uma montra do que se faz em Portugal, um equilíbrio “entre tradição e inovação”, salienta a conselheira. A Adico, célebre pelas suas cadeiras tão típicas das esplanadas portuguesas, já tem representação na Dinamarca, já participou na 3 Days of Design e este ano vai aparecer em parceria com outras marcas dinamarquesas. Pelo terceiro ano consecutivo, marca também presença a De La Espada, uma marca baseada em Londres e produzida em Portugal.
É a segunda vez, após quase uma década de interregno, que Portugal participa no 3 Days of Design. E é o reconhecimento da importância do evento que levou a este regresso. “Para algumas marcas já é mais importante do que as semanas de design de Paris ou Milão”, reflete Maria João Veiga Gomes. “Neste momento é o evento mais badalado e com mais disseminação nos media, correm muitas notícias à volta deste evento”, acrescenta o curador Miguel Soeiro, designer e professor universitário no IADE. “Há muito interesse por parte de empresas nacionais. Vêm pessoas de todo o mundo visitá-lo”.

O interesse por Portugal chegou da parte da própria organização do 3 Days of Design, a muitos quilómetros de distância, durante a exposição internacional de Osaka, Japão. No pavilhão de Portugal, “que até foi premiado”, como lembra a conselheira da AICEP, passava um filme que chamou a atenção da organização do festival dinamarquês, From The Ocean’s Point of View. Vai ser projetado nestes dias e “está perfeitamente alinhado com o tema do 3 Three Days of Design”, afirma a conselheira da AICEP. “Vamos potenciar esta mensagem e basear nisto o conceito da exposição Momentum, com marcas curadas pelo Miguel Soeiro, todas equilibrando “tradição e inovação, economia circular e materiais naturais”, refere Maria João Gomes. A somar a esta casa, a embaixada programou “um conjunto de 20 eventos em que, para além destas 24 empresas, vêm outras que lançam produto, fazem talks, workshops...”
“As empresas lançam produtos e usam este espaço como seu para desenvolverem contactos”, refere a conselheira da AICEP. “Abordar o mercado é mais do que apresentar uma peça e ir embora, e organizar uma exposição por si só faz sentido se tiver associada uma programação que gere oportunidades de negócios com o ecossistema dinamarquês”, defende. Um dos momentos previstos é a visita à exposição guiada pelo curador Miguel Soeiro para profissionais da Dinamarca. “Vai haver aqui coisas interligadas que vão dar uma ideia de Portugal que é tradição, inovação e preservação dos oceanos”.
Nós temos oceano e a Dinamarca não tem um sítio que esteja a mais de 50 quilómetros do mar, é um ponto comum que nos leva sempre a ter um tema de conversa”, diz Maria João Gomes. E como o 3 Days of Design começa no Dia de Portugal, a exposição soma-se às celebrações. A embaixada recebe mais de 400 convidados e a comunidade portuguesa na Dinamarca, “fazendo esta ligação com empresas e embaixadas de outros países e promover o 3 Days of Design”, que termina a 12 de junho.
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