BCE interrompe pausa de um ano e sobe juros para conter inflação

Guerra no Médio Oriente força banco central a apertar novamente a política monetária para travar escalada dos preços. BCE anuncia subida de 25 pontos base. Mercados antecipam mais um aumento este ano.

O Banco Central Europeu (BCE) voltou a subir as taxas de juro de referência na Zona Euro, interrompendo uma pausa de um ano, numa decisão que visa conter uma nova escalada dos preços na região por causa da guerra no Médio Oriente.

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Em comunicado, o banco central explica que a subida das três taxas de juro em 25 pontos base visa “assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo”. “A decisão apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro”, defende a instituição.

Esta decisão já era amplamente esperada e coloca a taxa de facilidade de depósitos nos 2,25%, enquanto as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez sobem para 2,40% e 2,65%. E não será a última subida deste ano, com os mercados a apontarem mais um aumento de 25 pontos base numa das próximas reuniões.

O BCE salienta que as perspetivas permanecem incertas, “com riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento económico”. De resto, as novas projeções do staff técnico do BCE trazem um agravamento das perspetivas para a evolução dos preços e do PIB. Mas calcular as “plenas implicações da guerra para a inflação e o crescimento” dependerá da “intensidade” e da “duração” do choque sobre os preços dos produtos energéticos e da magnitude dos efeitos indiretos e de segunda ordem, avisa a autoridade monetária.

Em todo o caso, o BCE diz que esta decisão coloca a instituição bem posicionada para lidar com a incerteza provocada pela guerra. “As decisões do conselho sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. O conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica“, afirma.

Ao agravar o preço do dinheiro, o BCE tenta condicionar a procura das famílias e empresas e dessa forma aliviar a pressão sobre os preços que se vem acumulando desde o início do conflito entre EUA e Israel e o Irão, no final de fevereiro.

Por conta do disparo dos preços da energia, incluindo do barril de petróleo que chegou a superar a barreira dos 100 dólares, a taxa de inflação na Zona Euro acelerou para os 3,2% em maio, o valor mais elevado em três anos e a fugir do objetivo de 2% que o banco central vê como apropriado para a economia. Em fevereiro, a taxa de inflação estava nos 1,9%.

Mas a medida também tem um impacto negativo no crescimento económico, numa altura em que a região da moeda única já está em contração: o PIB da Zona Euro caiu 0,2% no primeiro trimestre — a primeira queda desde 2022 — e muitos temem um cenário de estagflação.

Nas últimas semanas, a guerra parece ter entrado numa nova fase de maior contenção, com EUA e Irão a tentar chegar a um acordo para colocar um ponto final definitivo no conflito, não obstante os ataques de parte a parte que os analistas consideram ser pontuais e sem representar uma nova escalada das tensões.

Embora se mantenha um elevado grau de incerteza em relação ao desfecho deste conflito, o impacto da guerra já se faz sentir junto das famílias. Não só nos preços, mas também num agravamento da prestação da casa, refletindo na prática as expectativas dos mercados em relação à evolução das taxas do BCE.

O banco central tinha subido as taxas de juro pela última vez em setembro de 2023, há quase três anos. Nessa altura, agravou os juros dos depósitos para os 4%, quando a inflação estava acima dos 4% no rescaldo da invasão da Rússia na Ucrânia. Desde junho do ano passado que a taxa estava congelada nos 2%.

(notícia atualizada às 13h33)

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