Hospital Rey Juan Carlos atualiza especialistas sobre os avanços na saúde da mulher

  • Servimedia
  • 11 Junho 2026

Vários especialistas reuniram-se no Hospital Universitário Rey Juan Carlos da Comunidade de Madrid para participarem na nova edição da "Jornada de Atualização em Ginecologia e Obstetrícia".

O Hospital Universitário Rey Juan Carlos da Comunidade de Madrid realizou uma nova edição da sua “Jornada de Atualização em Ginecologia e Obstetrícia“, um encontro dirigido a profissionais de saúde no qual “foram analisados os principais avanços no diagnóstico, tratamento e prevenção de algumas das patologias mais frequentes que afetam a saúde da mulher“.

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Nesta edição foram atualizados os “conhecimentos entre os médicos especialistas, tanto hospitalares como de Cuidados Primários, e as parteiras, para oferecer uma assistência cada vez mais segura, eficaz e baseada na evidência científica”, explicou María de Matías, chefe associada do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do centro de Móstoles.

A jornada foi estruturada em quatro grandes mesas de trabalho. A primeira centrou-se na patologia cervical, nos rastreios citológicos, no Cervicam (programa de deteção precoce do cancro do colo do útero da Comunidade de Madrid) e no papel da vacinação contra o vírus do papiloma humano (VPH) na prevenção do cancro do colo do útero.

Neste âmbito, uma das principais novidades abordadas foi a mudança para um rastreio populacional, em vez do rastreio oportunista, baseado na deteção do HPV, o que permite identificar com maior sensibilidade as mulheres com risco de desenvolver lesões precursoras do cancro e facilita uma deteção mais precoce e um acompanhamento mais individualizado.

Outro dos blocos, segundo a médica María de Matías, abordou a ginecologia integrativa e a obesidade, com especial destaque para a menopausa, a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos, atualmente designada por síndrome ovariana metabólica poliendócrina. Esta abordagem, tal como foi apresentada na jornada, considera a mulher de forma global e combina tratamentos médicos baseados em evidências com intervenções destinadas a melhorar os hábitos de vida, a nutrição, a atividade física, o bem-estar emocional e outros fatores que influenciam a saúde.

Neste sentido, os especialistas recordaram que a saúde da mulher não deve depender do tratamento farmacológico. A prevenção, os hábitos saudáveis e o acompanhamento individualizado são considerados ferramentas fundamentais para melhorar os resultados clínicos e promover um maior bem-estar a longo prazo, especialmente em patologias crónicas ou de longa evolução, cujos sintomas podem afetar significativamente a qualidade de vida.

A menopausa foi outro dos temas em destaque no evento. Para além dos sintomas mais conhecidos, como as ondas de calor ou as alterações menstruais, os especialistas salientaram que esta fase representa uma oportunidade para identificar e prevenir riscos futuros. A diminuição dos estrogénios favorece alterações na composição corporal, com aumento da gordura abdominal e maior predisposição para hipertensão, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares. Por isso, a abordagem atual coloca o ênfase na saúde metabólica, cardiovascular, óssea e mental, bem como na avaliação individualizada de cada paciente.

A patologia do pavimento pélvico ocupou uma mesa específica, na qual foram analisados problemas frequentes como a incontinência urinária, o prolapso de órgãos pélvicos, a incontinência fecal, as alterações da função sexual e algumas síndromes de dor pélvica; com impacto significativo na qualidade de vida, mas ainda subdiagnosticados, em parte porque muitas mulheres os consideram uma consequência inevitável da idade, das gravidezes ou do parto.

Entre os sinais que devem levar a uma consulta encontram-se a perda involuntária de urina, a urgência miccional frequente, a sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, a obstipação persistente associada a dificuldade em evacuar, a sensação de pressão ou protuberância vaginal, a dor pélvica ou o desconforto durante as relações sexuais, referiu a ginecologista. O evento destacou também o papel fundamental dos Cuidados Primários na deteção precoce, no tratamento inicial e no encaminhamento para unidades especializadas, quando necessário.

O último bloco foi dedicado à Obstetrícia e à reprodução assistida, com palestras sobre anemia na gravidez, nutrição durante a gravidez, ganho de peso e apoios à gravidez, âmbito em que os especialistas insistiram na importância de otimizar o estado de saúde da mulher antes da conceção e durante a gravidez, com o objetivo de melhorar os resultados maternos e fetais.

“Nas mulheres que pretendem engravidar, uma das principais recomendações é realizar uma consulta pré-concecional, uma vez que permite identificar e corrigir fatores de risco, otimizar o tratamento de doenças crónicas, rever a medicação habitual e garantir uma suplementação adequada, especialmente com ácido fólico”, salientou a chefe adjunta do serviço. Durante a gravidez, o acompanhamento nutricional e do peso deve ser individualizado, uma vez que um aumento de peso inadequado está associado a um maior risco de complicações como diabetes gestacional, hipertensão ou macrossomia fetal.

A anemia ferropénica, uma das complicações mais frequentes durante a gravidez, foi outro dos aspetos abordados na jornada, com destaque para a importância da sua prevenção e deteção precoce através de análises, bem como do tratamento com ferro oral ou intravenoso, quando indicado, com o objetivo de evitar repercussões para a mãe e o feto.

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