Mulheres com ECO. A inovação é um bichinho de contaminação
Ana Casaca, da Galp, e Helena Freitas, da Sanofi, discutem o estado da arte da inovação das empresas e como podemos ajudar a libertar as equipas para a busca de melhores soluções.

O que une Ana Casaca e Helena Freitas? Ambas mulheres, ambas trabalham em empresas com presença internacional, e ambas lidam com a inovação como o motor para um futuro melhor. Esta foi a premissa de base para uma conversa da rubrica Mulheres com ECO, que juntou a diretora de inovação da Galp, Ana, e a CEO da Sanofi em Portugal, Helena.
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Mas, começando pelo princípio, o que é isso de inovação? E será que há um gene da inovação, com o qual algumas pessoas nascem e outras não?
“Não posso dizer que existe um gene da inovação. Porque sou microbióloga de formação de base, acho que a inovação é um bichinho. Ao longo dos anos, vamos aprendendo a perceber como é que se faz inovação, a importância e o valor acrescentado que podemos trazer às nossas instituições se de facto conseguirmos colaborar internamente e externamente e trazendo cada vez mais inovação e acabamos por aprendermos que as empresas constantemente estão à procura de se tornar melhores ou então não vão conseguir competir e não vão conseguir criar valor para os seus colaboradores e para os seus clientes”, afirma Ana Casaca. “Portanto, diria, é mais um bichinho que contamina do que propriamente um gene“, acrescenta.
As empresas ou constantemente estão à procura de se tornar melhores ou então não vão conseguir competir e não vão conseguir criar valor para os seus colaboradores e para os seus clientes.
Helena Freitas lidera a operação nacional da farmacêutica de origem francesa e tem quase por obrigação inovar, num mundo da saúde que vive dos saltos trazidos pela investigação e desenvolvimento. “Sou economista de formação, venho das ciências sociais, diria que a inovação é uma questão de atitude. O pensarmos em inovar é pensar fazer diferente, não necessariamente diferente do que o outro já fez, mas às vezes diferente do que eu faço no meu dia-a-dia.”
“Para inovar, dizemos sempre que queremos fazer diferente. E fazer diferente porquê? Porque trazemos mais-valias ao fazê-lo. Até podemos fazer sempre igual. E não tem mal fazer igual desde que se meça, desde que se avalie e se considere que não mexer está tudo bem. Mas se olharmos para o mundo em constante mutação, olharmos para a tecnologia em constante evolução, é natural que queiramos inovar”, acrescenta Helena Freitas, que não deixou de abordar o efeito da colaboração: “como dizia a Ana, é o bichinho da contaminação”.
A inovação é uma questão de atitude. O pensarmos em inovar é pensar fazer diferente, não necessariamente diferente do que o outro já fez, mas às vezes diferente do que eu faço no meu dia-a-dia.
E, na área da saúde, sem inovação tudo acaba por ficar para trás. “Na área da saúde, diria que é inevitável. Porquê? Porque a nossa investigação é precisamente o sinal da evolução das tecnologias de saúde. Quando olhamos para um medicamento, para uma vacina, para um dispositivo médico, a inovação é fundamental para trazer resposta àquilo que ainda não sabemos”, diz a Country Lead da Sanofi.

Mulheres nas STEM: muito caminho feito, muito caminho por fazer, sobretudo no topo
Ana Casaca está na área da energia, Helena Freitas na da saúde, mas continua a haver um problema de representação, sobretudo nos cargos mais acima, das mulheres nos campos habitualmente designados de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics, em inglês). Como estamos a evoluir?
“Na área da saúde, diria até que as mulheres estão em maioria, se quisermos falar em termos de números absolutos. O que também temos de perceber é em lugares de liderança. Esse ainda continua a ser o desafio“, afirma Helena Freitas.
Para a diretora de inovação da Galp é necessário, “nesta altura, cada vez mais de falar sobre a importância de ser, de facto, inclusivos by design“. E dá um exemplo prático. “Tenho a sorte hoje de estar num Conselho Europeu de Inovação onde 50% são mulheres, 50% são homens. E foi by design. Portanto, existiram cerca de mil candidaturas e foram 15 pessoas escolhidas e cinco passaram do mandato transato. São dez mulheres e dez homens. E, verdadeiramente, é a primeira vez que estou num board onde tenho 50-50 e a abertura à discussão é diferente. De facto existe uma energia diferente, um ambiente diferente onde todos falam”, ilustra.

Sobre a diversidade, as responsáveis lembram que esse tema não é apenas de género, mas também de idade e de percurso de vida. E que o contacto e a colaboração com áreas diferentes ajuda a encontrar novos pontos de vista.
Nesta conversa, a que pode assistir na íntegra no vídeo abaixo, falou-se ainda de Europa, de vacinas e até…de Fórmula 1.
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