Otimismo domina mercados com expectativa sobre fim da guerra e estreia da SpaceX
"Um pouco mais tangível", disse um analista sobre a possibilidade de um acordo face a tentativas anteriores. Petróleo desce 4% e bolsas avançam, com Wall Street a aguardar a primeira sessão da SpaceX
“Hoje pusemos fim à guerra com o Irão”, afirmou Donald Trump esta quinta-feira, cancelando os ataques “muito duros” que havia ameaçado. Desde a segunda metade de março, o Presidente norte-americano tem feito repetidas mostras de otimismo sobre um acordo, mas todas caíram por terra, intercaladas por ataques e contra-ataques. E mesmo no caso atual, o Irão respondeu que ainda não tomou uma decisão final.
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No entanto, dado o volte-face de Trump e a forma como abordou a questão, incluindo a garantia que o vice-presidente J.D. Vance estará na assinatura do acordo, provavelmente na Europa, está a animar os mercados financeiros mundiais.
“Isto parece, talvez, um pouco mais tangível do que o que temos visto até agora”, afirmou Ray Attrill, diretor de estratégia cambial do National Australia Bank, citado pela Reuters. “Se ouvirmos alguma notícia do Irão que pareça positiva, as probabilidades (de um acordo de paz) vão, sem dúvida, mudar radicalmente.”
Os preços do petróleo recuam 4% e as bolsas negoceiam em alta, num dia que será marcado também pela estreia em bolsa da SpaceX de Elon Musk, a maior de sempre. Veja aqui as reações nos principais ativos:
Crude em mínimos de dois meses
Os preços do petróleo atingem o seu nível mais baixo em quase dois meses Os futuros do Brent registam uma descida de 3,81 dólares, ou 4,22%, para 86,57 dólares, enquanto o crude West Texas Intermediate (WTI) dos EUA desce 3,80 dólares, ou 4,33%, para 83,91 dólares. Ambos os contratos atingiram o seu nível mais baixo desde 17 de abril.
“Os mercados financeiros reagiram com um otimismo previsível à notícia de que um novo acordo de paz entre os EUA e o Irão poderá estar iminente”, referiram os analistas do banco de investimento neerlandês ING. “Muitos investidores estão a orientar-se pelo mercado petrolífero, onde a surpreendente queda nos preços da energia nas últimas semanas leva muitos a supor que os negociantes de petróleo têm informações privilegiadas sobre as negociações de paz.”
“Quem sabe ao certo? Mas parece que se estão a registar alguns progressos no sentido de um novo acordo de 60 dias, em que o Estreito de Ormuz seria aberto e o Irão poderia vender o seu petróleo”, adiantaram.
Bolsas asiáticas e europeias sobem
O otimismo ‘pintou’ de verde a sessão acionista na Ásia. O índice mais abrangente da MSCI para as ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão subiu 3,2%, impulsionado por um disparo de 7,4% do KOSPI da Coreia do Sul, enquanto o Nikkei do Japão subiu 2,7%.O índice de blue chips chinês subiu 1%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong ganhou 1,3%.
Na Europa, as ações estão a caminho de registar a sua melhor sessão em um mês, com todos os principais índices a registarem ganhos superiores a 1%, à medida que as renovadas esperanças de paz no Médio Oriente.
“Os mercados europeus estão a beneficiar da descida dos preços do petróleo e a menos que esses preços voltem a subir, é provável que este otimismo se mantenha”, afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista sénior de mercados do Swissquote Bank.
As ações do setor de viagens e lazer lideram as valorizações setoriais e atingiram máximos de últimos cinco meses, com uma subida de 4,9%. A Lufthansa e a Air France avançam 7,7% e 9,8%, respetivamente. O índice bancário Stoxx 600 Banks acelera 3,8%, com o Barclays e o Standard Chartered a registarem ganhos superiores a 3% cada.
Wall Street de olhos postos no ‘foguetão’ SpaceX
O dia no outro lado do Atlântico vai ser marcado também pelo início da negociação das ações da SpaceX de Elon Musk, na maior entrada em bolsa de sempre. A gigantesca oferta pública inicial (IPO) angariou um valor recorde de 75 mil milhões de dólares, avaliando o fabricante de foguetões e naves espaciais em 1,77 biliões de dólares.
“Este é um acontecimento muito importante para o mercado… o mercado de retalho é fundamental para ganhar impulso”, afirmou Michael Nizard, diretor da área de ativos múltiplos da Edmond de Rothschild Asset Management, à Reuters.
Ouro pouco alterado
O preço do ouro estabilizou esta sexta-feira, mas os preços mantêm-se a caminho de uma segunda queda semanal consecutiva, devido às expectativas de subida das taxas de juro.
O preço spot regista pouca alteração, situando-se nos 4.217,95 dólares por onça, mas apresenta uma queda superior a 2% na semana.
“Os preços do ouro estão a evoluir em linha com as declarações do presidente dos EUA, mas a influência predominante continua a ser a inflação, com os mercados a esperarem subidas das taxas por parte do BCE e a anteciparem também que a Reserva Federal seguirá o mesmo caminho”, afirmou Peter Fertig, analista da Quantitative Commodity Research.
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