KKR destaca melhor desempenho em Espanha

  • Servimedia
  • 10 Junho 2026

A empresa de investimentos KKR considera que Espanha está entre os mercados mais bem posicionados da periferia europeia.

A KKR, empresa de investimentos, coloca a Espanha entre os mercados mais bem posicionados da periferia europeia, que está a evoluir de forma mais favorável do que as principais economias industriais do continente, de acordo com o seu relatório de perspetivas macroeconómicas de meados de 2026.

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Dentro da Europa, a KKR prevê que a periferia, incluindo a Espanha, continue a apresentar um desempenho relativo superior em relação ao núcleo industrial. De acordo com o relatório, a próxima fase da procura será menos impulsionada pelas exportações e mais pelo investimento público ligado à segurança energética, à defesa, à modernização das redes e à resiliência industrial.

Neste contexto, a periferia parte de uma posição mais vantajosa para captar esse crescimento, apoiada ainda no dinamismo dos serviços e do turismo. Esta divergência regional reflete-se em dados como o aumento do investimento em Espanha, que cresceu cerca de 20% nos últimos quatro anos, face a uma queda de cerca de 5% na Alemanha.

O relatório, intitulado “O Dilema da Divergência”, defende que a economia mundial continua a expandir-se, embora de forma desigual, à medida que entra numa fase de divergência cada vez mais acentuada. “O ciclo não terminou, mas está a tornar-se mais seletivo”, assinala Henry McVey, CIO do Balance General da KKR e responsável pela Macro Global e Alocação de Ativos.

Na Europa, a equipa defende que a região não está a enfraquecer de forma uniforme, mas sim a bifurcar-se. Neste contexto, a periferia europeia, com a Espanha entre os mercados em destaque, está a evoluir melhor do que as grandes economias industriais europeias, graças à procura interna, ao turismo e ao investimento impulsionado pela despesa pública.

A equipa denomina este ambiente de “Dilema da Divergência”, um contexto macroeconómico e de mercado em que um aumento cada vez mais abrangente da produtividade prolonga o ciclo económico, enquanto a fragmentação geopolítica, as preocupações com a segurança energética e a concorrência estratégica contribuem para manter uma inflação estruturalmente mais elevada.

Entre as principais conclusões, a KKR destaca que os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial começam a manifestar-se em 2026. Desde a pandemia, as melhorias de produtividade têm sido impulsionadas principalmente pela automatização e digitalização do setor de serviços, o que sugere que este ciclo poderá ser mais abrangente e duradouro do que qualquer onda tecnológica isolada.

O relatório também aponta que é provável que a inflação se mantenha estruturalmente acima das expectativas do consenso em todas as regiões, com exceção da China, enquanto o ciclo global de descidas das taxas de juro está a perder força. No final de maio de 2026, 10% dos 30 principais bancos centrais do mundo estavam a aumentar as taxas, contra 3% no final de 2025, enquanto apenas 40% continuavam a reduzi-las.

Além disso, a KKR salienta que, neste ciclo, são os governos, e não as empresas ou os consumidores, que apresentam um excesso de alavancagem. Consequentemente, as obrigações estão a demonstrar uma maior correlação com as ações, reduzindo o seu papel tradicional como amortecedores de risco nas carteiras.

Perante este cenário, o relatório recomenda aos investidores que se concentrem em ativos de maior qualidade, diversifiquem para ativos ligados ao PIB nominal e priorizem investimentos apoiados em melhorias operacionais. Esta visão leva a equipa a privilegiar cisões corporativas, fluxos de caixa apoiados por ativos, infraestruturas energéticas e elétricas, bem como investimentos ligados à crescente importância da segurança.

A temática da Segurança de Tudo, segundo o relatório, é mais ampla do que se pensava inicialmente e vai além da defesa, abrangendo alimentação, água, energia e matérias-primas estratégicas. Segundo a equipa, a segurança está a tornar-se uma prioridade estratégica para empresas e governos.

Ao mesmo tempo, a equipa mantém uma postura mais cautelosa em relação aos títulos do Tesouro de longo prazo, às operações altamente alavancadas iniciadas em 2021, à exposição aos consumidores com rendimentos mais baixos e aos ativos que dependem de um regresso ao antigo ambiente de inflação baixa, taxas reduzidas e liquidez.

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