Mais de cinco milhões de famílias já entregaram declaração de IRS

Maioria dos formulários entregues pelos contribuintes (cerca de 3,3 milhões) diz respeito a famílias que só tiveram rendimentos de trabalho dependente ou de pensões, segundo o portal das Finanças.

A menos de três semanas do fim da campanha de IRS, mais de cinco milhões de famílias entregaram a declaração de rendimentos referente a 2025. Por volta das 11h00 desta quinta-feira, 5.033.668 contribuintes já tinham submetido os formulários no Portal das Finanças, de acordo com as estatísticas oficiais que constam no portal online.

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Das mais de cinco milhões de declarações entregues, a maior parte (3.269.702) diz respeito a famílias que só tiveram rendimentos de trabalho dependente ou de pensões, enquanto as remanescentes (1.763.966) foram de contribuintes que auferiram outras tipologias de rendimentos, como prediais, de capitais ou de trabalho independente.

A estatística do Portal das Finanças inclui as declarações que haviam sido submetidas desde o início do ano (substituição ou as primeiras entregas de rendimentos de anos anteriores).

Na semana passada, instalou-se uma controvérsia em torno dos reembolsos do IRS entre a Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) e o Governo. Enquanto a bastonária Paula Franco diz que há atrasos na liquidação, sem justificação válida, as Finanças garantem “toda a normalidade”, recusam qualquer problema de calendário – e até garantem que o processo está a demorar menos tempo do que no ano passado.

Segundo os dados do Ministério das Finanças enviados à RTP e ao Jornal de Negócios, até 3 de junho, foram liquidadas mais de 3,2 milhões de declarações, das quais 1.948.160 com reembolso, o que representa mais 209 mil do que no mesmo período de 2025. No total, são mais de 1,7 mil milhões de euros reembolsados.

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco Proteste) aproveitou a ocasião para deixar um alerta sobre o reembolso do IRS: deixar esse dinheiro parado na conta bancária ou gastá-lo impulsivamente pode significar a perda de uma oportunidade importante para melhorar a estabilidade financeira futura.

“Mais importante do que o valor do reembolso é aquilo que cada pessoa decide fazer com ele. O IRS pode ser apenas um alívio temporário ou o início de uma mudança financeira mais sólida e duradoura”, advertiu a Deco Proteste sobre este “dinheiro extra”. “O contexto atual de inflação continua a penalizar quem mantém as poupanças sem rentabilidade. A taxa média líquida dos depósitos a prazo ronda apenas 1%, muito abaixo da inflação prevista para 2026, estimada em 2,8%, o que representa perda de poder de compra”, argumenta a associação.

O prazo para a entrega da declaração anual do IRS referente ao ano passado termina no próximo dia 30 de junho. Se falhar a data, fica sujeito a uma coima de, pelo menos, 25 euros.

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