Lagarde recusa subida de juros “preventiva”. “É um sinal necessário dada a incerteza”
Presidente do BCE adiantou que decisão de subir taxas de juro foi "unânime e sem reservas" e rejeitou a ideia de uma medida de "prevenção". É "um sinal necessário" face à situação de incerteza.

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Christine Lagarde recusou a ideia de o Banco Central Europeu (BCE) ter subido as taxas de juro de forma “preventiva”. Pelo contrário, assumiu a presidente da instituição: “É um sinal e é necessário tendo em conta a atual situação economia, a incerteza e a perspetivas para a inflação”.
Em conferência de imprensa após o conselho ter decidido subir as taxas diretoras em 25 pontos base, Lagarde adiantou os jornalistas que a decisão foi tomada de forma “unânime e sem reservas” pelos governadores da Zona Euro.
“Li aqui e ali que o BCE tomaria uma ‘decisão de seguro’ (…), uma decisão preventiva sobre as taxas”, comentou ainda. Mas “não foi assim que discutimos o assunto”, declarou ao lado do novo vice-presidente croata, Boris Vujčić.
A responsável francesa salientou que subir agora os juros “claramente sinaliza algo e é [uma medida] necessária dada a atual situação económica e a incerteza que estamos a enfrentar”. “Se não tivéssemos tomado esta decisão óbvia de política monetária, então, no final do médio prazo, que é o que consideramos para efeitos de projeção, estaríamos acima do nosso objetivo”, alertou. Por mais do que uma vez avisou que se o BCE não controlar a inflação desde o início, o BCE iria ter mais dificuldade em fazê-lo mais tarde.
Lagarde revelou que só no outono do próximo ano é que a inflação regressará à meta de 2% do banco central e que já se começa a assistir a uma “expansão da inflação em toda a economia” e não apenas nos preços energéticos. “Isto acontece obviamente em termos de efeito direto, mas também em termos de efeito indireto – ainda não neste momento nos efeitos de segunda ordem, mas estaremos extremamente atentos”, referiu.
Depois de um ano de pausa, o BCE voltou a subir as taxas de juro para conter uma nova escalada da inflação provocada pela guerra no Irão e que causou um grande choque nos preços da energia. A taxa de inflação na Zona Euro acelerou para os 3,2% em maio, o valor mais elevado em três anos.
Lagarde não deixou pistas sobre o futuro, depois de questionada sobre se estamos perante um ciclo de subidas: “Não nos estamos a comprometer antecipadamente com uma trajetória de taxas específica”. Os mercados esperam mais uma subida de 25 pontos base este ano.
(notícia atualizada às 14h58)
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