Cortejo de trajes de papel do Porto e vela votiva de Santa Marta de Portuzelo já são Património Cultural Imaterial
Em consulta pública está a integração da "Dança da Morgadinha - Cavalhadas de Teivas" (Viseu) no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
O “Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu” que, este ano se realiza a 30 de agosto, na marginal da Foz do Douro (Porto), e a “Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo” (Viana do Castelo) passaram a ser Património Cultural Imaterial, por decisão publicada em Diário da República nesta quinta-feira. Já a integração da “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas” (Viseu) no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial está em consulta pública.
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O presidente do conselho diretivo do instituto público Património Cultural, João Soalheiro, justifica, no diploma, que a integração do “Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial se deve ao facto desta manifestação ser “o reflexo da identidade da comunidade envolvente”.
Os processos sociais e culturais que originaram este cortejo e que ainda perduram “na contemporaneidade” também estiveram na base desta decisão dada a conhecer esta quinta-feira.
O tradicional cortejo é o ponto alto das Festas de São Bartolomeu da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, atraindo centenas de pessoas para assistir a este desfile, a que se segue o já habitual banho santo na praia de Ourigo.

Já a “Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo” foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial devido à sua “importância enquanto símbolo identitário da população desta freguesia do concelho de Viana do Castelo, em particular dos grupos de mordomas que a utilizam em contextos festivos e religiosos, transcendendo atualmente o contexto da romaria de Santa Marta de Portuzelo”, lê-se no diploma.
A vela votiva de Santa Marta de Portuzelo mede 60 centímetros de comprimento e pesa cerca de 200 gramas. Este adereço foi criado em 1958 pelo artesão Álvaro Sales Gomes, a pedido da Comissão de Festas da Romaria de Santa Marta de Portuzelo, para ser empunhado pelas mordomas durante esta festividade, de acordo com a página oficial do instituto Património Cultural.
O diploma, publicado em Diário da República e assinado por João Soalheiro, evidencia “o papel do artesão e armador Álvaro do Rego Sales na sua criação na década de 1950, detentor e herdeiro de um saber-fazer das artes decorativas em papel, transmitido no seio familiar desde o século XIX”.
A decisão é ainda justificada com “os modos em que se processa a transmissão intergeracional do saber-fazer associado à produção da «Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo»”, uma vez que este adereço continua a ser feito pela família Sales, que já vai na terceira geração de artesãos.
De acordo com a página oficial do instituto, “a vela distingue-se das usadas noutras romarias por ser idêntica para todas as mordomas, sendo devolvidas posteriormente à família Sales, que, depois de restauradas, e sempre que possível, as tornam a colocar em circulação no ano seguinte”.
Já a inscrição da “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial está em consulta pública durante 30 dias, devendo ser conhecida a decisão 120 dias após esse período.
O processo pode ser consultado presencialmente no arquivo da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.
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